Levantamento divulgado em 17 de dezembro mostra desigualdade regional, impacto do modelo de gestão e alerta para a queda dos investimentos federais em 2026
Um diagnóstico nacional sobre a infraestrutura rodoviária brasileira foi divulgado em 17 de dezembro, trazendo um contraste estrutural que chama atenção. Segundo a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), as dez piores rodovias do Brasil são administradas pelo poder público, enquanto, em sentido oposto, as estradas mais bem avaliadas estão, em sua maioria, sob concessão privada. Desde o início, o levantamento evidencia desigualdades regionais, limitações orçamentárias e a influência direta do modelo de gestão sobre a qualidade das vias.
Logo na abertura do estudo, a CNT destacou que nove das dez rodovias em piores condições estão localizadas nas regiões Nordeste, Norte e Sul. Além disso, todas essas vias são geridas por estados ou pela União, o que, historicamente, revela dificuldades recorrentes de manutenção e investimento. Assim, o ranking reforça um padrão estrutural que se repete ao longo dos anos.
Segundo Vander Costa, presidente da CNT, esse cenário resulta de uma combinação de fatores. Por um lado, existe baixa viabilidade econômica para concessões nessas regiões. Por outro, há pouca atratividade para investimentos públicos, somada à falta de articulação política para captação de recursos. Dessa forma, conforme explicou, desenvolvimento econômico e qualidade da infraestrutura seguem diretamente conectados.
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Desigualdade regional e articulação política explicam o cenário
De acordo com Vander Costa, estados mais alinhados ao governo federal conseguem apresentar maior atratividade para investimentos. Além disso, quando deputados e senadores priorizam a infraestrutura rodoviária, parte das emendas parlamentares é destinada à manutenção das estradas. Assim, a qualidade das vias tende a se manter ao longo do tempo.
Diante desse contexto, a CNT informou que atua junto ao Legislativo para destinar emendas às rodovias em piores condições. Ao mesmo tempo, a entidade busca reduzir o corte orçamentário previsto para 2026, considerado crítico para a conservação da malha viária nacional.
Enquanto isso, os dados orçamentários reforçam o alerta. Conforme a Série Especial de Economia – Investimentos em Transporte, elaborada pela CNT, o orçamento de investimentos do Ministério dos Transportes caiu de R$ 15,91 bilhões em 2025 para R$ 13,10 bilhões em 2026. Paralelamente, a proporção de investimentos próprios da pasta aumentou de 49,2% para 71,1%, o que pressiona ainda mais a execução de obras e manutenções.
Concessões privadas dominam o topo do ranking
Em contraste com as rodovias públicas, o levantamento mostra que as melhores estradas do país se concentram no Sudeste, sob administração da iniciativa privada. Segundo Fernanda Rezende, diretora executiva da CNT, esse desempenho reflete o impacto de longo prazo das concessões, que concentram grandes aportes financeiros no início dos contratos e mantêm manutenções frequentes ao longo dos anos.
Entre as rodovias mais bem avaliadas, aparecem:
- SP-270, concedida
- RJ-124, concedida
- SP-348, concedida
- SP-225, concedida
- SP-320, pública
- BR-050 em Minas Gerais, concedida
- SP-070, concedida
- SP-021, concedida
- BR-050 em Goiás, concedida
Esse conjunto, portanto, evidencia como o modelo de concessão influencia positivamente a qualidade viária, especialmente em trechos com maior fluxo econômico.
Rodovias públicas lideram as piores posições
Na outra extremidade do ranking, as rodovias classificadas como “péssimas” estão localizadas nos estados do Acre, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Tocantins, Paraíba e Maranhão. Entre elas estão:
- AC-010, no Acre
- PE-177 e PE-545, em Pernambuco
- RS-324 e RS-472, no Rio Grande do Sul
- TO-387, no Tocantins
- BR-364, no Acre
- PB-066, na Paraíba
- MA-106 e MA-006, no Maranhão
Esses trechos enfrentam problemas estruturais recorrentes, como pavimento deteriorado e sinalização insuficiente, o que compromete a segurança e a fluidez do transporte.
Caminhos para reduzir acidentes e desigualdades
Diante do diagnóstico, a CNT reforçou a necessidade de manter o nível atual de investimentos, ao mesmo tempo em que defende a ampliação do número de concessões. Além disso, a entidade destacou a importância de aportes públicos direcionados às regiões com menor orçamento.
Como medidas complementares, Vander Costa apontou a necessidade de melhorar a sinalização das rodovias e ampliar pontos de parada para caminhoneiros e passageiros, ações que, consequentemente, contribuem para a redução de acidentes e para o aumento da segurança viária.
Assim, o ranking divulgado em dezembro deixa claro que o modelo de gestão das rodovias brasileiras influencia diretamente sua qualidade, ao mesmo tempo em que expõe desafios fiscais, políticos e regionais que permanecem no centro do debate sobre infraestrutura no país.
Diante desse cenário, qual deve ser a prioridade do Brasil: ampliar concessões privadas ou reforçar o investimento público nas regiões mais vulneráveis?

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