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Investimentos em energia solar devem desacelerar em 2026, aponta Absolar

Escrito por Paulo H. S. Nogueira
Publicado em 11/12/2025 às 10:02
Atualizado em 11/12/2025 às 10:06
Investimentos em energia solar devem desacelerar em 2026, aponta Absolar
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A energia solar ocupa um papel central na transformação energética global, pois combina sustentabilidade, inovação contínua e capacidade de descentralizar o acesso à eletricidade. Entretanto, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), os investimentos no setor deverão diminuir cerca de 7% em 2026. A projeção, divulgada no site da instituição em dezembro de 2025, surge após anos de crescimento acelerado. Esse cenário, embora pareça inesperado, acompanha movimentos históricos de ajuste em ciclos de expansão tecnológica.

A energia solar no Brasil teve grande salto a partir de 2012, quando o governo federal, por meio da Aneel, estruturou regras para micro e minigeração distribuída. Desde então, o país viu milhões de consumidores aderirem à tecnologia. Assim, o setor tornou-se exemplo de rápida adoção e de impacto direto nas contas de luz. Contudo, como todo mercado dinâmico, ele também enfrenta momentos de reorganização.

Mudanças estruturais influenciam o ritmo do setor

Segundo a Absolar, a previsão de queda não indica enfraquecimento da energia solar. Pelo contrário. A entidade afirma que a redução reflete um ajuste natural após o pico de instalações registrado em 2024 e 2025. Esses anos concentraram grande volume de projetos que buscavam benefícios regulatórios ligados à Lei 14.300, segundo informações divulgadas pelo governo federal.

Além disso, muitos consumidores anteciparam investimentos para aproveitar condições mais favoráveis antes da mudança nas regras de compensação de créditos. Esse movimento criou uma espécie de “aceleração artificial”, o que explica a desaceleração prevista para 2026.

O mercado global também enfrenta ajustes. Publicações internacionais, como relatórios da Agência Internacional de Energia (AIE), indicam que os custos de equipamentos se estabilizaram após forte queda ao longo da década. Assim, empresas revisam estratégias e estudam modelos mais eficientes para expansão.

A relevância histórica da energia solar no Brasil

Para compreender a importância desse movimento, vale relembrar o caminho que trouxe o país ao protagonismo. Em 2015, a energia solar representava menos de 1% da matriz elétrica brasileira. Hoje, segundo dados do Operador Nacional do Sistema (ONS) divulgados em 2025, a fonte já superou marcas históricas, chegando a ultrapassar grandes hidrelétricas em momentos de pico.

Esse avanço transformou regiões rurais, impulsionou o agronegócio e estimulou novos modelos de negócio. Por isso, a previsão de queda, embora pequena, abre discussões importantes sobre continuidade das políticas de incentivo.

Assim, especialistas defendem que a sustentabilidade permanece como foco. Dessa forma, o país pode manter competitividade e seguir protagonista no cenário internacional.

O que motiva a queda prevista para 2026

Ainda segundo a Absolar, três fatores explicam a retração temporária:

Transição regulatória

A mudança no modelo de compensação da microgeração exigiu adaptação técnica e financeira. Por isso, muitos consumidores correram para instalar sistemas antes das novas regras começarem. Em 2026, o mercado refletirá esse movimento de antecipação.

Revisão macroeconômica

O mercado acompanha oscilações econômicas, como taxa de juros, crédito e confiança do consumidor. Segundo dados do Banco Central, a volatilidade dos últimos anos influenciou decisões de investimento de famílias e empresas.

Reorganização das grandes usinas

Grandes projetos demandam longos períodos de maturação. Assim, empresas ajustam cronogramas e analisam novos modelos de PPAs (contratos de compra e venda de energia), principalmente diante da evolução do mercado livre de energia.

A sustentabilidade segue como eixo central

Mesmo com desaceleração, a energia solar continua como uma das principais bases da transição energética brasileira. O setor permite redução de emissões, democratização do acesso à eletricidade e fortalecimento dos municípios que recebem investimentos. Segundo o site do Ministério de Minas e Energia, a fonte solar evitou milhões de toneladas de CO₂ em 2024 e 2025, reforçando sua relevância ambiental.

Além disso, a energia solar dialoga com metas globais de descarbonização. Na COP30, realizada em Belém, especialistas destacaram que a fonte é vital para que países emergentes consigam acelerar suas transições sem comprometer o crescimento econômico.

A combinação entre energia limpa, menor impacto ambiental e geração distribuída reforça a importância estratégica da energia solar para o país.

O papel do agronegócio e das pequenas empresas

Um dos motores da energia solar no Brasil é o agronegócio. Em regiões com alto consumo de eletricidade para irrigação, armazenagem e refrigeração, os sistemas fotovoltaicos permitiram reduzir custos e aumentar competitividade. Segundo o site da Embrapa, mais de 330 mil sistemas foram instalados no campo até 2025.

As pequenas empresas também impulsionaram a tecnologia, pois perceberam economia imediata e previsibilidade orçamentária. Isso deve continuar em 2026, embora em ritmo ajustado.

Perspectivas para os próximos anos

Mesmo com queda prevista, o Brasil permanece entre os países que mais instalam energia solar no mundo. Assim, especialistas acreditam que a desaceleração de 2026 funcionará como “respiro” para reorganização das cadeias produtivas.

A Absolar afirma que, após esse ajuste, o setor deve voltar a acelerar, sobretudo pela demanda crescente por armazenamento, hidrogênio verde e sistemas híbridos. Além disso, governos estaduais estão ampliando programas de incentivo, o que deve estimular novos investimentos.

Portanto, a energia solar permanece como uma das forças mais importantes da economia verde brasileira.

Energia solar continua essencial para o futuro

Ainda que 2026 registre menor volume de novas instalações, a essência da transição energética não se altera. O movimento global em direção a fontes renováveis se intensifica. O Brasil, com sua abundância solar, tende a liderar cada vez mais esse processo.

Por isso, os dados da Absolar devem ser lidos como parte de um ciclo natural, não como sinal de recuo. Historicamente, setores em acelerada expansão vivem momentos de ajuste antes de avançarem novamente.

E, no caso da energia solar, a tendência estrutural segue positiva, sustentável e alinhada às demandas ambientais e econômicas do país.

Paulo H. S. Nogueira

Sou Paulo Nogueira, formado em Eletrotécnica pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), com experiência prática no setor offshore, atuando em plataformas de petróleo, FPSOs e embarcações de apoio. Hoje, dedico-me exclusivamente à divulgação de notícias, análises e tendências do setor energético brasileiro, levando informações confiáveis e atualizadas sobre petróleo, gás, energias renováveis e transição energética.

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