A passagem de Drake, considerada a área mais perigosa dos oceanos, também é essencial para proteger a Antártida e regular o clima global. Entenda por que esse corredor extremo é tão importante.
A Passagem de Drake, situada entre o extremo sul da América do Sul e a Península Antártica, voltou a chamar atenção em 2026 por reunir dois extremos raramente vistos no mesmo lugar: ser considerada uma das áreas mais perigosas dos oceanos e, ao mesmo tempo, uma peça crucial para manter o clima global estável.
O trecho, que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico, é atravessado por ventos intensos, correntes rápidas e ondas gigantes.
Essa combinação explica como o local se tornou símbolo de travessias arriscadas e por que cientistas defendem que ele é essencial para refrigerar a Antártida e capturar carbono das águas superficiais.
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O ponto mais turbulento dos mares modernos
A fama da passagem de Drake não é exagero. Como nenhuma massa de terra rompe seu caminho, o ar e a água circulam livremente, ganhando velocidade e força.
Assim, ventos cortantes e ondas que parecem paredes móveis surgem de repente, criando o cenário que tantos navegadores descrevem como caótico e imprevisível.
Expedições que cruzam a região relatam mares agitados mesmo em condições consideradas “boas”.
Ondas de dezenas de metros podem acertar embarcações sem aviso, exigindo habilidade extrema das tripulações.
Por isso, o trecho é conhecido como um verdadeiro teste para navios de pesquisa, embarcações de turismo e exploradores polares.
Onde fica a passagem de Drake?
Localizada entre o Cabo Horn e as Ilhas Shetland do Sul, a passagem de Drake marca oficialmente o limite entre a América do Sul e o continente antártico.

Sua posição estratégica liga dois oceanos e dá origem a um corredor natural onde ventos e correntes aceleram de forma quase contínua.
Essa dinâmica faz com que o trecho seja considerado a área oceânica mais imprevisível e violenta do hemisfério sul — e justamente por isso desempenha um papel que vai muito além da navegação.
A passagem de Drake como guardiã climática
Embora seja conhecida pelo perigo, a passagem de Drake é vista por oceanógrafos como uma espécie de “motor climático”.
Suas correntes profundas e vigorosas transportam enormes quantidades de água e nutrientes, mas também algo ainda mais valioso: carbono.
A movimentação constante leva dióxido de carbono capturado por organismos marinhos para camadas profundas do oceano, onde pode ficar retido durante séculos.
Esse processo natural funciona como um gigantesco sistema de sequestro de carbono, essencial para desacelerar o aquecimento global.
Além disso, os mesmos ventos e correntes que dificultam a navegação ajudam a manter a Antártida fria, impedindo que massas de ar quente avancem para o continente.
Essa barreira natural é uma das razões pelas quais as geleiras antárticas continuam desempenhando um papel vital no controle do nível dos oceanos.
Passagem de Drake: histórias de coragem e resistência
O fascínio gerado pela passagem de Drake fez dela palco de expedições marcantes.
Em 2019, por exemplo, um grupo liderado pelo explorador Fiann Paul percorreu cerca de 965 km a remo, enfrentando gelo, tempestades e as conhecidas ondas gigantes.
A equipe descreveu o ambiente como “feio” e implacável, prova do quanto a região exige resistência física e mental.
Mesmo navios modernos, equipados com tecnologia avançada, precisam de cerca de dois dias para cruzar o trecho — isso quando o clima colabora.
Há ainda roteiros que combinam pequenas partes da travessia com voos até a Península Antártica, alternativa criada para quem prefere evitar os dias mais turbulentos.
Um ecossistema alimentado pelo caos das águas
A força da passagem de Drake também sustenta a vida. As correntes rápidas levam nutrientes essenciais a diversas espécies, desde micro-organismos até animais de grande porte, como baleias e pinguins.
Essa circulação oceânica cria um ambiente dinâmico, vital para a cadeia alimentar antártica.
Cientistas reforçam que, mesmo parecendo um território hostil, o local se destaca como um dos grandes aliados do equilíbrio ambiental — fator que torna sua preservação crucial diante das mudanças climáticas.
Com informações do National Geographic Brasil.

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