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Magnésio realmente melhora o sono? O que a ciência diz sobre suplementos e insônia

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 14/01/2026 às 13:56
Atualizado em 14/01/2026 às 13:57
Entenda o papel do magnésio no sono, os riscos dos suplementos alimentares e o que a ciência afirma sobre saúde mental.
Foto: IA
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Entenda o papel do magnésio no sono, os riscos dos suplementos alimentares e o que a ciência afirma sobre saúde mental.

magnésio, amplamente divulgado nas redes sociais como solução rápida para sonoinsônia e até saúde mental, ganhou destaque nos últimos anos, especialmente entre pessoas que enfrentam dificuldades para dormir.

Médicos e pesquisadores, no entanto, alertam que essas promessas nem sempre refletem o que a ciência comprova até agora.

O debate envolve quem usa, como consome, quando recorre aos suplementos alimentares, onde buscar orientação e, sobretudo, por que o mineral não deve ser tratado como fórmula milagrosa. 

Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Mundo, a popularização do magnésio se apoia em mensagens simplificadas que circulam nas plataformas digitais, muitas vezes descoladas do contexto científico real. 

Magnésio, insônia e a busca por soluções rápidas 

Para a psicóloga do sono Nathalia Padilla, do Instituto de Medicina da Johns Hopkins University, é compreensível que o público se interesse por alternativas acessíveis. 

“As pessoas podem passar anos com insônia, procurando diferentes saídas… e se sentem atraídas por soluções como o magnésio, que é tão acessível”, afirma. 

No entanto, ela alerta que as redes sociais frequentemente transformam estudos pontuais em promessas universais.

“Eles podem pegar um único estudo… e vendem como algo milagroso”, diz. Até o momento, segundo Padilla, não há evidências científicas robustas para afirmar que o magnésio, por si só, combata a insônia. 

O papel do magnésio no organismo e seus limites 

Do ponto de vista fisiológico, o magnésio participa de processos relacionados ao relaxamento muscular e à estabilidade do sistema nervoso.

O nutricionista Ricardo Calle explica que o mineral “ajuda a reduzir a intensidade da excitação neuronal” e pode “diminuir a probabilidade de arritmias”. 

Ainda assim, o efeito depende diretamente do nível prévio do mineral no organismo.

Se a pessoa já apresenta níveis adequados, o suplemento não gera benefícios adicionais, pois o corpo tende a eliminar o excesso. 

Magnésio, sono e saúde mental: o que já se sabe 

A relação entre magnésio, sono e saúde mental é estudada, mas ainda inconclusiva. Padilla destaca que a literatura científica permanece limitada. “Não se concluiu completamente que o magnésio irá ajudar a melhorar o sono, como se anuncia”, afirma. 

O mineral atua no sistema GABA, um neurotransmissor com efeito calmante, e pode reduzir os níveis de cortisol, hormônio ligado ao estresse.

Por isso, em pessoas com deficiência de magnésio, a correção dos níveis pode favorecer relaxamento e bem-estar. 

Tipos de magnésio e por que o rótulo importa 

Nas prateleiras, o consumidor encontra diferentes versões de suplementos alimentares, como citrato, bisglicinato e óxido de magnésio.

A principal diferença está na absorção e na tolerância. 

“O corpo absorve melhor o citrato de magnésio do que o bisglicinato”, explica Calle.

Ainda assim, a tolerância varia entre indivíduos.

Por isso, os especialistas recomendam atenção ao rótulo e à quantidade de magnésio elementar, que é o valor real absorvido pelo organismo. 

Quando suplementar magnésio pode ser um risco 

O uso de magnésio não deve ocorrer sem avaliação médica.

Antes da suplementação, é essencial verificar os níveis do mineral e a função renal.

Embora os rins eliminem o excesso, doses elevadas podem sobrecarregar o organismo. 

O valor de referência citado pelos especialistas é de cerca de 400 mg por dia de magnésio elementar, considerando também o que vem dos alimentos.

Em excesso, o suplemento pode causar náuseas, diarreia, alterações no ritmo cardíaco e queda da pressão arterial, especialmente em pessoas com problemas renais ou cardiovasculares. 

Magnésio na alimentação: caminho mais seguro 

A boa notícia é que, para a maioria das pessoas, uma dieta equilibrada é suficiente.

Verduras, frutas, legumes, nozes, folhas verdes como espinafre e peixes como o salmão fornecem magnésio em quantidades adequadas ao longo do dia. 

Padilla sugere padrões alimentares como a dieta mediterrânea, enquanto Calle reforça que não há necessidade de buscar “superalimentos”.

Com variedade e equilíbrio, o organismo mantém níveis adequados de magnésio sem depender de suplementos. 

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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