Aprovado em 17 de dezembro de 2025, o empréstimo externo de US$ 90 milhões para o PROMOBIS financia estudos do túnel imerso Itajaí Navegantes, reforça BRT e ciclovias regionais, ameaça aposentar a balsa tradicional e prepara nova mobilidade metropolitana diária entre cidades portuárias catarinenses com impacto direto em quem atravessa.
Em 17 de dezembro de 2025, o Senado Federal autorizou um empréstimo externo de até US$ 90 milhões com organismo internacional de fomento para o Projeto de Mobilidade Integrada Sustentável da Região da Foz do Rio Itajaí, o PROMOBIS. No centro do pacote está o túnel imerso entre Itajaí e Navegantes, visto como peça estratégica para reorganizar a travessia hoje dominada pela balsa.
A operação, com prazo de pagamento de longo prazo e garantia da União, foi repartida entre Itajaí, Navegantes e Balneário Camboriú, compondo o teto de US$ 90 milhões autorizado em plenário. Na prática, o dinheiro permite tirar do papel estudos, projetos e modelagem do túnel imerso e do sistema de mobilidade regional, embora ainda não represente o início imediato de obras sob o leito do rio Itajaí Açu.
O que o Senado aprovou para viabilizar o túnel imerso

Os projetos de resolução aprovados no Senado liberam os três municípios da foz do Itajaí para contratar o crédito externo dentro do PROMOBIS.
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As autorizações encerram a etapa legislativa e abrem espaço para que os prefeitos assinem o contrato, definam contrapartidas e iniciem a execução do programa.
Nos documentos do programa, o túnel imerso aparece ligado ao eixo de fortalecimento institucional e assistência técnica, com recursos destinados a estudos de traçado, projetos básicos, análises geotécnicas, matriz de riscos e modelagem econômico-financeira para uma futura parceria público-privada.
A implantação física do túnel imerso fica para uma etapa seguinte, dependente de um novo pacote de recursos e da estruturação da concessão ao setor privado.
Como o túnel imerso pode mudar a travessia Itajaí Navegantes
Hoje, a ligação entre Itajaí e Navegantes depende fortemente da balsa, sujeita a filas, lotação e interrupções em dias de vento forte ou maré desfavorável.
A proposta do túnel imerso é criar uma conexão fixa sob o leito do Rio Itajaí Açu, permitindo travessia contínua, em qualquer horário e condição climática, para quem mora, trabalha ou estuda de um lado e do outro da foz.
Estudos preliminares descrevem o túnel imerso como uma estrutura com “células” internas reservadas a diferentes modos de transporte, com espaço para veículos, transporte coletivo e, potencialmente, passagem para pedestres e ciclistas.
A solução subterrânea é defendida como alternativa a uma grande ponte, que enfrentaria restrições por causa do tráfego intenso de navios no canal de acesso aos portos e da proximidade do aeroporto de Navegantes.
PROMOBIS, mobilidade integrada e função regional do túnel imerso
O empréstimo também financia corredores de ônibus, sistemas de BRT, linhas alimentadoras, calçadas qualificadas e uma rede extensa de ciclovias que deve interligar municípios da foz do Itajaí.
Nesse desenho, o túnel imerso não é uma obra isolada, mas o elo mais sensível de um corredor metropolitano que pretende integrar Balneário Camboriú, Camboriú, Itajaí e Navegantes.
A ideia é que o túnel imerso receba, no futuro, linhas estruturais de transporte coletivo de maior capacidade, reduzindo a dependência exclusiva do automóvel na travessia do rio.
Terminais urbanos, estações de integração, estacionamentos de apoio e conexões cicloviárias entram como peças complementares de um sistema que pretende reduzir tempos de viagem e organizar melhor os fluxos entre cidades portuárias com forte atividade econômica.
Balsa, rotina cansativa e dúvidas sobre tarifa
Para quem depende da balsa diariamente, o túnel imerso é visto como promessa de fim de uma travessia cansativa, marcada por filas nos horários de pico, veículos lotados e incerteza em dias de mau tempo.
A expectativa é encurtar o deslocamento, dar previsibilidade a quem cruza o rio todos os dias e facilitar o acesso a emprego, serviços e estudo em ambos os lados.
Ao mesmo tempo, a possível substituição parcial ou total da balsa abre debates sobre tarifa, pedágio e prioridades de uso.
A modelagem da futura PPP do túnel imerso terá de definir quem paga, quanto paga e quais veículos terão acesso preferencial, incluindo se o transporte coletivo e as bicicletas terão tratamento diferenciado em relação aos carros particulares.
O desenho final pode determinar se a travessia será mais inclusiva ou se se tornará apenas um corredor rápido para quem pode pagar mais.
Etapas até as obras do túnel imerso saírem do papel
Mesmo com o crédito aprovado, o túnel imerso ainda depende de uma série de etapas obrigatórias.
Os municípios precisam assinar o contrato de financiamento, cumprir condições de efetividade, contratar estudos, concluir projetos de engenharia, obter licenças ambientais e estruturar a licitação da PPP que vai assumir construção, operação e manutenção da travessia.
Cronogramas discutidos em âmbito regional indicam que o começo das obras do túnel imerso tende a ocorrer apenas na virada desta década, com conclusão prevista alguns anos depois, sempre condicionada à resposta dos investidores e aos trâmites de licenciamento.
Em outras palavras, o empréstimo de US$ 90 milhões acelera estudos e governança, mas não garante por si só a data em que motoristas, passageiros de ônibus, ciclistas e pedestres poderão abandonar a balsa e atravessar o rio por baixo d’água.
Na sua opinião, o túnel imerso entre Itajaí e Navegantes deve priorizar faixas para transporte coletivo e ciclovias, mesmo que isso limite pistas para carros, ou a população está disposta a aceitar pedágio para ter uma travessia mais rápida e previsível todos os dias?

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