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Mulher mora por quase dois anos em um farol remoto sem pagar aluguel e enfrenta 2 meses no escuro; saiba como ela conseguiu se manter neste período

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 25/11/2025 às 10:53
Farol East Brother visto do mar em uma pequena ilha rochosa na Baía de São Francisco
Vista frontal do farol East Brother, localizado em uma ilha rochosa na Baía de São Francisco, estrutura histórica construída em 1873.
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A rotina em uma das ilhas mais remotas da Baía de São Francisco expôs dificuldades técnicas, falhas estruturais e decisões emergenciais que marcaram a gestão de um farol criado em 1873

O East Brother Light Station, construído em 1873, permanece em operação contínua e integra a lista de marcos históricos dos Estados Unidos desde 1971, conforme registros do National Park Service. Durante a pandemia de Covid-19, em 2020, a estação ficou sob responsabilidade de Desiree Heveroh, que assumiu todas as tarefas de manutenção após a pousada da ilha suspender suas atividades. A cuidadora se mudou para a pequena ilha remota após os proprietários retornarem ao continente por falta de receita e passou a administrar sozinha a estrutura histórica, composta por alojamentos, sistemas de apoio e o farol operacional.

Estrutura histórica e preservação do farol

O farol operou manualmente por quase um século. No fim da década de 1960, a Guarda Costeira dos Estados Unidos iniciou a automação e anunciou a possibilidade de desativação definitiva da estrutura. Contudo, a população local reagiu de forma ativa e a mobilização preservou o farol. No fim da década de 1970, uma organização sem fins lucrativos assumiu sua restauração após longo período sem manutenção. A pousada presente na ilha foi retomada e passou a receber visitantes interessados na história marítima da região.

Descoberta da ilha e início da relação com a propriedade

Em entrevista ao canal World of Nuance, publicada em 2023, Desiree relatou que conheceu a ilha ao avistar a construção durante viagem com a filha. A partir disso, iniciou pesquisas sobre o local, realizou atividades voluntárias de manutenção e trabalhou em meio período com ações de marketing da pousada. Esse envolvimento contínuo resultou em familiaridade com a estrutura e facilitou sua mudança definitiva no início da pandemia.

Pandemia e ausência de equipe fixa

Com o fechamento da pousada em 2020, a ilha ficou sem moradores permanentes para assumir as tarefas diárias de manutenção. O retorno dos proprietários ao continente deixou a estação sem vigilância constante. A situação levou Desiree a se oferecer para residir no local e assegurar a continuidade operacional do farol. Ela passou a executar tarefas que incluíam supervisão da estrutura, limpeza, reparos leves e controle dos sistemas que mantinham o farol em funcionamento.

Falha dos cabos submarinos e perda de energia elétrica

Durante sua permanência, um dos maiores desafios ocorreu quando os cabos submarinos responsáveis por fornecer energia elétrica à estação falharam. A ilha permaneceu dois meses sem conexão com a rede e dependente de um gerador da década de 1930, que fornecia apenas calor básico e iluminação limitada. Manter alimentos resfriados tornou-se um problema, e a cuidadora utilizou blocos de gelo e um sistema rotativo para preservar mantimentos, enquanto cultivava vegetais e ervas na área externa para complementar a alimentação.

Soluções emergenciais para restabelecimento da energia

Após dois meses sem energia, voluntários conseguiram remendar o cabo danificado, garantindo fornecimento temporário. A Guarda Costeira dos Estados Unidos, responsável pelo equipamento, informou que a substituição completa não seria realizada pelo custo estimado de US$ 1 milhão (aproximadamente R$ 6 milhões). Como alternativa, foi discutida a instalação de painéis solares para abastecimento da ilha, embora sem confirmação imediata de implantação.

Operações diárias e manutenção contínua

Mesmo com limitações, Desiree permaneceu responsável por toda a operação diária do farol. Ela administrava o gerador antigo, acompanhava reparos estruturais e assegurava que a estação continuasse ativa como referência marítima. A rotina exigia monitoramento constante diante das condições da ilha remota. A cuidadora também preservava registros de manutenção e mantinha conformidade com orientações de segurança da Guarda Costeira.

Justificativas e importância da manutenção segundo órgãos responsáveis

Órgãos marítimos afirmam que a preservação de faróis históricos é fundamental para segurança de navegação, educação patrimonial e manutenção de rotas costeiras. Documentos técnicos da Guarda Costeira indicam que estruturas antigas exigem manutenção contínua e estudos para modernização de sistemas, especialmente onde cabos submarinos apresentam risco elevado de falhas. Organizações de preservação histórica defendem que faróis remanescentes do século XIX representam patrimônio cultural e devem ser mantidos em operação.

Entendimento institucional sobre gestão de estruturas remotas

Relatórios de gestão costeira nos Estados Unidos reconhecem que faróis localizados em ilhas remotas demandam investimentos específicos e soluções híbridas de energia. Assim, movimentos comunitários e técnicos buscam alternativas para assegurar funcionamento eficiente, proteger estruturas centenárias e reduzir dependência de sistemas antigos.

Mudança de percepção sobre faróis históricos

Com a combinação de preservação cultural, dificuldades operacionais e necessidade de energia estável, faróis históricos passaram a exigir atenção maior de gestores públicos e organizações especializadas. A experiência de Desiree demonstra como estruturas consideradas simples dependem de processos técnicos complexos e planejamento constante para operar adequadamente em áreas isoladas.

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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