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O vulcão adormecido que explodiu há 13 mil anos volta a dar sinais estranhos e mais de 1.000 terremotos deixam cientistas em alerta

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 14/03/2026 às 01:13
Atualizado em 14/03/2026 às 01:14
Mais de 1.043 microterremotos revelam reservatório subterrâneo inclinado sob o vulcão do Lago Laach e indicam sistema geológico ativo na Alemanha.
Mais de 1.043 microterremotos revelam reservatório subterrâneo inclinado sob o vulcão do Lago Laach e indicam sistema geológico ativo na Alemanha.
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Após o registro de 1.043 microterremotos na região do Lago Laach, cientistas mapearam um reservatório subterrâneo inclinado sob o vulcão e identificaram sinais de pressão e movimentação de fluidos a profundidades entre 10 e 16 quilômetros na crosta

O vulcão adormecido do Lago Laach, na Alemanha, voltou a chamar atenção de cientistas após o registro de mais de mil microterremotos que revelaram um reservatório subterrâneo inclinado, sugerindo que o sistema geológico abaixo da região permanece ativo.

Pesquisadores identificaram que mais de mil pequenos terremotos ajudaram a expor um reservatório mais profundo sob o vulcão do Lago Laach. A descoberta contrasta com modelos anteriores que apontavam para um corpo vertical de rocha abaixo da estrutura vulcânica.

A nova interpretação relaciona a superfície tranquila do lago a um sistema subterrâneo ativo que ainda pode estar gerando pressão no interior da crosta. Apesar disso, os dados não indicam que uma erupção esteja próxima.

Novo mapa subterrâneo revela estrutura inclinada sob o vulcão

As evidências surgiram a partir da análise de falhas geológicas enterradas entre Ochtendung, perto de Koblenz, e o Lago Laach. A maioria dos tremores detectados se alinhou ao longo de uma zona estreita nessa região.

Ao examinar os sinais sísmicos, Torsten Dahm, do Centro Helmholtz de Geociências GFZ, mapeou um sistema subterrâneo diferente do imaginado anteriormente.

O estudo revelou que o reservatório abaixo do vulcão está inclinado em direção à Bacia de Neuwied.

Essa bacia é um vale localizado na região do Reno e concentra muitos dos pequenos terremotos registrados durante o monitoramento. A geometria descoberta não prova a proximidade de uma erupção, mas sugere um sistema geológico ativo.

Segundo os pesquisadores, o novo modelo muda o entendimento sobre a estrutura subterrânea do vulcão e amplia o conhecimento sobre a dinâmica interna do campo vulcânico da região de Eifel.

Rede com mais de 500 sensores investigou atividade do vulcão

Para estudar a atividade do vulcão, a equipe científica instalou uma rede de mais de 500 sensores ao longo das colinas de Eifel. Além disso, os pesquisadores utilizaram um cabo de fibra óptica com extensão de 64 quilômetros como instrumento adicional de observação.

A luz que percorre esse cabo reage a pequenas deformações e variações de temperatura no solo. Essas mudanças permitem detectar vibrações que normalmente não seriam captadas por redes sísmicas tradicionais.

Em alguns pontos da rede, a distância entre as estações de monitoramento foi reduzida para cerca de uma milha, equivalente a aproximadamente 1,6 quilômetro. Essa densidade de observação proporcionou a visão subterrânea mais detalhada já obtida da região.

Com essa estrutura altamente sensível, os cientistas conseguiram identificar estruturas geológicas muito pequenas que levantamentos anteriores não haviam conseguido distinguir corretamente.

Mais de mil microterremotos ajudam a explicar dinâmica do vulcão

Durante um período de um ano, os pesquisadores registraram 1.043 microterremotos na região do vulcão. Esses eventos são tão pequenos que normalmente não são percebidos pela população.

A maioria desses tremores ocorreu a profundidades entre 10 e 16 quilômetros abaixo da superfície. Muitos deles aconteceram em sequências rápidas e apresentaram características semelhantes, sugerindo que podem ter reutilizado a mesma área de ruptura.

Esse comportamento é compatível com sistemas influenciados por fluidos em movimento dentro da crosta terrestre. A pressão gerada por esses fluidos pode enfraquecer as rochas e facilitar o deslocamento de falhas já tensionadas.

Entretanto, próximo ao ponto mais ao sul da zona de falha analisada, a sequência de tremores apresentou características diferentes. Nesse local, os eventos se assemelhavam mais a réplicas sísmicas comuns do que a um enxame de tremores provocado por fluidos.

Reflexões sísmicas indicam presença de fluidos magmáticos

Em outras áreas abaixo da bacia de Neuwied, os pesquisadores identificaram reflexões sísmicas incomuns nas camadas de rocha. Esses sinais indicam a possível presença de fluidos magmáticos acumulados entre as camadas subterrâneas.

Esses fluidos podem incluir gases quentes e líquidos liberados durante o processo de derretimento de rochas profundas. Esse material pode se acumular entre as camadas geológicas ao longo do tempo.

Segundo Torsten Dahm, a intensidade dessas reflexões sugere que fluidos estão concentrados nessas camadas subterrâneas. Ainda não está claro se o material corresponde a magma propriamente dito ou a fluidos derivados do magma.

A distinção entre esses dois tipos de material é importante para avaliar riscos geológicos. Uma bolsa pressurizada de rocha fundida pode se comportar de forma diferente de gases ou água acumulados em fissuras subterrâneas.

Histórico do vulcão e evidências anteriores de atividade

O vulcão do Lago Laach entrou em erupção pela última vez há 13.006 anos. Esse evento está entre as maiores erupções registradas na Europa no final da Era Glacial.

Desde 2013, tremores mais profundos foram detectados entre 10 e 40 quilômetros abaixo da região do vulcão. Esses registros indicam que material fresco pode estar subindo a partir de zonas sísmicas mais profundas.

Estudos realizados em fontes minerais próximas também detectaram pulsos repetidos de gases provenientes de áreas profundas da crosta. Esses sinais sugerem que fluxos de fluidos continuam ativos no sistema geológico da região.

Quando essas evidências são analisadas em conjunto com o novo mapa sísmico, o padrão observado passa a parecer menos inesperado. Os pesquisadores consideram que os dados mais recentes complementam pistas identificadas em estudos anteriores.

Pressão subterrânea altera comportamento das falhas geológicas

A equipe analisou com maior precisão 192 eventos sísmicos registrados durante o estudo. Esses dados indicaram que o campo de tensão regional próximo ao vulcão apresenta rotação, em vez de permanecer constante.

Esse comportamento pode ocorrer em situações de sobrepressão no interior da crosta. Nesse cenário, o material em expansão empurra lateralmente as rochas e altera a maneira como as falhas geológicas se rompem.

A maioria dos terremotos ao longo da falha principal apresentou deslocamento lateral. Já um grupo menor de tremores ocorreu em direção ao que pode ser a borda oculta de uma bacia subterrânea.

Alguns eventos também se propagaram em direção à superfície. Esse padrão sugere que o regime de pressão local pode variar significativamente em relação ao restante da região.

Campo vulcânico de Eifel exige monitoramento contínuo

A Península de Eifel não é formada por um único vulcão isolado. Trata-se de um campo vulcânico extenso que reúne várias crateras antigas espalhadas pela paisagem.

Em ambientes desse tipo, uma eventual erupção não necessariamente ocorreria no mesmo local da última atividade vulcânica. O magma pode abrir novos caminhos e surgir em pontos diferentes do campo vulcânico.

Mapas subterrâneos mais precisos ajudam a orientar o monitoramento de gases e o acompanhamento sísmico da região. Essas informações também podem apoiar o planejamento do uso da terra em áreas com atividade geológica potencial.

Os pesquisadores destacam que o modelo atual ainda não prova que o reservatório esteja sobrepressurizado. O padrão de terremotos apenas indica que os dados observados são compatíveis com essa possibilidade.

Outras explicações também são consideradas possíveis, como zonas de fragilidade preexistentes na crosta que direcionam os terremotos. Para distinguir entre esses cenários, serão necessários novos dados sísmicos e análises mais detalhadas.

Mesmo assim, o estudo oferece uma nova linha de base para compreender a atividade do vulcão do Lago Laach. Com um panorama subterrâneo mais preciso, futuros distúrbios na região de Eifel poderão ser avaliados com maior clareza.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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