Raízen trava 60% do açúcar futuro com hedge e reage à queda no preço do açúcar após registrar prejuízo bilionário no trimestre.
A Raízen decidiu antecipar a fixação de preços do açúcar da Safra 2026/27 para proteger suas receitas diante da queda do Preço açúcar no mercado internacional.
A estratégia foi revelada na teleconferência de resultados do terceiro trimestre do ciclo 2025/26, quando a companhia também confirmou um Prejuízo bilionário de R$ 15,6 bilhões.
O movimento ocorre no Brasil, principal polo sucroenergético da empresa, e envolve a venda antecipada de 60% do açúcar destinado à exportação.
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O objetivo, segundo a companhia, é reduzir riscos financeiros e estabilizar o caixa em um cenário de margens pressionadas.
Raízen acelera hedge açúcar acima do mercado
A Raízen adotou uma postura mais agressiva que a média das usinas ao avançar no Hedge açúcar da próxima temporada.
Até o fim do terceiro trimestre, a empresa já havia travado contratos a um preço médio equivalente a US$ 1,11 por libra-peso.
Esse valor, conforme explicou o diretor de relações com investidores, Philippe Casale, está “acima dos atuais níveis de mercado” e próximo do registrado na safra 2025/26.
Assim, a companhia tenta garantir previsibilidade de receita mesmo com a volatilidade da commodity.
Na prática, o hedge funciona como um seguro de preço.
Ou seja, a empresa fixa antecipadamente o valor de venda para evitar perdas caso o mercado caia no futuro.
Estratégia busca compensar queda do preço do açúcar
A decisão ocorre após a retração do Preço açúcar afetar diretamente o desempenho do segmento de açúcar e etanol.
Entre abril e dezembro da safra atual, o valor médio de venda foi de R$ 2.389 por tonelada, cerca de 7% abaixo do mesmo período do ciclo anterior.
Como resultado, as margens operacionais encolheram.
O Ebitda ajustado do negócio caiu 28,1% em nove meses, recuando para R$ 3,9 bilhões — uma redução de aproximadamente R$ 1,5 bilhão.
Segundo Casale, o avanço no hedge deve “mitigar o efeito da queda do [preço do] açúcar recente”.
Portanto, a estratégia busca suavizar os impactos negativos no fluxo de caixa da companhia.
Prejuízo bilionário marca trimestre da Raízen
Apesar da proteção de preços para a próxima safra, o balanço do terceiro trimestre registrou um Prejuízo bilionário de R$ 15,6 bilhões entre outubro e dezembro de 2025.
O resultado foi divulgado na noite de quinta-feira, 12.
A maior parte da perda veio de uma baixa contábil (impairment) de R$ 11,1 bilhões.
Esse ajuste ocorreu após a reavaliação de ativos diante da piora na estrutura de capital e do aumento do custo financeiro.
Os outros R$ 4,5 bilhões refletem o desempenho operacional mais fraco no segmento de açúcar e etanol.
Esse efeito acabou ofuscando a melhora na geração de caixa da área de distribuição de combustíveis.
Safra 2026/27 ganha papel estratégico
Com o cenário atual, a Safra 2026/27 passa a ser vista como crucial para a recuperação dos resultados.
Ao travar preços antecipadamente, a Raízen tenta garantir rentabilidade mínima mesmo em um ambiente de commodities pressionadas.
Além disso, a estratégia reduz a exposição às oscilações do mercado internacional, que tem sido impactado por oferta elevada e mudanças na demanda global.
Por outro lado, o movimento limita ganhos caso os preços do açúcar voltem a subir.
Ainda assim, a empresa optou por priorizar previsibilidade e proteção de caixa.
Impactos para o setor sucroenergético
O avanço no Hedge açúcar também sinaliza uma postura mais conservadora diante das incertezas do setor.
Enquanto muitas usinas ainda mantêm posições abertas, a Raízen antecipou a fixação de preços para a maior parte do volume exportado.
Essa diferença de estratégia pode influenciar o comportamento do mercado nos próximos meses.
Afinal, empresas com maior proteção tendem a enfrentar melhor períodos de baixa.
Perspectivas para o preço do açúcar
O Preço açúcar segue como principal variável de risco para o segmento.
A queda recente reduziu a contribuição do negócio de açúcar e etanol, historicamente responsável por forte geração de caixa da companhia.
Nesse contexto, o hedge para a próxima safra surge como ferramenta de estabilidade financeira.
A expectativa é que a medida ajude a equilibrar resultados enquanto o mercado busca um novo ponto de equilíbrio.
Raízen aposta em proteção para recuperar margens
Em síntese, a combinação de Prejuízo bilionário, queda no Preço açúcar e pressão nas margens levou a Raízen a agir de forma antecipada.
Ao avançar no Hedge açúcar da Safra 2026/27, a companhia tenta reduzir riscos e reconstruir sua capacidade de geração de caixa.
O sucesso da estratégia dependerá do comportamento do mercado nos próximos ciclos.
Ainda assim, a decisão indica uma mudança de postura para enfrentar um cenário mais desafiador no setor sucroenergético.
Veja mais em: Raízen avança na fixação de preços da próxima safra para mitigar queda do açúcar

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