Animal tem capacidade única de rejuvenescer suas células e órgãos, despertando interesse em áreas como medicina regenerativa e biotecnologia
À medida que o envelhecimento humano avança, ocorrem mudanças inevitáveis. Perda de neurônios, enfraquecimento muscular, queda na fertilidade e menor capacidade de regeneração são efeitos naturais do tempo. Mesmo com avanços em estudos com animais, ainda não foi possível reverter completamente o envelhecimento em células sanguíneas ou em todo o organismo.
Mas um novo estudo liderado por Longhua Guo, professor assistente de Fisiologia Molecular e Biologia Celular da Faculdade de Medicina da Universidade de Michigan, levanta uma possibilidade intrigante.
Ele e sua equipe têm se dedicado ao estudo das planárias, vermes conhecidos por sua habilidade de regenerar partes do corpo. Em alguns casos, conseguem até formar uma nova cabeça após a decapitação.
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Segundo Guo, esse fenômeno é conhecido há mais de um século. No entanto, pouco se sabia sobre o que permite essa regeneração e como isso se relaciona à longevidade.
Como membro do Instituto de Gerontologia da universidade, ele acredita que as planárias podem ajudar a entender os mecanismos do envelhecimento humano e da regeneração.
Um organismo com sinais e reversões do envelhecimento
O laboratório de Guo passou a estudar uma variedade de planárias que se reproduzem sexualmente. Isso permitiu acompanhar o processo de envelhecimento desde o início da vida, a partir do estágio de zigoto.
Entre a fertilização e os 18 meses de vida, as planárias mostraram sinais semelhantes aos de envelhecimento em mamíferos. Houve perda de neurônios e músculos, além da diminuição da fertilidade. Um dos sinais mais visíveis foi a deformação dos olhos ao longo do tempo.
Porém, ao removerem as cabeças das planárias mais velhas, os pesquisadores notaram algo surpreendente: os olhos que surgiam nas novas cabeças regeneradas eram normais.
E não apenas isso. As planárias regeneradas apresentaram melhora na fertilidade e nas funções fisiológicas, comparadas às que não passaram por esse processo.
Esses resultados foram descritos pela equipe na revista Nature Aging. A pesquisa indicou ainda que, ao contrário dos mamíferos, as planárias não perdem células-tronco adultas com o passar dos anos. A regeneração, segundo Guo, reverte as alterações associadas à idade em diversos tecidos.
“Nas planárias mais antigas, elas não só não perderam a capacidade regenerativa, como também ainda conseguem se regenerar completamente, o que é diferente de muitas espécies já existentes, sugerindo que elas têm mecanismos para sustentar a longevidade e a cura mesmo em idades muito mais avançadas”, afirmou o pesquisador.
Semelhanças com mamíferos
A equipe também comparou dados genéticos das planárias com informações de camundongos, ratos e humanos. Eles incluíram também camundongos que passaram por intervenções para prolongar a vida.
Descobriu-se que as assinaturas de envelhecimento das planárias eram parecidas com as dos mamíferos envelhecidos. E mais interessante: as planárias também compartilham características com camundongos que viveram mais tempo devido a tratamentos específicos.
O próximo passo da equipe será identificar quais genes e células estão ligados à reversão do envelhecimento nas planárias. Segundo Guo, isso pode abrir caminho para novas possibilidades.
Com informações de SciTechDaily.
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