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Jacarés voltaram a pântanos dos EUA, passaram a devorar tartarugas invasoras de orelha vermelha, reduziram doenças e ajudaram a recuperar lagos sufocados, enquanto cientistas testam até jacarés falsos como isca para estudar as invasoras e proteger espécies nativas e a água

Publicado em 27/01/2026 às 22:37
Jacarés controlam tartarugas invasoras, ajudam o ecossistema, melhoram a qualidade da água e transformam lagos urbanos em ambientes mais equilibrados
Jacarés controlam tartarugas invasoras, ajudam o ecossistema, melhoram a qualidade da água e transformam lagos urbanos em ambientes mais equilibrados
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Jacarés recuperados por décadas de conservação voltaram a dominar áreas úmidas na Flórida e Louisiana e passaram a predar tartarugas-de-orelha-vermelha, invasoras ligadas a água turva, algas e patógenos. Além das mordidas, a simples presença e iscas de jacarés falsos já derrubam o banho de sol e a reprodução delas rápido.

Os Jacarés voltaram a ser senhores de pântanos e brejos nos Estados Unidos e, junto com esse retorno, surgiu um efeito colateral inesperado: a queda de uma das invasoras mais problemáticas para lagos urbanos e áreas alagadas, a tartaruga-de-orelha-vermelha.

O que parece um enredo improvável vira uma sequência de impactos bem concreta: menos tartarugas invasoras tomando sol e botando ovos, menos pressão sobre plantas aquáticas, água mais clara, menos explosão de algas e um freio na circulação de doenças que essas tartarugas podem carregar e espalhar.

Como a tartaruga-de-orelha-vermelha virou um problema mundial

A tartaruga-de-orelha-vermelha se espalhou pelo planeta como “pet barato”, com filhotes vendidos por valores baixos, fáceis de transportar e simples de manter no começo.

O detalhe é que o começo dura pouco: aquele animal que cabia em um aquário mínimo logo cresce e passa a exigir estrutura grande, com tanque de centenas de litros, além de muito alimento e limpeza constante.

Quando a rotina pesa, muita gente escolhe o caminho mais rápido: solta a tartaruga em lagos de parques e áreas públicas.

A partir daí, a invasora se estabelece em praticamente todos os continentes, domina lagoas urbanas e, em alguns locais, passa a representar 80% a 95% das tartarugas vistas na água.

O empurrão do mercado ilegal e as solturas “por compaixão”

Uma proibição antiga, feita para reduzir riscos sanitários, acabou mudando o comércio sem encerrar a circulação.

A venda de tartarugas menores que 10,2 cm foi proibida em 1975, mas isso empurrou parte do mercado para esquemas paralelos.

O resultado apontado é gigantesco: entre 5 e 10 milhões de filhotes ainda entram em circulação por ano, via anúncios e feiras.

Além do abandono, existe outro motor de dispersão: rituais de soltura por “misericórdia”, em que animais são jogados em canais e lagos para supostamente gerar mérito.

Na prática, isso coloca milhões de tartarugas em ambientes fora do lugar, ampliando competição, pressão ecológica e risco de doenças.

Por que essa invasora domina tão rápido

A vantagem da tartaruga-de-orelha-vermelha é uma mistura de longevidade, reprodução alta e agressividade por espaço.

Ela pode viver 30 a 40 anos como animal de estimação e 50 a 70 anos na natureza. E uma fêmea consegue pôr 20 a 30 ovos por temporada, repetindo isso por décadas.

Mesmo poucos indivíduos soltos podem sustentar uma população por tempo suficiente para superar gerações humanas inteiras.

Há ainda um acelerador urbano: a temperatura pode influenciar o sexo dos filhotes. Em áreas urbanas, solo e água costumam ficar 2°C a 5°C mais quentes, o que favorece o nascimento de mais fêmeas.

Em alguns lagos de parque, isso empurra a população para algo como 90% a 95% de fêmeas, criando uma fábrica de expansão.

O que acontece com as tartarugas nativas e com a qualidade da água

O estrago não fica só na “briga por espaço”. Em lagos pequenos, a presença de 15 a 20 invasoras já é descrita como suficiente para derrubar tartarugas nativas em mais de 80% ao longo de alguns anos.

O primeiro golpe é no “banho de sol”, que não é lazer, é sobrevivência. Tomar sol regula temperatura corporal, reduz parasitas e ajuda na digestão.

As invasoras ocupam os melhores pontos e empurram as nativas para a água. Só perder uma hora por dia de sol já pode reduzir a reprodução das nativas em até 40%.

Depois vem a comida. A invasora come de tudo, de plantas a pequenos animais aquáticos. Em testes, ela chegou a consumir 70% a 90% do alimento oferecido, deixando nativas desnutridas em pouco tempo.

E há um dano ainda mais direto: invasoras também atacam ovos e filhotes, com registros de destruição de ninhos chegando a 95% em certos cenários.

Quando a invasora cresce, o lago também muda. Ela morde brotos, raízes e plantas aquáticas jovens, reduzindo o “filtro natural” do ambiente.

A água fica mais turva, a luz penetra menos, algas se multiplicam e o oxigênio cai, empurrando peixes e outros organismos para um cenário de estresse.

O risco invisível: patógenos e doenças circulando no ecossistema

Outro ponto crítico é sanitário. A invasora pode carregar e espalhar microrganismos capazes de atingir outras espécies.

Em surtos associados a patógenos agressivos, o efeito pode ser rápido e devastador para populações locais, transformando um lago em foco de doença em vez de habitat equilibrado.

Por isso, o problema não é só biodiversidade. É também saúde do ecossistema e qualidade da água.

Por que capturar “na mão” quase nunca resolve

A ideia de remover todas as invasoras parece simples, mas a prática vira uma guerra de resistência. Elas conseguem ficar submersas por 45 a 60 minutos, enterram-se na lama e somem com barulho ou vibração. Mesmo mutirões grandes capturam dezenas quando o lago abriga centenas.

Armadilhas conseguem retirar muitos indivíduos em uma temporada, mas a reprodução repõe a população rapidamente.

E existe um efeito colateral: armadilhas também pegam tartarugas nativas, exigindo triagem e devolução, enquanto o problema principal continua se regenerando.

A reviravolta: Jacarés voltam e a invasora perde a vantagem

É aqui que os Jacarés entram como peça que faltava. O retorno deles não foi planejado para “caçar tartaruga invasora”. Foi consequência de décadas de proteção depois de um período de caça intensa, drenagem de áreas úmidas e perseguição.

A espécie chegou ao limite e foi listada formalmente em 1967, passando por um processo longo de recuperação até voltar a se espalhar com força.

Quando os Jacarés reaparecem em pântanos, brejos e redes de água, eles colocam a invasora sob pressão de dois jeitos.

O primeiro é direto: mordida capaz de esmagar casco e predar juvenis e adultos. O segundo é ainda mais impactante no cotidiano do lago: o efeito psicológico.

As invasoras, especialmente as que vieram de ambientes urbanos, tendem a não ter o mesmo “mapa de perigo” das espécies nativas que conviveram com jacarés por muito tempo. Resultado: elas continuam subindo em troncos e margens vulneráveis e pagam o preço.

Com jacarés presentes, a população de invasoras pode cair 35% a 60%, não apenas por predação, mas porque elas passam a evitar os melhores pontos de sol, acasalam menos e botam menos ovos.

Em alguns cenários, apenas a “sombra” do predador já derruba a reprodução em cerca de 50%.

Jacarés falsos: a isca que assusta, mede e acelera a recuperação

Quando ficou claro que o medo é parte do controle, equipes testaram jacarés falsos em lagos urbanos: modelos simples flutuantes, cabeças artificiais e versões com câmera para monitorar comportamento.

O efeito observado foi rápido: em 2 a 3 semanas, em 12 lagos urbanos, os pontos de banho de sol antes dominados pela invasora tiveram queda de 80% a 90% na presença da tartaruga-de-orelha-vermelha. Enquanto isso, tartarugas nativas continuaram usando áreas habituais, sem o mesmo nível de recuo.

Esse afastamento muda o lago por tabela: com menos invasoras pastando plantas aquáticas e pressionando a cadeia alimentar, a água começa a clarear, plantas reaparecem e a borda do lago volta a funcionar como berçário para peixes pequenos.

O que essa história revela sobre “consertar” ecossistemas

O ponto mais forte é que a solução não veio de química nem de uma operação impossível de captura total. Ela aparece quando o ecossistema recupera uma peça essencial: um predador que reorganiza comportamento, reprodução e ocupação do habitat.

Os Jacarés não “apagam” a invasora do mapa de um dia para o outro, mas tornam a vida dela mais difícil, diminuem o ritmo de expansão e devolvem espaço para espécies nativas e para a própria qualidade da água.

Na sua opinião, usar Jacarés reais e jacarés falsos como pressão contínua é o caminho mais inteligente para controlar invasoras em lagos urbanos, ou isso abre outras preocupações que pouca gente está vendo?

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Vida loka
Vida loka
02/02/2026 15:56

Isso e bom ela e uma espécie cardápio do jacaré o predador chefe do lago,mesmo sendo invasora ela se adapitam ao ambiente e se torna parte da **** alimentar,ao invés de ser o desequilíbrio total,agora suas população seram devoradas e sobrará às mais ágeis e apostas e mesmo elas ainda seram prendadas quando derem bobeira,e sua reprodução será lenta e natural pois agora não e uma espécie sem controle,igual o javali no Brasil que não têm predador e reproduz sem medo.

Ben
Ben
01/02/2026 10:02

Pois é, jacarés em lagos urbanos são ótimos para o convívio com banhistas aos domingos e feriados, piqueniques familiares, onde crianças, mulheres e jovens podem tomar sol ‘a vontades ‘a beira dos lagos. Boa orientação, essa reportagem, hein?

Rogério Fúlvio Romano
Rogério Fúlvio Romano
31/01/2026 21:25

Método perfeito e natural…usar Jacarés reais e jacarés falsos como pressão contínua é o caminho mais inteligente para controlar invasoras em lagos urbanos!!!
Como os lobos reintriduzidos no aeque de Yelestone equilibraram o ecossistema…o mesmo irá ocorrer com onoassar do tempo.

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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