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Aos 55 anos, Tim Mullane se diz um coveiro do mar, ganha a vida afundando navios e se prepara para seu maior desafio da vida: afundar o gigante histórico SS United States para virar recife artificial no Golfo do México

Publicado em 22/01/2026 às 08:58
Atualizado em 22/01/2026 às 09:02
Navios, SS United States
Imagem: Reprodução
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Especialista afunda navios há duas décadas e prepara transatlântico histórico de quase 300 metros para virar recife artificial, combinando engenharia naval, controle ambiental rigoroso e aposta no turismo subaquático regional

O americano Tim Mullane, de 55 anos, atua há mais de 20 anos afundando navios de forma controlada e prepara o histórico SS United States para virar recife artificial no Golfo do México, diante de Destin, com impacto ambiental e turístico relevante.

Afundar navios com objetivos ambientais e turísticos tornou-se uma atividade técnica, regulada e economicamente relevante, conduzida por poucos especialistas nos Estados Unidos, segundo o próprio Mullane.

Ex-militar da Marinha Americana, ele integra um grupo de apenas doze profissionais capacitados a executar esse tipo de operação, combinando engenharia naval, segurança e preservação ambiental.

Sua empresa reúne uma equipe de mais de 30 pessoas, todas diretamente envolvidas na preparação do SS United States para sua última viagem controlada ao fundo do mar.

O maior projeto da carreira

O atual trabalho representa o maior desafio já enfrentado por Mullane, tanto pela dimensão do navio quanto pelo simbolismo histórico associado ao transatlântico lançado em 1952.

Com quase 300 metros de comprimento, o SS United States será transformado no maior recife artificial do mundo, estimulando a vida marinha e atraindo mergulhadores.

O local escolhido fica diante da cidade de Destin, no condado de Okaloosa, na Florida, região que aposta no projeto como vetor de turismo subaquático.

Há mais de um ano, a equipe trabalha na dissecação interna do navio, removendo equipamentos, fluidos e materiais potencialmente contaminantes ao ambiente marinho.

O processo inclui lavagem completa, lixamento do casco e retirada de toda a pintura tóxica, garantindo que nenhum resíduo prejudicial seja liberado durante o afundamento.

Mullane acompanha cada etapa com atenção meticulosa, descrevendo a tarefa como lenta, trabalhosa e essencial para o sucesso ambiental da operação.

Navios, SS United States
Imagem: Reprodução

“Agentes funerários dos navios”

Com humor, Mullane define sua equipe como “agentes funerários dos navios e coveiros do mar”, expressão que resume o caráter simbólico do trabalho realizado.

Ele reconhece que o afundamento desperta sentimentos conflitantes em antigos tripulantes e passageiros que um dia navegaram no SS United States.

Ainda assim, defende que virar um recife repleto de vida marinha é um final mais digno do que o simples desmanche do navio.

O desafio de “afundar direito”

No jargão do setor, sucesso significa fazer o navio desaparecer da superfície sem deixar vestígios na água, resultado direto da limpeza prévia exaustiva.

Mais complexo, porém, é garantir que o afundamento ocorra na posição correta, como se o navio ainda estivesse navegando normalmente.

Essa condição é fundamental para a experiência dos mergulhadores, que poderão explorar a estrutura mantendo sua imponência original no fundo do mar.

Mullane estima que o SS United States levará algumas horas para inundar completamente e cerca de 45 minutos para descer até o fundo.

A profundidade do ponto escolhido para o afundamento é de 54 metros, exigindo precisão no controle das válvulas e no tempo de abandono.

Como de hábito, Mullane permanecerá a bordo até o último instante, sendo o último a deixar a embarcação antes do desaparecimento definitivo.

Navios, SS United States
Imagem: Reprodução

Um momento histórico pessoal

Para o especialista, o afundamento previsto para daqui há 40 dias, no início de março, terá significado profissional e emocional profundo.

Ele afirma sentir orgulho de participar de um projeto que preserva a memória do navio ao mesmo tempo em que cria um novo ecossistema marinho.

Segundo Mullane, o SS United States não foi apenas um navio de passageiros, mas o mais luxuoso da história naval americana.

O “Grande Navio” do século XX

Apelidado de The Big Ship, o SS United States tinha capacidade para transportar quase 2 000 passageiros em travessias regulares transatlânticas.

Lançado em 1952, operou até 1969 ligando a Europa e os Estados Unidos, período marcado por prestígio, velocidade e sofisticação.

O crescimento do transporte aéreo reduziu drasticamente o interesse pelas longas viagens marítimas, levando à aposentadoria do navio.

Passageiros ilustres

Ao longo de sua carreira, o transatlântico recebeu personalidades como Bill Clinton, Marilyn Monroe, Salvador Dali, Judy Garland, Cary Grant e Walt Disney.

Essas viagens reforçaram o status do navio como símbolo de luxo e modernidade em plena era dourada dos grandes transatlânticos.

Mesmo após sua desativação, o SS United States manteve relevância histórica e técnica na indústria naval.

Recorde que atravessou décadas

Mesmo 57 anos depois de ter sido retirado de operação, o navio ainda detém o recorde de velocidade da travessia do Oceano Atlântico.

Na viagem inaugural, em 1952, cruzou o Atlântico Norte a uma velocidade média de 66 km/h, marca impressionante até hoje.

Esse feito garantiu ao SS United States o direito de ostentar a Blue Riband, a cobiçada Fita Azul da navegação.

A honraria eterna

Criada no início do século passado, a Blue Riband premiava o navio de passageiros com maior média horária na travessia atlântica.

Como a rota regular de passageiros entre Europa e Estados Unidos deixou de existir, o recorde permaneceu intocado até os dias atuais.

No dia do afundamento, o SS United States descerá ao fundo do mar ainda simbolicamente portando sua flâmula azul, encerrando sua história com dignidade e significado duradouro.

Com informações de UOL.

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Antonio bonici
Antonio bonici
23/01/2026 14:11

Poderia ser o destino do nosso porta avioes minas gerais afundado em aguas profundas simplesmente p esquecer …

Romário Pereira de Carvalho

Já publiquei milhares de matérias em portais reconhecidos, sempre com foco em conteúdo informativo, direto e com valor para o leitor. Fique à vontade para enviar sugestões ou perguntas

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