Estoques de emergência mantidos por países do G7 ganham atenção diante da alta do petróleo e da crise de abastecimento no Oriente Médio
Uma possível liberação de reservas estratégicas de petróleo dos países do G7 entrou em discussão internacional.
A Agência Internacional de Energia (AIE) informou em 9 de março de 2026 que os estoques emergenciais podem ser utilizados para responder à crise de abastecimento no Oriente Médio.
Ao mesmo tempo, os preços do petróleo subiram rapidamente e chegaram a quase US$ 120 por barril, o que aumentou a pressão sobre governos e mercados energéticos.
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Segundo as regras da própria Agência Internacional de Energia, países membros que são importadores líquidos de petróleo precisam manter estoques equivalentes a pelo menos 90 dias de importações.
Portanto, esses volumes funcionam como uma reserva estratégica global para momentos de crise energética.

Reservas estratégicas dos Estados Unidos dominam o sistema de segurança energética
Primeiramente, os Estados Unidos concentram o maior volume de petróleo estratégico entre os países do G7.
De acordo com a Administração de Informação Energética dos Estados Unidos (EIA), em 27 de fevereiro de 2026, o país possuía 415,4 milhões de barris de petróleo bruto na Reserva Estratégica de Petróleo.
Além disso, simultaneamente, estoques comerciais mantidos por empresas privadas somavam 439,3 milhões de barris adicionais.
Consequentemente, os Estados Unidos mantêm uma das maiores estruturas de segurança energética do planeta, embora a liberação diária dependa da infraestrutura de distribuição.
Japão mantém estoque que cobre meses de importações
Enquanto isso, o Japão também mantém grandes reservas estratégicas de petróleo.
Segundo o Ministério de Recursos Naturais e Energia do Japão, no final de dezembro de 2025, o país possuía cerca de 470 milhões de barris de petróleo equivalente em estoque.
Desse total, 260 milhões de barris pertencem ao governo japonês.
Além disso, essas reservas governamentais correspondem a cerca de 146 dias de importações de petróleo.
Ao mesmo tempo, estoques privados mantêm aproximadamente 180 milhões de barris equivalentes de combustíveis, incluindo 90 milhões de barris de petróleo bruto.
Alemanha mantém reservas que podem ser liberadas rapidamente
Além disso, a Alemanha mantém estoques estratégicos relevantes de petróleo e derivados.
Segundo o Ministério da Economia da Alemanha, o país possui aproximadamente 110 milhões de barris de petróleo bruto.
Além disso, também mantém 67 milhões de barris de produtos petrolíferos refinados.
Consequentemente, esses volumes podem ser liberados em poucos dias, caso seja necessário estabilizar o mercado energético.
França combina estoques governamentais e reservas privadas
Da mesma forma, a França mantém reservas estratégicas divididas entre governo e empresas petrolíferas.
Segundo os dados públicos mais recentes disponíveis no final de 2024, o país possuía cerca de 120 milhões de barris de petróleo e derivados em estoque.
Desse total, 97 milhões de barris são administrados pela SAGESS, entidade responsável pelas reservas estratégicas francesas.
Além disso, 39 milhões de barris são mantidos por empresas petrolíferas do país.
Dentro das reservas da SAGESS, a composição inclui aproximadamente:
• 30% de petróleo bruto
• 50% de gasóleo
• 9% de gasolina
• 7,8% de querosene de aviação
• pequenas quantidades de óleo combustível
Itália mantém estoque mínimo exigido pela Agência Internacional de Energia
Enquanto isso, a Itália também mantém reservas estratégicas obrigatórias.
A legislação nacional exige que o país mantenha aproximadamente 76 milhões de barris de petróleo em estoque.
Esse volume representa 90 dias da média das importações líquidas de petróleo registradas em 2024.
Contudo, conforme citado no levantamento, o Ministério da Economia italiano não respondeu ao pedido de comentário sobre o volume exato atual.
Reino Unido utiliza sistema de estoques industriais e reservas internacionais
Além disso, o Reino Unido mantém estoques distribuídos entre petróleo bruto e produtos refinados.
Segundo o Department of Energy Security and Net Zero, em 26 de fevereiro de 2026, o país possuía:
• 38 milhões de barris de petróleo bruto
• 30 milhões de barris de produtos refinados
Ao mesmo tempo, o governo britânico cumpre as exigências internacionais obrigando a indústria a manter níveis mínimos de estoque.
Além disso, em julho de 2025, cerca de 15% das reservas estavam armazenadas em território britânico para atender exigências de países estrangeiros.
Parte dos volumes também é mantida no exterior por meio do sistema de bilhetes da Agência Internacional de Energia, que garante opções de compra emergencial.
Canadá não mantém reserva estratégica por ser exportador de petróleo
Por fim, o Canadá apresenta uma situação diferente dentro do G7.
O país não possui uma reserva estratégica de petróleo.
Isso ocorre porque o Canadá é um exportador líquido de petróleo, portanto não é obrigado pela Agência Internacional de Energia a manter estoques estratégicos.
Além disso, o país é o quarto maior produtor mundial de petróleo bruto.
Segundo dados do setor energético, a produção canadense superou 5 milhões de barris por dia em dezembro de 2025.
Ao mesmo tempo, a maior parte dessas exportações é destinada aos Estados Unidos, reforçando a integração energética entre os dois países.
Diante desse cenário, as reservas estratégicas mantidas pelos países do G7 continuam sendo um dos principais instrumentos de resposta global em momentos de crise energética.
Considerando o tamanho desses estoques e a volatilidade do mercado, essas reservas poderão desempenhar papel decisivo na estabilidade do petróleo mundial caso a crise de abastecimento se intensifique?

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