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Raízen amplia hedge açúcar para Safra 2026/27 após prejuízo bilionário

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 18/02/2026 às 22:26
Atualizado em 18/02/2026 às 22:28
Raízen trava 60% do açúcar futuro com hedge e reage à queda no preço do açúcar após registrar prejuízo bilionário no trimestre.
Foto: IA
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Raízen trava 60% do açúcar futuro com hedge e reage à queda no preço do açúcar após registrar prejuízo bilionário no trimestre.

A Raízen decidiu antecipar a fixação de preços do açúcar da Safra 2026/27 para proteger suas receitas diante da queda do Preço açúcar no mercado internacional.

A estratégia foi revelada na teleconferência de resultados do terceiro trimestre do ciclo 2025/26, quando a companhia também confirmou um Prejuízo bilionário de R$ 15,6 bilhões.

O movimento ocorre no Brasil, principal polo sucroenergético da empresa, e envolve a venda antecipada de 60% do açúcar destinado à exportação.

O objetivo, segundo a companhia, é reduzir riscos financeiros e estabilizar o caixa em um cenário de margens pressionadas. 

Raízen acelera hedge açúcar acima do mercado 

Raízen adotou uma postura mais agressiva que a média das usinas ao avançar no Hedge açúcar da próxima temporada.

Até o fim do terceiro trimestre, a empresa já havia travado contratos a um preço médio equivalente a US$ 1,11 por libra-peso. 

Esse valor, conforme explicou o diretor de relações com investidores, Philippe Casale, está “acima dos atuais níveis de mercado” e próximo do registrado na safra 2025/26.

Assim, a companhia tenta garantir previsibilidade de receita mesmo com a volatilidade da commodity. 

Na prática, o hedge funciona como um seguro de preço.

Ou seja, a empresa fixa antecipadamente o valor de venda para evitar perdas caso o mercado caia no futuro. 

Estratégia busca compensar queda do preço do açúcar 

A decisão ocorre após a retração do Preço açúcar afetar diretamente o desempenho do segmento de açúcar e etanol.

Entre abril e dezembro da safra atual, o valor médio de venda foi de R$ 2.389 por tonelada, cerca de 7% abaixo do mesmo período do ciclo anterior. 

Como resultado, as margens operacionais encolheram.

O Ebitda ajustado do negócio caiu 28,1% em nove meses, recuando para R$ 3,9 bilhões — uma redução de aproximadamente R$ 1,5 bilhão. 

Segundo Casale, o avanço no hedge deve “mitigar o efeito da queda do [preço do] açúcar recente”.

Portanto, a estratégia busca suavizar os impactos negativos no fluxo de caixa da companhia. 

Prejuízo bilionário marca trimestre da Raízen 

Apesar da proteção de preços para a próxima safra, o balanço do terceiro trimestre registrou um Prejuízo bilionário de R$ 15,6 bilhões entre outubro e dezembro de 2025.

O resultado foi divulgado na noite de quinta-feira, 12. 

A maior parte da perda veio de uma baixa contábil (impairment) de R$ 11,1 bilhões.

Esse ajuste ocorreu após a reavaliação de ativos diante da piora na estrutura de capital e do aumento do custo financeiro. 

Os outros R$ 4,5 bilhões refletem o desempenho operacional mais fraco no segmento de açúcar e etanol.

Esse efeito acabou ofuscando a melhora na geração de caixa da área de distribuição de combustíveis. 

Safra 2026/27 ganha papel estratégico 

Com o cenário atual, a Safra 2026/27 passa a ser vista como crucial para a recuperação dos resultados.

Ao travar preços antecipadamente, a Raízen tenta garantir rentabilidade mínima mesmo em um ambiente de commodities pressionadas. 

Além disso, a estratégia reduz a exposição às oscilações do mercado internacional, que tem sido impactado por oferta elevada e mudanças na demanda global. 

Por outro lado, o movimento limita ganhos caso os preços do açúcar voltem a subir.

Ainda assim, a empresa optou por priorizar previsibilidade e proteção de caixa. 

Impactos para o setor sucroenergético 

O avanço no Hedge açúcar também sinaliza uma postura mais conservadora diante das incertezas do setor.

Enquanto muitas usinas ainda mantêm posições abertas, a Raízen antecipou a fixação de preços para a maior parte do volume exportado. 

Essa diferença de estratégia pode influenciar o comportamento do mercado nos próximos meses.

Afinal, empresas com maior proteção tendem a enfrentar melhor períodos de baixa. 

Perspectivas para o preço do açúcar 

Preço açúcar segue como principal variável de risco para o segmento.

A queda recente reduziu a contribuição do negócio de açúcar e etanol, historicamente responsável por forte geração de caixa da companhia. 

Nesse contexto, o hedge para a próxima safra surge como ferramenta de estabilidade financeira.

A expectativa é que a medida ajude a equilibrar resultados enquanto o mercado busca um novo ponto de equilíbrio. 

Raízen aposta em proteção para recuperar margens 

Em síntese, a combinação de Prejuízo bilionário, queda no Preço açúcar e pressão nas margens levou a Raízen a agir de forma antecipada.

Ao avançar no Hedge açúcar da Safra 2026/27, a companhia tenta reduzir riscos e reconstruir sua capacidade de geração de caixa. 

O sucesso da estratégia dependerá do comportamento do mercado nos próximos ciclos.

Ainda assim, a decisão indica uma mudança de postura para enfrentar um cenário mais desafiador no setor sucroenergético. 

Veja mais em: Raízen avança na fixação de preços da próxima safra para mitigar queda do açúcar

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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