1. Início
  2. / Mineração
  3. / Garimpeiros de ouro descem por buracos estreitos de até 48 metros no deserto da Mauritânia e passam até dois dias vivendo dentro de túneis em uma cidade subterrânea com mais de mil minas
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 0 comentários

Garimpeiros de ouro descem por buracos estreitos de até 48 metros no deserto da Mauritânia e passam até dois dias vivendo dentro de túneis em uma cidade subterrânea com mais de mil minas

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 10/03/2026 às 16:07
Garimpeiros de ouro trabalham em minas profundas no deserto da Mauritânia e passam até dois dias em túneis extraindo rochas com ouro.
Garimpeiros de ouro trabalham em minas profundas no deserto da Mauritânia e passam até dois dias em túneis extraindo rochas com ouro.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

No deserto da Mauritânia, garimpeiros de ouro trabalham em uma extensa rede subterrânea formada após uma descoberta acidental em 2016. Centenas de minas e túneis conectados formam uma cidade abaixo da areia, onde trabalhadores passam até dois dias no subsolo extraindo rochas que depois são refinadas para obter ouro

Garimpeiros de ouro trabalham em uma extensa área de mineração no deserto da Mauritânia, onde centenas de minas e túneis formam uma espécie de cidade subterrânea iniciada após uma descoberta acidental de ouro em 2016 e posteriormente regulamentada pelo Estado.

A atividade reúne trabalhadores que descem diariamente a túneis profundos para extrair rochas contendo ouro. Em muitos casos, os garimpeiros permanecem por até 24 horas ou até dois dias no subsolo, levando alimentos e suprimentos para continuar o trabalho.

O local fica próximo à cidade de Chami, que se tornou um ponto de parada obrigatório para quem segue rumo às áreas de mineração. Ali, prospectores compram equipamentos utilizados nas escavações antes de entrar nas regiões isoladas do deserto.

A exploração aurífera passou a ter relevância econômica no país, sendo apontada como uma atividade que contribuiu para reduzir o desemprego e gerar receitas para a economia nacional. Com o crescimento da atividade, o governo criou instituições e leis específicas para regular o setor.

Descoberta de ouro no deserto levou à formação de uma rede com centenas de minas

A história da mineração na região começou quando um homem encontrou ouro por acaso em 2016 e comunicou a descoberta na capital do país. A notícia rapidamente se espalhou e atraiu pessoas interessadas em buscar o metal no deserto.

Com o tempo, o local passou a concentrar centenas de minas e túneis, formando uma rede subterrânea que abriga trabalhadores e rotas de circulação. O conjunto de escavações é descrito pelos próprios trabalhadores como uma cidade subterrânea formada por corredores e galerias.

Os garimpeiros de ouro descem por aberturas estreitas utilizando cordas e equipamentos simples. A partir desses pontos de entrada, eles percorrem túneis ramificados que se estendem em diversas direções dentro da rocha.

Em muitas áreas, as escavações se aprofundam dezenas de metros abaixo da superfície. Algumas descidas chegam a cerca de 50 metros, enquanto certos poços podem alcançar profundidades de até 400 metros.

Garimpeiros de ouro passam até dois dias no subsolo durante a extração

O trabalho no interior das minas exige resistência física e experiência adquirida ao longo do tempo. Muitos garimpeiros relatam permanecer até 24 horas dentro dos túneis, dormindo, comendo e trabalhando sem retornar à superfície.

Há casos em que os trabalhadores passam até dois dias no interior das galerias subterrâneas. Para isso, levam alimentos, água e utensílios básicos que permitem permanecer no subsolo durante o período de exploração.

Em determinados pontos, o interior das minas inclui áreas improvisadas que funcionam como locais de descanso. Os túneis também possuem espaços usados como sanitários, formando uma estrutura mínima para a permanência dos trabalhadores.

Um dos garimpeiros apresentados na área, chamado Moulay, afirma ter descido entre 600 e 700 vezes nas minas. Em uma das ocasiões, ele alcançou cerca de 48 metros de profundidade dentro de um poço estreito.

Estrutura subterrânea forma espécie de cidade abaixo da areia

A quantidade de túneis existentes na região cria uma rede subterrânea comparada pelos trabalhadores a uma cidade. Os corredores conectam diferentes áreas de extração, permitindo circulação entre diversos pontos abaixo da superfície.

Os garimpeiros de ouro retiram blocos de rocha das paredes das galerias e os transportam até a superfície. Essas rochas são posteriormente enviadas para centros de refino onde o metal é separado.

Em algumas áreas da mineração existem vários trabalhadores operando simultaneamente dentro de um mesmo poço. Há casos em que cinco pessoas trabalham juntas em uma escavação localizada a cerca de 22 metros de profundidade.

O ambiente subterrâneo também exige equipamentos para circulação de ar. Tubulações são usadas para levar oxigênio aos trabalhadores que permanecem nas galerias durante longos períodos de escavação.

Garimpeiros de ouro utilizam equipamentos simples para extrair rochas

Grande parte do trabalho é realizada com ferramentas consideradas simples ou improvisadas. Entre os equipamentos usados estão polias de ferro com cordas que permitem a descida e subida dos trabalhadores dentro dos poços.

Para facilitar a retirada das rochas, alguns pontos utilizam tubulações que levam gás até o interior das escavações. O calor produzido ajuda a quebrar ou amolecer o material rochoso antes da retirada.

Após serem extraídas, as rochas contendo ouro são transportadas para locais especializados no refino. Uma dessas áreas é a cidade de Alchami, descrita como um grande centro dedicado ao processamento do material.

No local, moinhos trituram as pedras até transformá-las em uma mistura líquida. Essa substância passa então por um processo químico no qual é adicionado mercúrio, metal que reage rapidamente com o ouro.

Processo de refino transforma rochas extraídas nas minas em ouro

Depois da moagem, a mistura líquida é colocada em tanques onde ocorre a reação com mercúrio. O processo permite separar o ouro presente nas rochas extraídas pelos garimpeiros de ouro.

A área de refino funciona como uma espécie de cidade industrial ao ar livre. Diversas casas e oficinas realizam o processamento do material proveniente das minas espalhadas pelo deserto.

Após a separação, o ouro pode ser medido em pequenas quantidades. Em uma das demonstrações realizadas no local, uma porção equivalente a um grama foi apresentada durante o processo de venda.

Segundo relatos no local, uma peça de ouro obtida durante a atividade chegou a ser avaliada em cerca de 800 dólares. O metal extraído nas minas é vendido às autoridades responsáveis pelo setor mineral.

Os próprios garimpeiros realizam a venda do ouro às instituições governamentais ligadas ao Ministério de Minerais. Apesar disso, trabalhadores afirmam que parte da produção também pode circular no mercado paralelo.

Exploração de ouro passou a ser regulada pelo Estado na Mauritânia

Com o crescimento da mineração, o governo do país criou uma instituição específica para organizar e regulamentar a atividade. O objetivo foi estabelecer normas e acompanhar a exploração do ouro.

A atividade passou a ser considerada oficial e sujeita a leis que determinam regras para os trabalhadores e para a comercialização do metal. A regulamentação também busca organizar a exploração que se expandiu rapidamente após a descoberta inicial.

A mineração de ouro se soma a outros recursos minerais do país, como ferro, cobre e fosfato. Esses materiais são exportados para diferentes regiões do mundo a partir dos portos da Mauritânia.

O país também possui atividades econômicas ligadas à pesca e à exportação de diferentes tipos de peixe para mercados internacionais. No entanto, a descoberta do ouro alterou a dinâmica de trabalho em partes do deserto.

Entre os garimpeiros de ouro que atuam nas minas, muitos relatam que o trabalho exige habilidade, força e disposição para enfrentar riscos constantes. Em algumas áreas, acidentes e mortes foram registrados durante a exploração subterrânea.

A mineração continua atraindo trabalhadores interessados em encontrar o metal nas profundezas da areia. A rede de minas e túneis permanece ativa e segue reunindo pessoas que se deslocam até o deserto em busca de ouro.

Este artigo foi elaborado com base em informações apresentadas no canal Joe HaTTab, no YouTube.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x