Antes da largada: adrenalina, sistema nervoso e disparo da frequência cardíaca
Você provavelmente já sentiu aquela descarga intensa de adrenalina antes da largada de uma grande prova. O tiro soa, as pernas começam a girar e, quase imediatamente, o coração dispara. Ele bate mais forte por empolgação, nervosismo e, sobretudo, pelo esforço físico.
Essa sensação de “coração saindo pela boca” é comum entre corredores. Entretanto, embora pareça dramática, ela faz parte de uma resposta fisiológica natural.
Quando você fica nervoso, a amígdala envia um sinal ao hipotálamo, o “centro de comando” do cérebro, segundo a Harvard Health. Em seguida, o hipotálamo ativa a resposta de luta ou fuga. Como resultado, as glândulas suprarrenais liberam epinefrina (adrenalina).
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À medida que a epinefrina circula pela corrente sanguínea, o coração acelera. A frequência cardíaca sobe, a pressão arterial aumenta e a respiração fica mais rápida. Ainda assim, conforme explica o cardiologista Gregory Katz, do NYU Langone Health, esse aumento pré-prova normalmente não representa risco para pessoas saudáveis.
A informação foi divulgada por “Outside RUN”, com base em entrevistas com cardiologistas e em estudos científicos publicados na Missouri Medicine (2012) e na JAMA Cardiology.
Durante os 42,195 km: débito cardíaco pode aumentar até oito vezes
Assim que a corrida começa, o coração assume uma função ampliada. Agora, além de manter o organismo em funcionamento, ele precisa fornecer oxigênio e nutrientes suficientes para os músculos ao longo dos 42,195 km.
Para isso, ele bate mais rápido e bombeia mais sangue a cada contração. Esse efeito combinado pode elevar o débito cardíaco total em até oito vezes.
Segundo Eamon Y. Duffy, professor assistente de medicina na Columbia University e diretor fundador da Columbia Runners Heart Clinic, o corredor costuma manter entre 70% e 90% da frequência cardíaca máxima por três, quatro ou cinco horas.
Além disso, conforme a força de contração aumenta, a pressão arterial também se altera. Contudo, o grau dessa variação depende de idade, nível de treinamento e fatores individuais.
Deriva cardiovascular: por que a frequência cardíaca sobe mesmo mantendo o ritmo
À medida que os quilômetros avançam, muitos atletas experimentam a chamada deriva cardiovascular.
Ou seja, mesmo mantendo o mesmo ritmo, a frequência cardíaca sobe progressivamente. Isso acontece porque o corpo tenta preservar o débito cardíaco enquanto ocorre desidratação leve ao longo da prova.
Portanto, ainda que o corredor se sinta confortável, é improvável que a frequência cardíaca diminua durante a maratona.
Nos quilômetros finais, pode ocorrer nova elevação da frequência cardíaca. Conforme a linha de chegada se aproxima, tanto o esforço físico acumulado quanto a pressão mental elevam novamente os níveis de adrenalina.
Troponina e maratona: o que dizem os estudos científicos
Um dos pontos mais debatidos envolve a troponina. Alguns corredores apresentam elevação dessa enzima no sangue após a maratona.
A troponina costuma indicar estresse ou lesão no músculo cardíaco. Por isso, níveis elevados normalmente levantam suspeita de infarto.
Em 2012, um artigo publicado na Missouri Medicine sugeriu que corridas de longa distância poderiam prejudicar o coração. Entretanto, pesquisas mais recentes trouxeram outra perspectiva.
Um estudo publicado na JAMA Cardiology acompanhou corredores por mais de 10 anos após uma maratona. Os pesquisadores observaram que, embora a troponina frequentemente se eleve imediatamente após a prova, o coração se recupera em poucos dias.
Segundo Duffy, no infarto ocorre morte celular por falta de oxigênio. Já na maratona, o cenário é diferente. As células trabalham sob alto estresse, mas não sofrem necessariamente morte celular. Nesse processo, proteínas musculares podem “vazar” temporariamente — e uma delas é a troponina.
Recuperação após a maratona: descanso é parte do treino
Assim que o corredor para de correr, a frequência cardíaca começa a cair gradualmente. Contudo, cada pessoa apresenta um nível basal diferente de condicionamento físico.
Nos dias e semanas seguintes, o coração precisa se recuperar da mesma forma que as pernas. Afinal, uma maratona representa um enorme estresse fisiológico.
O esforço atinge o coração, o cérebro, os pulmões e os músculos. Por isso, especialistas recomendam alguns dias — ou até semanas — de descanso após completar 42,195 km.
Em resumo, embora correr uma maratona imponha estresse agudo ao coração, evidências científicas indicam que ele consegue se recuperar adequadamente.
Portanto, para a grande maioria dos corredores bem treinados, a maratona é segura e pode fortalecer a saúde cardiovascular.
Depois de entender o que acontece com seu coração ao correr 42,195 km, você encara a próxima maratona com mais confiança ou ainda tem receio?

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