Com estrutura de ações de dupla classe, empresa busca captar até US$ 50 bilhões para financiar centros de dados espaciais, ampliar atuação em inteligência artificial e manter controle estratégico nas mãos do fundador
A SpaceX está preparando um dos IPOs mais aguardados da década. A fabricante americana de foguetes e satélites avalia realizar uma oferta pública inicial que pode captar até US$ 50 bilhões ainda este ano. No entanto, mais do que levantar recursos bilionários, o movimento revela uma estratégia clara: garantir que Elon Musk mantenha o controle da companhia mesmo após a abertura de capital.
A informação foi divulgada pela “Bloomberg”, com base em fontes familiarizadas com as negociações internas. Segundo a reportagem, a SpaceX estuda adotar uma estrutura de ações de dupla classe, modelo já utilizado por gigantes da tecnologia como Meta e Alphabet (Google).
Estrutura de dupla classe garante poder de voto ampliado
A proposta prevê a emissão de dois tipos de ações. De um lado, papéis ordinários com direito a um voto por ação. De outro, ações especiais com poder de voto ampliado, podendo conceder 10 ou até 20 votos por unidade aos detentores estratégicos.
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Na prática, essa estrutura permitirá que Elon Musk domine a tomada de decisões, mesmo que passe a deter uma participação minoritária no capital total da empresa. Dessa forma, a SpaceX preserva sua governança alinhada à visão de longo prazo do fundador.
Além disso, o modelo cria uma barreira contra acionistas ativistas, dificultando tentativas de mudanças estratégicas indesejadas. Ou seja, o IPO fortalece o caixa da empresa sem diluir o poder de Musk.
Vale lembrar que Musk já defendeu essa estratégia na Tesla. Em 2024, ele propôs criar uma classe dupla de ações para garantir pelo menos 25% do controle de voto. Atualmente, ele possui cerca de 11% das ações, mas seu novo pacote de remuneração estimado em US$ 1 trilhão pode elevar sua participação para 25% ou mais na próxima década.
IPO bilionário financiará IA espacial e fábrica na Lua
O IPO de US$ 50 bilhões não se limita ao fortalecimento financeiro. Pelo contrário, ele integra uma estratégia agressiva de expansão em inteligência artificial, infraestrutura espacial e computação avançada.
Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, os recursos poderão financiar:
- Centros de dados de IA no espaço
- Construção de uma fábrica na Lua
- Expansão da infraestrutura orbital
Recentemente, a SpaceX adquiriu a xAI, startup de inteligência artificial fundada por Musk. Com isso, a empresa expandiu sua atuação além de foguetes e satélites, entrando diretamente no mercado de IA de alta performance.
Essa movimentação sinaliza uma transformação estratégica: a SpaceX deixa de ser apenas uma empresa aeroespacial e passa a se posicionar como um conglomerado tecnológico focado em inteligência artificial e infraestrutura espacial global.
Além disso, a companhia está ampliando seu conselho de administração para fortalecer a governança e estruturar o IPO com maior robustez institucional.
Ambições que vão além da órbita terrestre

Embora o foco histórico da SpaceX esteja em lançamentos orbitais e no projeto Starlink, as ambições de Elon Musk são muito maiores. A criação de data centers espaciais pode redefinir a capacidade global de processamento de dados. Já a ideia de uma fábrica na Lua reforça o plano de longo prazo para expansão humana no espaço.
Entretanto, estruturas de ações de dupla classe também geram críticas. Alguns analistas argumentam que o modelo reduz a responsabilização da liderança ao concentrar poder decisório. Ainda assim, empresas como Meta e Alphabet demonstraram que essa estrutura pode sustentar inovação disruptiva com estabilidade corporativa.
Além disso, investidores enxergam na governança concentrada uma vantagem competitiva, pois permite decisões mais rápidas e alinhadas com projetos de alto risco tecnológico.
Mercado acompanha possível maior IPO do setor espacial
Caso o IPO se confirme, a operação poderá se tornar uma das maiores ofertas públicas do setor de tecnologia nos últimos anos. Além disso, consolidará a SpaceX como protagonista não apenas na corrida espacial, mas também na economia da inteligência artificial.
As deliberações ainda estão em andamento, e detalhes podem mudar. Contudo, o movimento já indica que a empresa pretende unir mercado financeiro, exploração espacial e IA em uma única estratégia integrada.
Diante desse cenário, investidores globais acompanham atentamente cada passo. Afinal, o IPO da SpaceX pode marcar o início de uma nova fase na convergência entre tecnologia, espaço e capital internacional.
Você investiria em uma empresa que promete levar inteligência artificial para o espaço e ainda construir uma fábrica na Lua?

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