A Justiça Federal confirmou a interdição da Refit e manteve as restrições após identificar indícios de importação irregular no Rio de Janeiro, ampliando a atenção sobre as operações em Manguinhos e os impactos para o setor de combustíveis
A Justiça Federal da 1ª Região rejeitou dois pedidos da Refit para tentar reverter a interdição de suas operações. Segundo matéria publicada pelo Poder 360 nesta quinta-feira (4), a medida mantém paralisada a torre de destilação da empresa, ponto central das acusações feitas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) desde setembro, quando a fiscalização encontrou indícios de importação irregular de gasolina pronta no Rio de Janeiro.
Justiça Federal mantém interdição da Refit e decisões anteriores
A decisão reforça o posicionamento da Justiça no sentido de evitar interferência sobre atos técnicos da agência reguladora e mantém ativo o processo administrativo que apura possíveis irregularidades cometidas pela companhia.
No despacho, o juiz Renato Coelho Borelli negou o afastamento de dirigentes da ANP solicitado pela empresa e também rejeitou o pedido para desbloquear imediatamente a torre de destilação. Segundo o magistrado, “não há risco concreto e imediato” que justifique a intervenção judicial. As alegações, nas palavras do juiz, eram “abstratas e sem demonstração de prejuízo iminente”.
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A ANP havia interditado a unidade em 26 de setembro de 2025, indicando que a Refit teria importado combustíveis praticamente prontos, em vez da nafta prevista para o processo de refino. Isso caracterizaria desvio de finalidade e poderia oferecer vantagem competitiva injusta diante de outras empresas do setor.
A suspeita foi reforçada pelos relatórios de fiscalização, que apontaram inconsistências no armazenamento, falhas de medição e ausência de evidências de que o insumo importado fosse efetivamente submetido a processo industrial.
A Justiça, ao manter a interdição, considerou válidos os fundamentos técnicos e administrativos apresentados pela ANP, reforçando que o Poder Judiciário não deve substituir o órgão regulador na análise de questões de natureza estritamente técnica.
Situação da Refit após a decisão judicial
A negativa da Justiça Federal mantém a Refit em uma situação operacional crítica. A torre de destilação é parte essencial da estrutura industrial e, sem ela, a empresa fica impossibilitada de realizar o ciclo completo do refino. Esse bloqueio prolongado aumenta os prejuízos já acumulados desde setembro.
De acordo com estimativas da empresa divulgadas anteriormente, a paralisação gera perdas de até R$ 5 milhões por dia. Esses números incluem funcionários diretos, terceirizados e prestadores de serviços do polo industrial localizado em Manguinhos, região estratégica da zona norte do Rio de Janeiro.
A empresa argumenta que a interdição coloca em risco sua recuperação judicial e pede maior celeridade na avaliação de suas defesas, mas a Justiça observou que não há indícios suficientes para considerar a medida como abusiva ou desproporcional.
Investigação sobre importação irregular no Rio de Janeiro
A interdição da Refit está associada à suspeita de importação irregular de gasolina pronta. Durante a fiscalização, a ANP identificou carregamentos com características muito próximas de combustíveis acabados, o que contraria a finalidade industrial declarada pela empresa. Em vez de processar a nafta, como previsto, a companhia teria recebido produto já apto para distribuição.
Isso poderia configurar tentativa de reduzir custos tributários, uma vez que as regras para importação de insumos industriais são diferentes das aplicadas à importação de combustíveis prontos para o consumo.
Além disso, a documentação apresentada à ANP mostrou inconsistências na comprovação de etapas do refino. Segundo a agência, não há evidências explícitas de que a empresa tenha efetuado, de fato, o processamento necessário para caracterizar atividade refinadora em alguns dos lotes inspecionados.
Essas irregularidades reforçaram o entendimento da Justiça Federal de que a interdição é medida necessária enquanto o processo administrativo segue em análise.
Impactos regulatórios e riscos para o mercado de combustíveis
A manutenção da interdição tem repercussões diretas no mercado de combustíveis do país. Isso porque irregularidades envolvendo refino e importação podem atingir toda a cadeia de distribuição, causando distorções concorrenciais e aumentando o risco de circulação de combustíveis sem rastreabilidade adequada.
Ao manter a decisão da ANP, a Justiça sinaliza que práticas inadequadas serão tratadas com rigor. A interdição também impede que produtos potencialmente irregulares entrem no mercado, protegendo consumidores e evitando prejuízos ao equilíbrio tributário e à concorrência.
No setor, a decisão é vista como um reforço das políticas de fiscalização e conformidade adotadas pela ANP. Em um ambiente de mercado sensível a oscilações e historicamente vulnerável a fraudes, ações firmes e coordenadas são essenciais para garantir transparência e estabilidade regulamentar.
Histórico recente da interdição e disputas judiciais envolvendo a Refit
A interdição da Refit vem sendo objeto de uma série de decisões judiciais e administrativas ao longo de 2025. Após o bloqueio inicial, a empresa atuou em diferentes frentes para reverter a medida, mas obteve poucos avanços concretos.
Em 25 de outubro de 2025, a ANP chegou a liberar parcialmente algumas instalações da empresa após verificações que confirmaram o cumprimento de 10 das 11 exigências feitas durante a fiscalização. No entanto, a torre de destilação, considerada o equipamento mais sensível do processo, permaneceu interditada.
Dias depois, decisões judiciais conflitantes chegaram a autorizar e, em seguida, revogar a liberação das operações. Em 29 de outubro, o Superior Tribunal de Justiça restabeleceu a interdição total após pedido da União, reforçando a necessidade de cautela diante das irregularidades encontradas.
O caso, desde então, passou a ser acompanhado de perto pelo setor e por autoridades fiscalizadoras, dada a gravidade dos indícios apontados nas operações realizadas em Manguinhos.
Relevância do caso para o setor energético brasileiro
A importância desse episódio vai além da situação específica da empresa. Ele destaca como o cumprimento das normas regulatórias é fundamental para manter o equilíbrio do mercado e preservar a confiança na cadeia de abastecimento.
Em momentos de investigação, é essencial que decisões técnicas sejam respeitadas, principalmente quando envolvem questões como segurança operacional, conformidade tributária e qualidade dos combustíveis. O caso da Refit evidencia a necessidade de constante vigilância e reforça a autoridade da ANP como órgão regulador.
Panorama e próximos passos prováveis na Refit
Os desdobramentos do caso ainda devem se intensificar nos próximos meses, com novos relatórios técnicos e etapas adicionais do processo administrativo. A Refit deverá apresentar novas informações, responder a exigências e tentar demonstrar que está em conformidade com as normas legais.
Enquanto isso, a interdição permanece vigente, e as operações da empresa seguem limitadas. O impacto econômico tende a se prolongar, enquanto autoridades federais acompanham os efeitos da medida no mercado regional de combustíveis.
O caso também deve influenciar futuras ações de fiscalização em outras unidades do país, servindo de alerta tanto para empresas quanto para operadores logísticos e distribuidores.

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