Investimento estadual reacende projeto turístico no Vale do Taquari. A formalização do repasse detalha trecho prioritário entre Muçum e Vespasiano Corrêa, com restauração de trilhos e reativação
O governo do Rio Grande do Sul formalizou um repasse de R$ 6.340.922,48 para recuperar parte da linha usada pelo Trem dos Vales, passeio turístico no Vale do Taquari.
O investimento prevê a restauração de 18,5 quilômetros de trilhos entre Muçum e Vespasiano Corrêa e marca a retomada do projeto após danos associados aos eventos climáticos extremos registrados em 2024.
A assinatura do Termo de Fomento ocorreu no Palácio Piratini, em Porto Alegre, em 29 de janeiro de 2026, com participação do governador Eduardo Leite, do vice-governador Gabriel Souza e do secretário estadual de Turismo, Ronaldo Santini, além de lideranças regionais e representantes de entidades ligadas à ferrovia turística.
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Trecho Muçum–Viaduto 13 entra na primeira fase de obras
Os recursos estaduais foram direcionados ao segmento que vai do quilômetro 12, em Muçum, ao quilômetro 30, na área do Viaduto 13, em Vespasiano Corrêa.
O acordo define esse intervalo como prioridade para a recuperação estrutural, com a previsão de reativação gradual conforme o avanço das etapas de obra.
A execução foi atribuída à Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, responsável pelo trabalho técnico no trecho contemplado pelo convênio.
Na prática, a entidade assume a recuperação da via permanente necessária para que o transporte turístico volte a operar em condições de segurança.
Amturvales e articulação dos municípios do Vale do Taquari
A Associação dos Municípios de Turismo da Região dos Vales participou da articulação do projeto junto ao Estado e aparece como elo entre os municípios envolvidos e a estrutura operacional do trem.
O presidente da entidade e coordenador do Trem dos Vales, Rafael Fontana, atribuiu a formalização do termo a um esforço conjunto entre Amturvales, ABPF, prefeituras e governo estadual.
No ato de assinatura, Fontana também destacou, em discurso, a relação entre a retomada do passeio e a dinâmica econômica do território, ao citar um modelo de turismo conectado à produção local e às comunidades da região.
Cronograma da recuperação e retomada do passeio ainda sem data
Até a formalização do termo, não havia divulgação oficial de datas para a volta do passeio turístico.
A definição de um cronograma para o retorno das operações foi colocada como dependente do início efetivo dos trabalhos e da evolução das obras previstas.
Uma estimativa citada após a cerimônia aponta que a recuperação do trecho priorizado pode ser concluída em aproximadamente sete meses, embora o calendário de reabertura ao público dependa do andamento das frentes de serviço e das validações técnicas necessárias para a operação.
O histórico recente ajuda a explicar a cautela com prazos.
Segundo relato publicado após o evento no Piratini, as operações do Trem dos Vales estariam paralisadas desde dezembro de 2023, em razão de chuvas fortes que atingiram a região, cenário que foi agravado com os eventos climáticos de 2024 citados pelas entidades envolvidas.
Turismo ferroviário e patrimônio: por que o Trem dos Vales é estratégico
O Trem dos Vales se consolidou como um produto turístico associado ao Vale do Taquari e ao patrimônio ferroviário da região.
Em sua configuração mais conhecida, o passeio liga Muçum e Guaporé, em um percurso de cerca de 46 quilômetros, com duração aproximada de duas horas e meia, passando por túneis e viadutos que integram a paisagem local.
Entre os pontos mais emblemáticos do trajeto está o Viaduto 13, frequentemente identificado como V13, citado como o mais alto da América Latina e descrito com 143 metros de altura e 509 metros de extensão em material publicado após a solenidade.
Ao comentar a retomada, o secretário de Turismo, Ronaldo Santini, afirmou que o objetivo é impulsionar não apenas o turismo, mas a cadeia produtiva associada à atividade na região.
Na mesma ocasião, ele mencionou investimentos estaduais em infraestrutura turística no Vale do Taquari por meio de convênios firmados desde 2022.
Infraestrutura e concessão ferroviária entram no debate do Estado
Durante o evento, Eduardo Leite declarou que a decisão de investir no trecho foi tomada diante da avaliação do Estado sobre a condução federal na área ferroviária sob concessão.
O governador disse que o governo estadual optou por agir no segmento em que teria condição de intervenção, vinculando a medida aos impactos deixados pelas chuvas.
A discussão sobre os próximos passos também incluiu a expectativa de tratativas para viabilizar intervenções em partes além do trecho contemplado nesta primeira fase, embora o termo assinado trate especificamente da recuperação entre Muçum e o entorno do Viaduto 13.
Com o convênio formalizado, a região passa a acompanhar duas frentes de expectativa: a reconstrução física da linha no segmento definido e a organização operacional para reabrir o passeio ao público quando houver condições técnicas e calendário fechado.
A retomada, quando ocorrer, tende a recolocar o Trem dos Vales no circuito turístico gaúcho ao mesmo tempo em que reforça a preservação de um patrimônio ferroviário que ficou vulnerável após as ocorrências climáticas recentes.
Depois de uma paralisação prolongada e com as obras finalmente contratadas, o que vai determinar se o Trem dos Vales volta a operar dentro do prazo esperado: a velocidade da recuperação dos trilhos ou as autorizações e testes necessários para garantir uma reabertura segura?

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