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Artista que inventou aparelho que permite que surdos sintam música e até a intensidade das piadas por vibração testa em show o funcionamento, o multiartista Whinderson nunes continua investindo na tecnologia

Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 03/03/2026 às 19:33
Teste de aparelho vibratório para surdos sentirem música
Whindersson testa dispositivo que transforma música em vibração
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Um projeto que nasceu como experimento tecnológico agora começa a ganhar forma em grandes palcos. Whindersson Nunes está ajudando a desenvolver um aparelho inovador que permite que pessoas com deficiência auditiva “sintam” músicas e sons por meio de vibrações — e o dispositivo já foi testado durante um show do humorista em Teresina, no Piauí.

A iniciativa é fruto de uma parceria com a empresa piauiense Tron Robótica Educativa, startup com foco em tecnologia e educação. O projeto começou como uma proposta de inclusão sensorial e, agora, avança para testes em eventos de grande porte, como o próprio espetáculo de Whindersson e, em setembro, o Rock in Rio, onde cerca de 15 pessoas surdas participarão da próxima etapa de testes do equipamento, chamado MR.

Do YouTube ao palco: como surgiu a ideia do aparelho inclusivo

O projeto foi apresentado inicialmente em um vídeo publicado no canal de Whindersson Nunes no YouTube, na última segunda-feira (25), data em que se celebra o Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais. Na gravação, o humorista mostrou os primeiros testes do dispositivo e explicou como a tecnologia funciona.

O aparelho, em sua primeira versão, se assemelha a uma pequena caixa de som portátil. No entanto, diferentemente de um equipamento convencional, ele não busca emitir som audível, mas transformar frequências sonoras em vibrações mecânicas intensas e sensoriais.

Durante os testes iniciais, três pessoas com deficiência auditiva participaram da experiência. O influenciador posicionou o aparelho no peitoral, nas costas e até na cabeça de um dos participantes. “A gente consegue sentir a diferença da batida. Acho que nessa região [do peitoral] é um pouco melhor”, relatou o jovem. Whindersson explicou: “É porque distribui o som por todos os órgãos”.

Além disso, a seleção das músicas foi feita estrategicamente, priorizando graves em diferentes tons. “A ideia é pegar a frequência e deixar apropriada para a pessoa”, destacou o humorista.

Uma das participantes realizou o teste sem aparelhos auditivos e afirmou, emocionada: “Dá pra ouvir a música! Que massa!”. Em seguida, confessou: “Eu tenho muito medo de ficar completamente surda e não conseguir ouvir mais música”. Após sentir as vibrações nas costas, comemorou: “Escuta perfeito!”.

Teste histórico em show em Teresina

Se os primeiros testes já haviam sido considerados promissores, o show realizado em Teresina marcou um avanço significativo no projeto. Essa foi a primeira vez que o aparelho foi utilizado durante um espetáculo completo no Piauí.

Segundo o físico Gildário Lima, sócio fundador da startup, o teste foi fundamental porque, pela primeira vez, os participantes acompanharam um evento inteiro — e não apenas trechos isolados. Eles se posicionaram nas cadeiras da frente e contaram com apoio de intérpretes e profissionais envolvidos no desenvolvimento do dispositivo.

“O teste de sábado foi importante porque pela primeira vez os surdos acompanharam o show todo, nos anteriores eram testes de momento”, explicou Gildário.

Um dos relatos que mais emocionou a equipe foi o fato de os participantes conseguirem perceber a intensidade das piadas. Conforme o público reagia com mais entusiasmo, as vibrações aumentavam.

“Eles comentaram que agora era possível saber a intensidade da piada, porque conforme a piada era muito boa, toda a plateia vibrava e eles começaram a sentir isso. Eles sentiram as palmas por meio de vibrações, e isso foi uma coisa que me saltou aos olhos”, ressaltou o físico.

Ou seja, o dispositivo não apenas transmite música, mas também capta o ambiente sonoro e converte aplausos, risadas e ondas sonoras em vibrações espalhadas pelo corpo.

Tecnologia do MR e próximos passos

Vídeo do YouTube

O aparelho recebeu o nome MR em homenagem a uma aluna surda chamada Maria Rita, que utilizava o método TRON nas escolas e, a partir de seus questionamentos, inspirou o desenvolvimento da tecnologia.

De acordo com Gildário Lima, o dispositivo opera em dois níveis:

  1. Modo ambiente: capta todos os sons ao redor, processa e transforma em vibrações mecânicas distribuídas pelo corpo.
  2. Modo smartphone: conectado a um celular, converte diretamente músicas e sons reproduzidos no aparelho em experiência vibratória, independentemente do ruído externo.

Segundo o físico, a tecnologia já está pronta em termos funcionais. O próximo passo envolve melhorias ergonômicas para torná-la mais leve, acessível e confortável.

Whindersson também reconheceu que o projeto ainda não está finalizado. “O dispositivo não está 100%, na verdade é praticamente 0,01%, porque foi mesmo o primeiro teste”, afirmou em outra etapa do desenvolvimento. Agora, a meta é reduzir o tamanho do equipamento e torná-lo ainda mais sensorial.

Além do MR, a Tron desenvolve outros projetos, como um protótipo de cadeira de rodas de baixo custo, que deverá avançar após a finalização do aparelho musical.

Inclusão, tecnologia e impacto social

Para Gildário, o papel de Whindersson vai além do investimento financeiro. “Ele comprou a ideia, por ser uma startup que surgiu no Piauí e está tendo impacto nacional, revolucionando a inserção de tecnologia nas escolas por meio do método TRON. E ele é um grande defensor da inclusão”, afirmou.

O envolvimento do humorista ajudou a dar visibilidade nacional ao projeto e impulsionar testes em larga escala, como o previsto para o Rock in Rio.

Assim, o que começou como uma ideia inspirada pelo desejo de permitir que pessoas surdas sentissem música em casa, como quem joga videogame ou cozinha ouvindo som, agora ganha espaço em palcos lotados e eventos internacionais.

Afinal, se tecnologia pode transformar passos em energia ou vibrações em emoção, por que não transformar também a forma como cada pessoa vive um espetáculo?

E você, já imaginou sentir a intensidade de um show apenas pelas vibrações da plateia ao seu redor?

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Jefferson Augusto

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