Parceria entre governo, empresas e sociedade fortalece os ODS Minas Gerais, integrando ESG empresarial e metas de cidades sustentáveis.
Minas Gerais tem intensificado a mobilização entre governo, empresas e sociedade civil para acelerar o cumprimento das metas da Agenda 2030 da ONU.
O movimento envolve políticas públicas, práticas de ESG empresarial e metas voltadas ao desenvolvimento sustentável, com foco especial em educação, crescimento econômico e cidades sustentáveis.
A articulação ocorre em todo o estado, com atualização de diretrizes estratégicas até 2030.
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O objetivo é transformar compromissos formais em resultados concretos, reduzindo desigualdades e fortalecendo a economia de forma responsável.
Os chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), criados pela Organização das Nações Unidas em 2015, somam 17 metas globais. Em Minas, três deles ganharam prioridade: ODS 4 (Educação de Qualidade), ODS 8 (Trabalho Decente e Crescimento Econômico) e ODS 11 (Cidades Sustentáveis).
Embora o estado apresente avanços, especialistas alertam que ainda há desafios estruturais a enfrentar.
ODS Minas Gerais e Agenda 2030: prioridades estratégicas do estado
Dentro da Agenda 2030, Minas estruturou suas ações com base no Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado (PMDI).
O documento orienta metas e estratégias de longo prazo, servindo como referência para o Plano Plurianual de Ação Governamental e para a Lei Orçamentária Anual.
A versão mais recente do PMDI, válida até 2030, reforça a necessidade de integração entre poder público e iniciativa privada.
Assim, o alinhamento entre políticas públicas e desenvolvimento sustentável tornou-se eixo central da gestão estadual.
No campo econômico, Minas aparece como o terceiro estado mais rico do país, segundo dados da CNI 2025.
Isso fortalece o ODS 8, embora o desafio do trabalho decente ainda demande atenção contínua.
Já no ODS 11, cidades como Uberlândia e Belo Horizonte figuram como referências nacionais em indicadores de sustentabilidade urbana.
O avanço, porém, depende de políticas permanentes e participação ativa da população.
ESG empresarial fortalece os ODS Minas Gerais
Para especialistas, o sucesso dos ODS Minas Gerais está diretamente ligado ao compromisso do setor produtivo.
A especialista em políticas públicas da ONU, Luciana Maselli, reforça essa responsabilidade compartilhada:
“Precisamos começar a discutir que a efetividade da Agenda 2030 não depende apenas de compromissos declaratórios, mas da densidade institucional e participativa da sociedade.
Quanto mais forte o ecossistema de corresponsabilidade – governo, empresas e cidadãos orientados por dados, transparência e incentivos adequados -, maior a probabilidade de que as metas deixem de ser intenções formais e se convertam em resultados concretos”.
Nesse contexto, o ESG empresarial — sigla para Environmental, Social and Governance (ambiental, social e governança) — deixa de ser tendência e passa a ser estratégia.
Empresas que incorporam boas práticas reduzem riscos, aumentam competitividade e contribuem para o desenvolvimento sustentável.
Cemig e o impacto direto no desenvolvimento sustentável
A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) é um exemplo de como grandes organizações podem impulsionar os ODS Minas Gerais.
O superintendente de estratégia e sustentabilidade, Adieliton Galvão Freitas, detalha o alcance das ações:
“Uma empresa como a Cemig acaba tendo impacto direto e indireto na vida de muitas pessoas. E os ODS da ONU estão quase todos em nosso dia a dia.
São mais de 500 mil quilômetros de ligações, por isso, buscamos reduções de impactos ambientais e regularizações de ligações clandestinas.
Mais de 240 mil famílias são beneficiadas com energia regular de baixo custo e segura”.
Além disso, a empresa estabeleceu metas até 2029:
“Queremos levar nossos projetos (voltados para idosos, jovens, educação e cultura) para 60 mil pessoas até 2029.
Além dos ODS com viés econômico e social, há projetos ligados com o negócio, que é o ODS 7, para gerar cada vez mais energia limpa e acessível”.
A companhia também exige que fornecedores estejam alinhados às práticas de governança, ética e direitos humanos. Segundo Freitas:
“Aí entra na parte de governança. A questão de ética e compliance é fundamental. (…) Temos mais de 30 mil pessoas trabalhando em nosso nome e apoiar essa prática de governança, de saúde, de questões ambientais, de ética (…) são alguns exemplos de compromissos públicos e metas dos ODS que temos”.
Parcerias empresariais reforçam ODS Minas Gerais e cidades sustentáveis
O alinhamento entre empresas também tem fortalecido o cumprimento da Agenda 2030. A SAE Towers, fabricante de torres para transmissão de energia, adota critérios rigorosos de ESG empresarial na escolha de parceiros, como a Rouxinol Fretamento.
A gerente de RH da SAE, Daniela Chaves Correa, destaca:
“Entendemos que os valores que prezamos também devem ser compartilhados por aqueles que nos fornecem serviços (…) Só assim conseguiremos construir uma sociedade equilibrada, com benefícios econômicos sem que haja prejuízo para as pessoas e para o meio ambiente”.
O CEO da Rouxinol, Júlio Cezar Diniz, complementa:
“Colocamos como meta atender todas as boas práticas em todas as atividades do nosso negócio. (…) O trabalho não pode ser um fator de desgaste.
E sim, criador de fonte de renda sem perder o foco em manter bem o planeta que nos acolhe”.
Então entre as práticas adotadas estão gestão adequada de resíduos, uso de biodiesel, reaproveitamento de água e programas permanentes de segurança e capacitação.
Educação é desafio central para os ODS Minas Gerais
O ODS 4 é considerado estratégico para o desenvolvimento sustentável no estado.
Entretanto, indicadores recentes mostram queda no desempenho educacional.
Assim, a especialista Isadora Camargos avalia:
“Em 2009, Minas liderava o Ideb (…). Em 2023, ano mais recente da avaliação, Minas apareceu na sétima posição. (…) houve um retrocesso.
Mas alcançar o protagonismo é uma meta comparativa aos outros estados e não um olhar para dentro, que é o mais importante”.
Então ela também destaca a importância de combater a evasão escolar, especialmente no ensino médio, com políticas integradas entre educação, saúde e assistência social.
Já Luciana Maselli alerta para a necessidade de ampliar o letramento sustentável:
“O letramento sobre sustentabilidade e impacto é um fator crítico. (…) Onde há mobilização organizada e informada, metas tendem a avançar; onde a participação é episódica ou meramente protocolar, a implementação costuma ser lenta”.
ODS Minas Gerais exigem pacto coletivo
Apesar dos avanços, especialistas concordam que os ODS Minas Gerais só serão plenamente alcançados com corresponsabilidade entre Estado, empresas e cidadãos.
Assim, a mudança exige transformação cultural, adoção de práticas permanentes e compromisso contínuo com cidades sustentáveis e crescimento inclusivo.
Como resume Isadora Camargo:
“Não importa quem causou o problema, e sim o que cada um pode fazer para ajudar no enfrentamento”.
Assim, Minas Gerais caminha para consolidar a Agenda 2030 como política de Estado — e não apenas como meta internacional — reforçando que o desenvolvimento sustentável depende de ação concreta, diálogo e união.
Veja mais em: Minas Gerais precisa de união para metas dos ODS da ONU

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