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Produtores de leite em SC dizem que estão pagando para trabalhar, preço cai mês a mês, vacas somem do campo e sindicatos pedem socorro urgente aos governos com medidas imediatas

Publicado em 27/01/2026 às 21:42
Produtores de leite enfrentam queda no preço do leite, alta no custo de produção, pedem crédito emergencial e alertam para impacto da importação de leite.
Produtores de leite enfrentam queda no preço do leite, alta no custo de produção, pedem crédito emergencial e alertam para impacto da importação de leite.
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Ofício protocolado por sindicatos do Centro-Oeste catarinense e pela Fetaesc cobra ação estadual e federal para proteger produtores de leite, após queda do preço do leite, custos em alta e risco de abandono. Pedido inclui preço mínimo acima do custo, crédito de até R$ 50 mil e freio nas importações.

Produtores de leite de Santa Catarina entraram em alerta máximo e dizem que a conta da atividade virou um paradoxo cruel: trabalho diário, investimento constante e, mesmo assim, sensação de estar “pagando para trabalhar”. A mobilização ganhou força após um ofício ser protocolado junto aos governos estadual e federal pedindo medidas emergenciais.

A cobrança é liderada pela Associação dos Sindicatos de Trabalhadores Rurais e Agricultores Familiares da Microrregião Centro-Oeste, em conjunto com a Fetaesc, que apontam um cenário crítico com queda no preço pago ao produtor, aumento dos custos de produção e risco real de abandono da atividade por agricultores familiares.

Quem pediu socorro e onde a crise aperta

A articulação envolve sindicatos e agricultores familiares de uma microrregião em que o leite é tratado como base de renda e também de permanência das famílias no campo. A associação representa produtores de Abelardo Luz, Faxinal dos Guedes, Lindóia do Sul, Passos Maia, Ponte Serrada, Seara, Vargeão e Xaxim.

Nessas localidades, a produção de leite tem papel apontado como fundamental para a economia local e para a segurança alimentar. Por isso, quando o preço cai e o custo sobe, o impacto não fica só dentro da porteira: atinge o comércio, os serviços e a própria estabilidade das comunidades rurais.

O que derruba a conta do leite

As entidades descrevem uma combinação de fatores que, juntos, comprometem a continuidade da atividade leiteira:

Desvalorização do preço pago ao produtor, com recuos sucessivos ao longo dos meses
Concentração de mercado, que reduz poder de negociação e aumenta a pressão sobre quem produz
Elevação dos custos, tornando o litro cada vez mais difícil de fechar no azul
Importações de leite com valores inferiores ao custo nacional, criando competição considerada desigual para a realidade local

Na leitura dos sindicatos, essa soma de pressões empurra o produtor para um limite perigoso: reduzir investimento, cortar manejo, diminuir plantel e, em muitos casos, cogitar sair de vez.

Pacote de medidas defendido pelos sindicatos

No documento encaminhado aos governos, a lista de pedidos é extensa e mira pontos que, para os sindicatos, atacam a crise por vários lados ao mesmo tempo. Entre as medidas solicitadas, estão:

Fiscalização rigorosa do leite importado pela Anvisa
Redução ou isenção de ICMS sobre o leite em períodos de crise
Definição de um preço mínimo acima do custo de produção
Ampliação da compra de leite por programas públicos como PAA, PNAE e Conab
Inclusão permanente do leite na cesta básica estadual
Transparência na formação de preços pagos ao produtor
Crédito de até R$ 50 mil, com subvenção de juros e prazo de cinco anos para pagamento
Prorrogação de financiamentos e anistia de programas estaduais como Troca-Troca e Terra Boa
Incentivo à exportação de produtos lácteos nacionais

A estratégia é clara: aliviar o caixa imediato, segurar o preço em patamar viável e reduzir a pressão externa quando a importação chega com valores abaixo do custo interno.

Preço do leite em queda e dívidas vencendo

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da Microrregião Centro-Oeste, Ledinho Curtarelli, afirma que a mobilização é fruto de consenso regional e descreve uma queda contínua no preço desde abril do ano passado. Ele relata que, mês após mês, o produtor viu o valor recuar, e que agora muitos receberam 10 ou 15 centavos a menos.

Na ponta do financiamento, a situação também aperta. Ledinho alerta para o endividamento no campo e para o calendário das parcelas vencendo, num momento em que o leite não sustenta os custos. A preocupação central é evitar que o agricultor tenha que se desfazer do que possui apenas para conseguir quitar prestações, daí o pedido de prorrogação das parcelas e medidas emergenciais.

Menos vacas, menos produção, saída difícil

Segundo Ledinho, a crise já aparece dentro das propriedades em forma de redução do rebanho e, consequentemente, da produção. O sindicato aponta que, se antes havia cerca de 12 mil vacas de leite, hoje o número estaria em pouco mais de 11 mil.

Essa queda é tratada como sinal de alerta porque, no entendimento dele, quem para, dificilmente volta para a atividade. E o momento é descrito como uma das piores crises enfrentadas pelo setor, com duração de quase um ano, aumentando o desgaste emocional e financeiro de quem tenta manter o leite girando diariamente.

“Estamos pagando para trabalhar”: o relato no campo

A dimensão humana da crise aparece no depoimento da produtora rural Marilei Perin, com mais de 20 anos na atividade leiteira. Ela descreve desânimo e afirma que o litro recebido não fecha a conta. Hoje, Marilei trabalha com 10 vacas de leite e relata que recebeu R$ 1,73 por litro no último mês.

Para ela, o valor necessário para cobrir os custos do pequeno produtor teria que chegar a no mínimo R$ 2,50 por litro. A diferença entre o recebido e o necessário vira um buraco constante no orçamento, alimentando a sensação de estar “pagando para trabalhar” e fazendo a ideia de desistir aparecer repetidas vezes.

O que acontece agora e por que isso importa

As entidades aguardam resposta dos governos estadual e federal ao ofício protocolado na última sexta-feira (21). O sindicato afirma que pretende dar transparência ao processo e informar publicamente quais medidas serão adotadas para apoiar os produtores de leite.

No fechamento, Ledinho resume a preocupação de forma direta: se o agricultor parar, todo mundo para, porque a atividade sustenta famílias, economia local e o abastecimento, e por isso o pedido é por investimento e medidas que mantenham essas famílias na produção.

Na sua região, você já viu produtores de leite reduzindo vacas, cortando investimento ou pensando em desistir da atividade?

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Uilliamjungbluth
Uilliamjungbluth
28/01/2026 11:10

Esquecidos pela política e oprimidos pelo mercado polarizado. Via de fato, o Brasil precisa valorizar seus verdadeiros produtores e agricultores, que pagam e bancam sistema monetário. O povo na cidade precisa de artigos jornalísticos sobre o assunto e divulgar os perseguido do sistema brasileiros, e internacional o mesmo. A culpa sempre é do que cala e consente, pois atarefado e ciclo fechado do medo de avançar no meio, é persuadido pela imprensa e mídia, a normalização e silêncio.
Boa sorte agronegócio.
Lutando e marchando e vencendo.

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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