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Guerra no Oriente Médio atinge fertilizantes e transporte e pode pesar no bolso do brasileiro

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 05/03/2026 às 19:12
Atualizado em 05/03/2026 às 19:13
Guerra no Oriente Médio pressiona importação de fertilizante, transporte e diesel, podendo elevar preço dos alimentos no Brasil.
Foto: IA
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Guerra no Oriente Médio pressiona importação de fertilizante, transporte e diesel, podendo elevar preço dos alimentos no Brasil.

A guerra no Oriente Médio envolvendo o Irã, os Estados Unidos e aliados pode provocar impacto direto no bolso do consumidor no Brasil nos próximos meses. O conflito, intensificado recentemente na região, afeta rotas comerciais estratégicas, eleva custos de importação de fertilizante, aumenta o preço do diesel e encarece o transporte marítimo global.

Economistas e analistas do agronegócio alertam que essas mudanças podem pressionar os custos de produção agrícola e, consequentemente, elevar os preços dos alimentos no país.

Esse efeito ocorre porque o Brasil depende fortemente da importação de fertilizantes e combustíveis. Além disso, parte relevante dessas commodities passa por rotas comerciais estratégicas do Oriente Médio, que atualmente enfrentam instabilidade geopolítica.

Embora o impacto para os produtores já esteja sendo sentido, especialistas afirmam que o consumidor pode perceber os reflexos principalmente nos próximos meses.

Veja também: Estreito de Ormuz: centenas de navios e petroleiros ficam presos após ataques no Oriente Médio

Veja também: Preço do petróleo dispara com crise no Oriente Médio e pressiona bolsa de valores

Guerra no Oriente Médio já pressiona preços de fertilizante no Brasil

Um dos primeiros efeitos da guerra no Oriente Médio foi a rápida alta nos preços internacionais de fertilizante, insumo essencial para a agricultura brasileira.

O Brasil é altamente dependente da importação desses produtos. Parte significativa da matéria-prima utilizada na produção agrícola vem justamente de países do Oriente Médio.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a região é a quarta maior fornecedora de fertilizantes químicos ao país.

Mesmo não sendo o principal parceiro comercial do Brasil, o Oriente Médio exerce forte influência no mercado global do insumo.

Isso ocorre porque a região responde por cerca de:

  • 40% das exportações globais de ureia
  • 28% das exportações mundiais de amônia

De acordo com o analista Tomás Rigoletto Pernías, da StoneX Brasil, o impacto nos preços foi imediato.

“O impacto nos preços foi instantâneo e severo, com altas de cerca de 10% a 12% em apenas um dia, em mercados como o do Brasil e do Oriente Médio”.

Além disso, vendedores de fertilizantes suspenderam temporariamente negociações para entender melhor o comportamento do mercado.

“Com a eclosão do conflito, os vendedores de fertilizantes do Médio Oriente e de outras regiões suspenderam as suas vendas para tentarem entender qual é o real valor do produto que eles têm na mão”.

Transporte internacional mais caro após guerra no Oriente Médio

Outro fator crítico é o transporte marítimo, que também foi afetado pela guerra no Oriente Médio.

O Irã fechou o Estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais mais importantes do planeta. Por essa passagem circula grande parte do petróleo mundial e diversos produtos industriais.

Sem essa rota, navios precisam alterar trajetos, o que aumenta significativamente os custos logísticos.

Isso significa:

  • fretes marítimos mais caros
  • seguros de carga mais altos
  • aumento no custo de contêineres
  • atrasos nas cadeias de suprimentos

Segundo especialistas, esse efeito impacta o comércio global e não apenas as mercadorias ligadas ao Oriente Médio.

O professor Felippe Serigati, da FGV Agro, explica que o mercado internacional é totalmente interligado.

Mesmo que um fornecedor deixe de entregar produtos, a demanda permanece, elevando os preços globais.

Diesel mais caro pode aumentar custo do transporte de alimentos

Além da alta do fertilizante, a guerra no Oriente Médio também pressiona os preços do petróleo.

A região concentra alguns dos maiores produtores de petróleo do mundo, como Arábia Saudita, Irã e Emirados Árabes Unidos.

Com a instabilidade, o barril do Brent — referência internacional — chegou a subir cerca de 4%, aproximando-se de US$ 81.

Esse aumento pode impactar diretamente o transporte no Brasil, já que o diesel é fundamental para:

  • operação de máquinas agrícolas
  • transporte da safra
  • distribuição de alimentos

Com diesel mais caro, o custo do frete aumenta e acaba sendo repassado para o consumidor final.

A estrategista de inflação Andréa Angelo destaca que esse efeito é amplo.

“Quando o preço da gasolina sobe, provavelmente o preço dos outros combustíveis vão junto […] e você tem todo um repasse indireto desses custos”.

Impactos da guerra no Oriente Médio podem atingir exportações do Brasil

O conflito também pode afetar as exportações brasileiras para países do Oriente Médio.

Na região, o Brasil vende principalmente:

  • frango
  • carne bovina
  • açúcar
  • milho

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, o setor já enfrenta dificuldades logísticas.

“Tem muita carne que está na água. Somente os Emirados Árabes compraram, em janeiro, 44 mil toneladas. A Arábia [Saudita] comprou 33 mil. Então, tem contêineres na água e eles são redirecionados”.

Além disso, empresas de transporte marítimo já criaram uma “taxa de guerra” para compensar riscos logísticos.

“As novas rotas são mais demoradas e caras. Os armadores já implementaram uma ‘taxa de guerra'”.

Quando os efeitos da guerra no Oriente Médio podem chegar ao consumidor

Embora os custos já estejam subindo, especialistas afirmam que o impacto total ainda depende da duração da guerra no Oriente Médio.

O pesquisador Leandro Gilio, do Insper Agro Global, afirma que o efeito no campo é imediato, mas demora mais para chegar ao consumidor.

“A questão é o quanto o conflito vai impactar na produção e o quanto essa guerra vai perdurar. Provavelmente não vai ser uma coisa rápida de ser resolvida”.

Além disso, outros fatores podem ajudar a reduzir a pressão sobre os preços.

Entre eles estão:

  • queda do dólar
  • clima favorável para produção agrícola
  • estoques de combustíveis

Ainda assim, economistas alertam que a combinação de importação de fertilizante, aumento no transporte e alta nos combustíveis pode pressionar a inflação de alimentos no Brasil caso o conflito se prolongue.

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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