A UFSM revela um carro a hidrogênio desenvolvido pelo GPMOT e avança na pesquisa nacional com soluções limpas baseadas em energia renovável, reforçando o futuro da mobilidade sustentável no Brasil
Na manhã de 9 de dezembro de 2025, a UFSM apresentou publicamente um veículo movido a hidrogênio convertido integralmente em seus laboratórios, tornando-se uma das primeiras instituições do país a demonstrar, em funcionamento, um automóvel capaz de operar com hidrogênio em motor de combustão interna. O projeto, realizado no hall do Centro de Tecnologia, chamou imediatamente a atenção pela presença do carro no interior do prédio e pelos adesivos de empresas e agências financiadoras que apoiam a iniciativa.
Tecnologia da UFSM em destaque no desenvolvimento do veículo movido a hidrogênio
Esse carro a hidrogênio, desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa em Motores, Combustíveis e Emissões (GPMOT), representa um passo significativo rumo à mobilidade sustentável no Brasil. Logo nas primeiras informações divulgadas, os pesquisadores destacaram que o veículo emite apenas vapor d’água durante seu funcionamento, sem liberar CO₂ ou outros poluentes associados aos combustíveis fósseis.
A conversão do automóvel — um Fiat Siena — faz parte do trabalho de conclusão do estudante Augusto Graziadei Folletto, do curso de Engenharia Mecânica. Orientado pelo professor Mario Martins e coorientado pelo professor Thompson Lanzanova, o estudante realizou a adaptação completa do sistema de combustão original para o uso exclusivo de hidrogênio como combustível.
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O resultado comprova que, mesmo mantendo todas as características de fábrica, o motor responde adequadamente ao uso de hidrogênio, obtendo combustão limpa e estável. Essa experiência reforça que o carro a hidrogênio não é apenas uma possibilidade para o futuro, mas uma aplicação já tecnicamente viável no presente.
Além disso, o projeto recebeu investimentos de reconhecidas instituições de pesquisa, como CNPq, Finep, Fapergs e o Programa Rota 2030, além de apoio essencial de empresas como Marelli, TCA-Horiba e FuelTech. Estas últimas colaboraram com tecnologia e componentes fundamentais para o controle do motor. A união entre academia, governo e indústria demonstra como a inovação pode ser acelerada quando existe integração entre diferentes setores.
GPMOT e a evolução da pesquisa em mobilidade sustentável e energia renovável
O GPMOT já possui histórico sólido na pesquisa com combustíveis alternativos, motores de baixa emissão e integração entre engenharia e sustentabilidade. Por isso, o desenvolvimento do veículo movido a hidrogênio consolida a UFSM como uma das principais referências acadêmicas brasileiras na busca por soluções sustentáveis para o transporte.
O projeto está inserido no estudo “Desenvolvimento de Motor Automotivo Movido a Biohidrogênio para o Mercado Brasileiro”, financiado pelo Programa Rota 2030. Esse trabalho faz parte de uma estratégia nacional para fortalecer a indústria automotiva e ampliar pesquisas ligadas à descarbonização.
Dados recentes da Agência Internacional de Energia (IEA) reforçam que o hidrogênio tem potencial para se tornar um dos principais vetores energéticos do mundo nas próximas décadas. Isso é especialmente verdadeiro em países com grande capacidade de geração de energia renovável, como o Brasil. Segundo os responsáveis pelo projeto, a expansão da economia do hidrogênio será impulsionada pela descarbonização industrial e pela ampliação das fontes renováveis, consolidando um cenário favorável para seu uso em transportes.
Retrofitting e viabilidade técnica do carro a hidrogênio da UFSM
Um dos pontos mais importantes demonstrados pelo projeto da UFSM é a viabilidade técnica do retrofitting — processo de converter veículos já existentes para tecnologias mais limpas. O Fiat Siena utilizado manteve sua estrutura original, recebendo apenas adaptações específicas no sistema de alimentação de combustível e no controle eletrônico do motor.
Essa possibilidade abre caminho para estratégias de transição que não dependam exclusivamente de produzir novos veículos. Em países como o Brasil, onde a frota é extensa e diversa, o retrofitting pode ser uma solução intermediária eficaz rumo à mobilidade sustentável.
O carro a hidrogênio convertido apresenta emissões praticamente nulas, já que a combustão do hidrogênio gera apenas água ou vapor d’água. Embora pequenas quantidades de NOx possam surgir em determinadas condições, técnicas modernas de controle e pós-tratamento são capazes de reduzir esse índice drasticamente, aproximando o processo de emissões zero.
Hidrogênio como vetor de energia renovável e suas perspectivas no Brasil
O Brasil está entre os países com maior potencial para se tornar líder na produção de hidrogênio verde, graças à disponibilidade de fontes de energia renovável — principalmente solar, eólica e hidrelétrica. Estudos internacionais apontam que o país poderá produzir hidrogênio verde a custos competitivos até 2030, impulsionando aplicações industriais, logísticas e de transporte.
Segundo a IEA, o hidrogênio deve desempenhar papel central em setores de difícil eletrificação, como transporte pesado, siderurgia e navegação. Com o avanço das tecnologias, o hidrogênio tende a expandir-se também para o transporte leve, incluindo automóveis e utilitários — área na qual o veículo movido a hidrogênio da UFSM se insere como um teste pioneiro de aplicação prática.
Essa tendência global reforça a necessidade de mais investimentos em infraestrutura, especialmente em armazenamento e distribuição. Ainda assim, os avanços acadêmicos e industriais mostram que o país está alinhado às rotas internacionais de desenvolvimento sustentável e energético.
UFSM e o protagonismo na pesquisa nacional para mobilidade sustentável
O Centro de Tecnologia da UFSM possui diversas iniciativas relacionadas ao hidrogênio, incluindo equipes de competição que desenvolvem protótipos movidos pelo gás, projetos de células a combustível para geração elétrica e pesquisas premiadas sobre combustão limpa. Essas frentes complementares fortalecem o posicionamento institucional na área de mobilidade sustentável e energia renovável.
O GPMOT, ao atuar em parceria com empresas do setor automotivo, oferece dados científicos, ensaios experimentais e formação especializada. Essa integração entre pesquisa e indústria é essencial para acelerar a adoção de soluções inovadoras no país, especialmente em um momento em que políticas ambientais e metas de descarbonização se tornam cada vez mais relevantes. A UFSM demonstra, mais uma vez, que a pesquisa brasileira tem capacidade de liderar projetos estratégicos e de impacto nacional.
O avanço da UFSM como marco para o futuro do carro a hidrogênio no Brasil
A apresentação do veículo movido a hidrogênio da UFSM não apenas comprova a viabilidade técnica dessa tecnologia, mas também aponta caminhos concretos para o futuro da inovação automotiva no país. A iniciativa simboliza um avanço científico alinhado às demandas globais por eficiência, redução de emissões e uso de energia renovável.
Assim, o carro a hidrogênio convertido no laboratório da UFSM se torna um exemplo de como o Brasil pode desenvolver soluções próprias, competitivas e ambientalmente responsáveis. O projeto abre portas para novas pesquisas, amplia o protagonismo acadêmico nacional e reforça o papel estratégico das universidades no desenvolvimento tecnológico do país.

Esperou que dê certo, não apenas na questão tecnológica mas também na questão legislativa e política.
Já houve várias tentativas e experiências individuais mas, o triste é que os proprietários dos experimentos ou desistiam ou eram desistidos.
Eu mesmo, medíocre estudante de Física, já fiz um opala 4 cilíndros funcionar na garagem, gerando hidrogênio por eletrólise. Na minha imaginação iria descobrir a América.
Espero que o corretor dê textos não altere minha escrita.