Armado com seis canhões sem recuo de 106 mm, o M50 Ontos foi um dos veículos antitanque mais incomuns da Guerra Fria e teve papel importante nas batalhas do Vietnã.
Durante a Guerra Fria, os Estados Unidos desenvolveram uma série de veículos militares projetados para enfrentar a ameaça crescente de blindados soviéticos. Entre os projetos mais curiosos surgiu o M50 Ontos, um veículo leve que parecia desafiar todas as convenções de design de blindados. Em vez de um grande canhão principal, como nos tanques tradicionais, o Ontos foi equipado com seis canhões sem recuo de 106 milímetros, montados externamente sobre uma pequena torre. Essa configuração incomum permitia ao veículo disparar múltiplos tiros de alto poder destrutivo em rápida sequência.
Apesar de seu tamanho relativamente compacto, o M50 Ontos tinha capacidade suficiente para destruir tanques, fortificações e posições defensivas. Por causa desse armamento peculiar, o veículo acabou se tornando um dos projetos mais incomuns da história militar americana.
A origem do projeto Ontos – o veículo antitanque com seis canhões
O desenvolvimento do Ontos começou na década de 1950, quando o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos buscava um veículo leve capaz de fornecer grande poder antitanque. Naquele período, a estratégia militar americana considerava essencial possuir veículos capazes de neutralizar blindados inimigos rapidamente em caso de conflito na Europa ou em outras regiões estratégicas.
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A solução encontrada pelos engenheiros foi criar um veículo extremamente leve, mas armado com múltiplos canhões sem recuo. O projeto foi desenvolvido pela Allis-Chalmers, empresa americana conhecida por fabricar equipamentos industriais e militares.
O nome “Ontos” vem do grego e significa aproximadamente “coisa” ou “ser”, um nome curioso que acabou refletindo o aspecto incomum do veículo.
Os seis canhões sem recuo de 106 mm no destruidor de tanques
O elemento mais impressionante do M50 Ontos era seu armamento. O veículo carregava seis canhões sem recuo M40 de 106 milímetros, montados em dois conjuntos de três tubos.
Essas armas eram projetadas para disparar munições antitanque de alto poder destrutivo. Como eram canhões sem recuo, parte dos gases da explosão era liberada pela parte traseira da arma, reduzindo o recuo e permitindo a instalação em veículos leves.

Cada canhão possuía um pequeno rifle de mira calibre .50, usado para ajudar os operadores a ajustar o disparo. O procedimento era simples: primeiro disparava-se o rifle de mira, que produzia um impacto visível próximo ao alvo. Em seguida, o operador disparava o canhão principal com maior precisão. Essa combinação permitia ao Ontos atingir alvos blindados a distâncias superiores a 1 quilômetro.
Pequeno, leve e surpreendentemente poderoso
Apesar de carregar um armamento pesado, o M50 Ontos era um veículo relativamente compacto. Ele pesava cerca de 9 toneladas, muito menos que a maioria dos tanques da época. Sua tripulação era composta por apenas três militares:
- comandante
- motorista
- artilheiro
O motor fornecia potência suficiente para alcançar velocidades de aproximadamente 48 km/h, permitindo que o veículo se deslocasse rapidamente no campo de batalha.
Essa combinação de mobilidade e poder de fogo fazia do Ontos um sistema antitanque potencialmente eficaz em emboscadas e operações rápidas.
O maior problema do destruidor de tanques com seis canhoões: recarregar os canhões
Apesar das vantagens, o design do Ontos apresentava uma limitação importante. Depois de disparar seus seis canhões, o veículo precisava ser recarregado manualmente. E essa recarga só podia ser feita do lado de fora do veículo, expondo a tripulação ao fogo inimigo.
Em situações de combate intenso, isso representava um risco significativo. Após disparar todos os tubos, o Ontos normalmente precisava recuar para uma posição segura antes de realizar a recarga.
Essa limitação foi uma das razões pelas quais o veículo nunca foi considerado uma solução definitiva para o combate antitanque.
Uso do destruidor de tanques com seis canhões na Guerra do Vietnã
Embora o M50 Ontos tenha sido projetado principalmente para destruir tanques, seu uso mais intenso ocorreu em um cenário completamente diferente: a Guerra do Vietnã.

No Vietnã, os Estados Unidos enfrentavam principalmente forças de guerrilha e posições defensivas camufladas. Nessa situação, o Ontos revelou uma utilidade inesperada. Os seis canhões sem recuo podiam disparar munições de alto explosivo extremamente eficazes contra:
- bunkers
- trincheiras
- posições fortificadas
- edifícios ocupados por tropas inimigas
Em muitos casos, uma única salva disparada pelo Ontos era suficiente para destruir completamente uma posição defensiva.
Por essa razão, os fuzileiros navais passaram a usar o veículo como plataforma de apoio direto à infantaria, especialmente em combates urbanos e ataques a fortificações.
O papel do M50 Ontos durante a batalha de Huế
Um dos momentos mais marcantes da carreira do Ontos ocorreu durante a Batalha de Huế, em 1968, durante a ofensiva do Tet.
Durante os combates intensos na cidade vietnamita, os Ontos foram utilizados para destruir posições fortificadas ocupadas por tropas norte-vietnamitas.
Graças ao seu poder de fogo concentrado, o veículo conseguiu derrubar paredes, destruir bunkers e neutralizar posições de metralhadoras que dificultavam o avanço das tropas americanas.
Relatos de soldados da época descrevem o Ontos como uma das armas mais eficazes para lidar com posições fortificadas em ambientes urbanos.
Produção e retirada de serviço do destruidor de tanques
Entre o final da década de 1950 e o início dos anos 1960, foram produzidas cerca de 300 unidades do M50 Ontos. Apesar de seu desempenho em algumas situações de combate, o veículo possuía limitações operacionais que dificultaram sua permanência em serviço. Entre os principais problemas estavam:
- blindagem muito leve
- necessidade de recarregar armas externamente
- espaço interno extremamente limitado
Por esses motivos, o Corpo de Fuzileiros Navais decidiu retirar o Ontos de serviço no início da década de 1970.
Um dos veículos mais incomuns da história militar
Mesmo após sua retirada, o M50 Ontos continua sendo lembrado como um dos veículos mais curiosos já produzidos para uso militar.
Seu conceito de combinar seis canhões sem recuo em um único veículo leve foi uma tentativa ousada de aumentar o poder de fogo sem aumentar o peso do blindado. Embora o design não tenha se tornado padrão na indústria militar, o Ontos demonstrou que abordagens pouco convencionais podem gerar soluções eficazes em determinados cenários de combate.
Hoje, o M50 Ontos permanece como um exemplo fascinante da criatividade e da experimentação tecnológica que marcaram os projetos militares da Guerra Fria.

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