Nova usina de etanol da LanzaTech na Índia usará bagaço de cana e tecnologia avançada para produzir combustíveis sustentáveis.
A usina de etanol de segunda geração anunciada pela LanzaTech marca um novo avanço na produção de combustíveis sustentáveis na Índia. A empresa assinou um contrato para construir uma usina capaz de transformar etanol de bagaço de cana-de-açúcar em combustível e insumos químicos, utilizando resíduos agrícolas abundantes no país.
O projeto será implantado em Uttar Pradesh, deve entrar em operação em até dois anos e integra um esforço maior para reduzir emissões, fortalecer economias rurais e ampliar o uso de fontes renováveis no setor energético indiano.
A iniciativa será desenvolvida em parceria com a Spray Engineering Devices (SED) e faz parte do conceito “SED Smart Village”.
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O modelo busca unir energia renovável de baixo custo, reaproveitamento de carbono e produção local de alto valor agregado, posicionando a usina de etanol como um eixo central da estratégia de transição energética regional.
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Usina de etanol de bagaço reforça economia circular na Índia
A nova usina foi projetada para processar até 300 toneladas diárias de bagaço de cana-de-açúcar.
Esse resíduo agrícola, muitas vezes descartado ou queimado, passa a ser utilizado como matéria-prima estratégica para a produção de etanol de bagaço, combustíveis sustentáveis e produtos químicos verdes.
Portanto, além de reduzir desperdícios, o projeto contribui diretamente para a economia circular.
Segundo as empresas envolvidas, a cadeia produtiva local será fortalecida ao evitar a queima de resíduos e incentivar a produção descentralizada de energia e insumos industriais.
Tecnologia de reciclagem de carbono da LanzaTech
O diferencial da LanzaTech está na tecnologia de reciclagem de carbono aplicada à usina de etanol.
O processo combina gaseificação do bagaço com ar enriquecido com oxigênio, gerando um gás rico em carbono que é convertido em etanol por microrganismos patenteados.
Esses microrganismos atuam em biorreatores que funcionam de forma semelhante a uma cervejaria. No entanto, em vez de transformar açúcar em bebida alcoólica, eles convertem gases como CO₂, combinados com hidrogênio verde, em etanol.
Assim, a usina transforma resíduos em combustível, reduzindo emissões e ampliando o aproveitamento energético.
Impactos ambientais e benefícios para a agricultura
Além da produção de etanol de bagaço, o projeto prevê a geração de biochar rico em nutrientes, estimado entre 5% e 10% do volume processado.
Esse subproduto poderá ser utilizado por comunidades agrícolas locais para melhorar a fertilidade do solo.
“A agricultura moderna está prestes a passar por uma transformação significativa por meio da energia solar verde e do hidrogênio, o que criará oportunidades ilimitadas para as economias rurais”, afirmou Vivek Verma, fundador da SED.
Ele destaca ainda que o potencial solar da Índia, aliado às terras férteis e à crescente demanda energética, posiciona o país de forma estratégica para liderar um futuro de energia renovável de baixo custo.
Segundo Verma, garantir que a biomassa seja processada localmente é essencial para preservar a saúde do solo e fortalecer as economias rurais.
Projeto estratégico dentro do programa PM JI-VAN Yojana
A usina de etanol da LanzaTech será um dos primeiros projetos privados enquadrados no programa PM JI-VAN Yojana, iniciativa do governo indiano voltada ao incentivo da produção de etanol avançado a partir de resíduos agrícolas e industriais.
Esse enquadramento reforça o papel estratégico do projeto para a política energética da Índia. Além disso, a proposta dialoga com a iniciativa “Make in India”, ao estimular a produção nacional de bens e materiais essenciais com base em tecnologias limpas.
“Nossa parceria com a SED para este projeto expande nossa presença na Índia ao mesmo tempo em que cria um roteiro para a implantação comercial de resíduos agrícolas como matéria-prima essencial para a produção de etanol”, afirmou Jennifer Holmgren, CEO da LanzaTech.
Presença crescente da LanzaTech na Índia
Atualmente, a tecnologia da LanzaTech já está em operação na unidade de Panipat da Indian Oil Corporation, onde gases residuais de refinaria são convertidos em etanol. Essa é a sexta planta em escala comercial da empresa no mundo.
Além disso, uma nova usina de menor porte, com capacidade de 10 toneladas diárias, está em fase avançada de execução pela NTPC em Andhra Pradesh, utilizando CO₂ residual e hidrogênio verde.
Esses projetos consolidam a Índia como um dos principais polos globais da tecnologia de reciclagem de carbono.
Etanol de bagaço como vetor da transição energética
Com a nova usina de etanol, a LanzaTech reforça a aposta no etanol de bagaço como solução viável para reduzir emissões, valorizar resíduos agrícolas e ampliar a oferta de combustíveis sustentáveis.
Assim, a iniciativa combina inovação tecnológica, desenvolvimento rural e política industrial, colocando a usina no centro de uma estratégia energética mais limpa e resiliente para a Índia.

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