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Gigante da ONE estreia no Brasil na primeira viagem a Itajaí: porta contêineres de 2025 com 335,94 m, 51 m de boca e 13.700 contêineres chega à Portonave pelo canal

Escrito por Carla Teles
Publicado em 17/01/2026 às 20:16
Gigante da ONE estreia no Brasil na primeira viagem a Itajaí porta contêineres de 2025 com 335,94 m, 51 m de boca e 13.700 contêineres chega à Portonave pelo canal
Veja como o gigante da ONE entra pelo canal de Itajaí, atraca na Portonave e como a Ocean Network Express opera seu navio porta contêineres.
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Na primeira viagem ao país, o gigante da ONE cruza o canal de Itajaí, atraca na Portonave e mostra como a Ocean Network Express opera seu navio porta contêineres mais moderno.

Na primeira viagem ao Brasil, o gigante da ONE cruzou o canal de acesso a Itajaí e atracou na Portonave exibindo números que parecem desproporcionais ao cenário urbano ao redor. Com 335,94 metros de comprimento, 51 metros de boca e capacidade para cerca de 13.700 contêineres de 20 pés, o porta contêineres construído em 2025 se impôs como uma verdadeira parede de aço diante das casas e prédios da margem.

Mais do que impressionar pelo tamanho, o gigante da ONE representa uma nova geração de embarcações voltadas à eficiência energética, à redução de impacto ambiental e ao aumento de produtividade nas rotas entre a Ásia e a costa leste da América do Sul. A estreia desse navio em Itajaí sinaliza até onde a engenharia naval já chegou e até onde os portos brasileiros precisam acompanhar em infraestrutura, calado e tecnologia.

Um gigante da ONE cruzando o canal de Itajaí

A chegada do gigante da ONE foi registrada em detalhes, tanto com imagens de solo quanto com drones, mostrando o navio navegando pelo rio Itajaí-Açu em direção à Portonave.

Mesmo ainda afastado da câmera, o convoo do navio parecia “encostar” nas coberturas das casas próximas, reforçando a sensação de desproporção entre o casco magenta e a paisagem urbana.

Enquanto praticagem e rebocadores cuidavam da manobra, o navio guinava para boreste, acompanhando a curva do rio.

Do alto, as imagens aéreas deixam claro que se trata de uma verdadeira obra prima da engenharia naval, ocupando quase toda a largura útil do canal e exigindo precisão milimétrica na navegação.

Dimensões que mudam a escala do porto

Vídeo do YouTube

O gigante da ONE tem 335,94 metros de comprimento, dimensão comparável ou superior à de muitos porta-aviões, e 51 metros de boca, a largura máxima do casco.

Para efeito de comparação, antigos cargueiros do início da era dos navios mercantes com propulsão própria tinham algo em torno de 60 metros de comprimento; hoje, só a largura desse porta contêineres moderno já se aproxima daquele comprimento.

No momento da chegada a Itajaí, o navio navegava com calado em torno de 11,20 metros, em um trecho de canal com aproximadamente 14 metros de profundidade.

Isso significa que havia uma folga de poucos metros entre a quilha e o fundo, dentro dos limites operacionais previstos para a manobra.

Quando totalmente carregado, o calado máximo da embarcação pode chegar a cerca de 16 metros, o que dá uma ideia do tamanho do “paredão de aço” que fica submerso durante a travessia oceânica.

Segundo a descrição do comandante do vídeo, o peso bruto máximo do navio ultrapassa 160.000 toneladas, combinando casco, equipamentos, combustível e carga. É como se uma pequena cidade se deslocasse sobre a água, comprimida em um único casco de aço.

Capacidade de 13.700 contêineres e a rota Ásia–América do Sul

Projetado para transportar aproximadamente 13.700 contêineres de 20 pés, o gigante da ONE equivale, na prática, a algo em torno de 13.700 caminhões truque carregados.

Em máxima capacidade, quando sai de portos asiáticos, a pilha de contêineres se estende quase até a superestrutura, formando um pátio flutuante de carga.

Atualmente, essa embarcação opera principalmente na rota entre a Ásia e a costa leste da América do Sul, conectando grandes polos industriais asiáticos a portos da região, como Santos e Itajaí, entre outros.

A escala na Portonave, em Navegantes, marca a primeira viagem do navio ao Brasil, inserindo o terminal catarinense de forma ainda mais clara no circuito dos mega porta contêineres de última geração.

Cada escala do gigante da ONE concentra em uma única atracação um volume de carga que, há poucas décadas, exigiria diversos navios menores, várias escalas e tempos muito maiores de operação.

Motor principal, velocidade e eficiência energética

O gigante da ONE navega sob bandeira de Singapura e é equipado com um motor principal de alta eficiência, capaz de atingir velocidades próximas de 22 nós, desempenho considerado elevado para um navio do seu porte em longas distâncias.

A combinação entre motor moderno, casco otimizado e sistemas de bordo faz parte de uma tendência clara no transporte marítimo: transportar mais carga por viagem, com menor consumo específico de combustível e menor emissão por contêiner deslocado.

Isso é especialmente relevante em rotas longas como Ásia–América do Sul, nas quais cada nó a mais ou a menos representa diferença grande em tempo de viagem e custo operacional.

Projeto preparado para combustíveis alternativos

Um dos pontos mais interessantes destacados sobre o gigante da ONE é que o projeto já considera futuras adaptações para combustíveis alternativos, alinhando desempenho operacional às exigências ambientais que vêm se tornando cada vez mais rígidas no transporte marítimo.

Essa preparação para uso de combustíveis mais limpos coloca o navio em sintonia com a transição energética global no setor.

Não se trata apenas de um porta contêineres gigantesco, mas de um exemplo da direção em que a engenharia naval está caminhando, combinando escala, eficiência e menor impacto ambiental.

Até a forma da proa chama atenção, com um desenho diferenciado pensado para melhorar a hidrodinâmica e reduzir a resistência da água.

A cor magenta, a paisagem e a manobra na Portonave

Visualmente, o gigante da ONE se destaca imediatamente pela cor magenta do casco e da superestrutura, marca registrada da Ocean Network Express.

Observando-se a linha do horizonte na cidade de Navegantes, é possível perceber que muitos prédios não atingem a altura da superestrutura do navio, o que reforça a sensação de que ele “passa por cima” da paisagem urbana.

Na chegada à Portonave, rebocadores acompanharam a embarcação pela popa, ajustando posição e velocidade para a atracação.

O navio não fez giro completo; entrou já na configuração prevista para atracar por boreste, o que simplificou a manobra final.

Ainda assim, conduzir um casco de mais de 330 metros, com dezenas de metros de calado e pouquíssima folga lateral e vertical, exige coordenação fina entre prático, comandante, rebocadores e equipe de terra.

O que a estreia desse gigante da ONE representa para os portos brasileiros

A primeira escala do gigante da ONE em Itajaí não é apenas um “show de imagens” para quem acompanha navios de perto.

É um sinal concreto de que a nova geração de porta contêineres já está operando de forma regular nas rotas que atendem o Brasil, e que terminais como a Portonave precisam seguir investindo em profundidade de canal, estrutura de cais, rebocadores potentes e sistemas de apoio à navegação.

Ao mesmo tempo, a presença de um navio com 335,94 metros de comprimento, 51 metros de boca e projeto preparado para combustíveis alternativos mostra que escala, eficiência e sustentabilidade estão caminhando juntas na navegação comercial do século 21.

Para o comércio exterior brasileiro, isso significa capacidade de consolidar mais carga em menos viagens, com custos mais competitivos e integração mais direta com os grandes hubs asiáticos.

E você, depois de conhecer os números e a tecnologia desse gigante da ONE, acha que navios cada vez maiores são mais uma oportunidade ou um desafio para os portos e cidades da costa brasileira?

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Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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