Após os EUA interceptarem dois petroleiros com petróleo venezuelano no Atlântico Norte em 7 de janeiro, Cuba teme escassez. O bloqueio naval em dezembro e a captura de Nicolás Maduro reposicionam o México, que Claudia Sheinbaum chamou de fornecedor. Dados indicam que, em 2025, o petróleo mexicano superou o venezuelano.
A interceptação de dois petroleiros com petróleo venezuelano no norte do Atlântico, na quarta-feira, dia 7, elevou a apreensão em Cuba, que dependia da Venezuela como principal fornecedora dentro de um acordo de cooperação energética.
Com o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos em dezembro a petroleiros sob sanções que entram ou saem das águas venezuelanas e com a captura de Nicolás Maduro, o México passa a ser visto como peça mais relevante no abastecimento da ilha, segundo declarações oficiais e dados citados pela indústria.
Interceptação no Atlântico e bloqueio naval ampliam a pressão sobre o petróleo que chega a Cuba
A ação dos EUA no Atlântico Norte, com a interceptação de dois navios que transportavam petróleo venezuelano, ocorre após um bloqueio naval adotado em dezembro, direcionado a petroleiros sancionados vinculados ao fluxo marítimo que entra ou sai das águas da Venezuela.
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Na prática, o movimento fecha rotas e aumenta o risco de interrupção do abastecimento de combustível na ilha, que já vinha operando sob déficit e, agora, enfrenta o temor de que o petróleo deixe de chegar com regularidade.
México assume papel mais visível no petróleo de Cuba, mas diz não enviar mais do que antes
Na quarta-feira, dia 7, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum afirmou que o México se tornou um “fornecedor importante” para Cuba, com envios de petróleo bruto que ocorrem há “muitos anos” por “motivos variados”.
Segundo a chefe de Estado, essas operações incluem contratos de exportação e também hipóteses classificadas como “ajuda humanitária”. Ao mesmo tempo, ela declarou que o México não estava enviando “mais petróleo do que antes”.
Sheinbaum pediu que a estatal Pemex forneça dados detalhados sobre as operações, em um contexto em que o governo mexicano, em geral, não divulga os contratos de fornecimento de petróleo a Cuba nem a forma de remuneração dessas transações.
Dados citados para 2025 e o volume venezuelano reforçam a mudança no equilíbrio do petróleo
Em 2025, as entregas de petróleo mexicano a Cuba teriam superado as da Venezuela, de acordo com dados da indústria publicados pelo jornal britânico Financial Times.
Do lado venezuelano, o envio para Cuba entre janeiro e novembro do ano passado foi, em média, de 27 mil barris por dia, volume que cobria cerca de 50% do déficit petrolífero da ilha, segundo dados de transporte e documentos da estatal venezuelana PDVSA.
Nesse cenário, a redução da capacidade de fornecimento venezuelano amplia o peso relativo do petróleo mexicano no Caribe, mesmo sem um anúncio de aumento formal de volumes.
Controle das vendas venezuelanas e disputa sobre navios ampliam o impacto das sanções sobre o petróleo
Um dos símbolos dessa reconfiguração aparece no caso do petroleiro Nord Star, de bandeira panamenha, ancorado no lago de Maracaibo, na Venezuela.
O governo dos EUA afirma que controlará “por tempo indeterminado” as vendas de petróleo do país, após um acordo anunciado por Donald Trump para que Washington gerencie a comercialização de 30 a 50 milhões de barris de bruto.
A tensão também se reflete na disputa sobre a identidade de uma embarcação citada no episódio de apreensão. Moscou afirma que o navio se chama Marinera e que recebeu, em 24 de dezembro, autorização provisória para navegar sob bandeira russa.
Washington sustenta que se trata do Bella 1, que estaria sem bandeira após ter navegado com registro falso, integrando a chamada “frota fantasma” venezuelana usada para transportar petróleo sujeito a sanções dos EUA.
Reação da Rússia e sinais de escassez em Cuba: postos fechados e cortes de energia
A Rússia acusou, na quinta-feira, dia 8, os Estados Unidos de alimentarem “tensões militares e políticas” após a apreensão dos petroleiros na quarta-feira, um deles ligado a Moscou.
O Ministério das Relações Exteriores russo disse ser “lamentável e preocupante” que Washington esteja disposto a provocar graves crises internacionais, criticou ações descritas como “perigosas e irresponsáveis” e denunciou participação do Reino Unido na apreensão do navio.
Em Cuba, a preocupação se traduz em sinais concretos. “As repercussões não serão muito boas”, afirmou Mario Valverde, empresário em Havana, ao lembrar que a Venezuela foi um dos países que mais ajudou a ilha em energia e combustível.
No porto de Matanzas, a menos de 100 quilômetros da capital e ponto de atracação dos petroleiros, muitos postos de gasolina estão fechados, indicando que a escassez de combustível já é realidade. Os cortes de eletricidade se tornaram frequentes e duram várias horas.
William Gonzalez, estudante e morador de Matanzas, resumiu o temor local: “Agora, acho que, com essa situação, tudo vai piorar”, dizendo que, antes, o petróleo vinha da Venezuela e da Rússia e que, agora, “só virá da Rússia”, o que representa “uma fonte a menos de petróleo” e tende a deixar o país “um pouco pior”.
Qual deve ser o próximo passo do México no petróleo de Cuba: manter o nível atual, como disse Sheinbaum, ou assumir de vez o papel de principal fornecedor diante do bloqueio e das sanções?

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