A aprovação inicial da PEC 148/2025 no Senado intensificou discussões sobre jornada de trabalho, negociação sindical e efeitos econômicos, enquanto dados de opinião mostram apoio popular à mudança.
Uma mudança relevante na organização do trabalho entrou no centro do debate nacional em dezembro de 2025, após avanço legislativo no Senado Federal.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou, em 10 de dezembro de 2025, a Proposta de Emenda à Constituição 148/2025, que propõe o fim da escala 6×1 e a adoção da escala 5×2, com dois dias consecutivos de descanso.
Esse movimento legislativo reorganizou expectativas no mercado de trabalho e provocou reações imediatas de empresas, sindicatos e representantes do governo federal.
Ao mesmo tempo, o tema passou a ser tratado como uma possível mudança estrutural na jornada semanal, sem previsão de redução salarial.
Apoio popular revela percepção positiva sobre redução da jornada
Enquanto o debate institucional avançava, dados de opinião pública indicaram respaldo social à proposta.
Pesquisa da Nexus, divulgada em abril de 2025, apontou que a extinção da escala 6×1 possui mais adeptos do que opositores em todas as regiões do país.
O Nordeste aparece como a região mais favorável, com 74% de apoio, enquanto o Sul registra o menor índice, ainda assim majoritário, com 56%.
Além disso, 59% dos entrevistados no Sudeste afirmaram acreditar que menos horas trabalhadas aumentariam a produtividade, seguidos pelo Nordeste, com 56%, acima da média nacional de 55%.
Entidades empresariais alertam para riscos econômicos e institucionais
Apesar do apoio popular, instituições representativas do setor produtivo demonstraram preocupação com os possíveis efeitos da mudança.
A Confederação Nacional do Comércio (CNC) defendeu, em nota oficial, que parâmetros de jornada sejam definidos por negociação coletiva, respeitando especificidades regionais e setoriais.
Segundo a entidade, impor limites constitucionais rígidos pode enfraquecer a autonomia sindical e reduzir a capacidade de adaptação de empresas e trabalhadores.
Na mesma linha, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou acompanhar o debate sobre a redução da carga semanal de 44 para 40 horas, alertando para impactos na competitividade industrial e na geração de empregos formais.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, declarou que, embora o debate seja legítimo, o país enfrenta desafios mais urgentes, e a mudança poderia reduzir a competitividade da indústria brasileira.
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Estudos apontam possíveis impactos no PIB e no emprego
Com o avanço da discussão pública, levantamentos econômicos passaram a ser divulgados.
Em abril de 2025, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) estimou risco de fechamento de até 18 milhões de postos de trabalho no país.
Segundo a entidade, a alteração na jornada poderia comprometer até 16% do Produto Interno Bruto, representando queda de até R$ 2,9 trilhões no faturamento dos setores produtivos.
Esses números reforçaram o discurso empresarial de cautela diante da mudança estrutural proposta.
Sindicatos defendem correção de distorções históricas
Em contraponto, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) passou a sustentar que a redução da jornada sem redução salarial corrige problemas históricos das relações de trabalho.
Em nota divulgada em 2025, a entidade argumentou que avanços tecnológicos sempre eliminaram empregos e que a precarização marcou o desenvolvimento do capitalismo.
Segundo a CUT, a proposta representa um passo para reorganizar o equilíbrio entre produtividade, qualidade de vida e proteção ao trabalhador.
O que prevê a PEC e os próximos passos no Congresso
Atualmente, o texto aprovado na CCJ do Senado, em 10 de dezembro de 2025, define limites claros.
A proposta estabelece até oito horas diárias e 36 horas semanais, distribuídas em até cinco dias.
Hoje, a legislação permite 44 horas semanais, com apenas um dia de descanso.
Com a mudança, os trabalhadores teriam dois dias de folga, sem redução salarial.
Agora, o texto depende de pauta pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para votação em dois turnos.
Posteriormente, a proposta seguirá para a Câmara dos Deputados, passando pela CCJ e pelo Plenário.
Governo associa fim da escala 6×1 à agenda social
Por fim, o governo federal manifestou apoio público à proposta ao longo de 2025.
Em 2 de dezembro de 2025, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, defendeu a medida.
Segundo a ministra, o fim da escala 6×1 melhora a qualidade de vida dos trabalhadores.
Além disso, a proposta foi associada à isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil.
Dessa forma, o governo inseriu a mudança em uma agenda social mais ampla voltada ao mercado de trabalho.
Diante desse cenário, como equilibrar qualidade de vida, competitividade econômica e controle fiscal na reorganização da jornada de trabalho no Brasil?

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