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Demissões voluntárias disparam 147% em Minas Gerais e transformam o mercado de trabalho

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 14/02/2026 às 10:04
Atualizado em 14/02/2026 às 10:06
Demissões voluntárias crescem 147% em Minas Gerais, impulsionadas pela mobilidade profissional e desafios de retenção de talentos.
Foto: IA
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Demissões voluntárias crescem 147% em Minas Gerais, impulsionadas pela mobilidade profissional e desafios de retenção de talentos.

O volume de demissões voluntárias registrou forte expansão em Minas Gerais nos últimos cinco anos, refletindo mudanças profundas no mercado de trabalho.

Entre 2020 e 2025, os desligamentos a pedido do trabalhador cresceram 147%, saltando de 385 mil para 951 mil, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O movimento ocorre no contexto da retomada econômica pós-pandemia, da digitalização acelerada e da ampliação das oportunidades profissionais.

Como resultado, trabalhadores passaram a exercer maior mobilidade profissional, buscando melhores salários, qualidade de vida e perspectivas de desenvolvimento. 

No Brasil, a tendência seguiu a mesma direção.

As saídas voluntárias passaram de 15,9 milhões em 2020 para 25,3 milhões em 2025, evidenciando que o fenômeno não é isolado, mas parte de uma transformação estrutural nas relações entre empresas e profissionais. 

Mobilidade profissional ganha força com retomada econômica 

Para o presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos em Minas (ABRH-MG), David Braga, o avanço das demissões voluntárias sinaliza uma mudança relevante no comportamento da força de trabalho. 

“O avanço dessas demissões revela uma mudança silenciosa, porém profunda, na dinâmica do mercado.

A retomada econômica pós-pandemia reduziu o receio do desemprego e ampliou a mobilidade profissional, encorajando trabalhadores a buscarem melhores condições de remuneração, desenvolvimento e qualidade de vida”, afirma. 

Segundo ele, não se trata apenas de insatisfação pontual.

Há, portanto, uma estratégia de reposicionamento de carreira em curso. 

“A digitalização acelerada e o surgimento de novos modelos de negócio ampliaram as possibilidades de carreira, sobretudo nos setores de serviços e tecnologia, que passaram a disputar talentos com mais intensidade”, explica. 

Digitalização e novos negócios ampliam disputas por talentos 

A transformação digital aparece como vetor central dessa mudança no mercado de trabalho.

Setores ligados à tecnologia e serviços passaram a demandar competências específicas, elevando salários e benefícios. 

Em consonância com Braga, a fundadora da People Leap, Giovanna Gregori, observa uma alteração no perfil comportamental dos profissionais. 

“A pandemia acelerou uma revisão de prioridades: as pessoas passaram a valorizar mais saúde mental, flexibilidade e qualidade de vida do que estabilidade a qualquer custo”. 

Assim, condições antes toleradas — como salários baixos, jornadas rígidas e ausência de propósito — perderam espaço nas decisões de carreira. 

Retenção de talentos expõe fragilidades históricas das empresas 

Sob a ótica corporativa, o avanço das demissões voluntárias também escancarou gargalos estruturais de gestão. 

“Estruturas salariais pouco atrativas, trajetórias de carreiras limitadas e modelos rígidos de jornada e liderança contribuem para esse cenário”, diz Braga. 

Além disso, o acesso ampliado a informações de mercado fortaleceu o poder de decisão dos trabalhadores, que hoje comparam propostas com mais facilidade. 

Diante desse contexto, empresas passaram a rever estratégias de retenção de talentos

“A retenção deixou de ser apenas uma questão de remuneração e passou a refletir a qualidade da experiência cotidiana de trabalho”, afirma. 

Programas de desenvolvimento, bônus por desempenho e modelos híbridos tornaram-se instrumentos recorrentes para reduzir perdas de profissionais. 

Comércio, serviços e construção lideram desligamentos em Minas Gerais 

Em termos setoriais, os desligamentos se concentram em segmentos intensivos em mão de obra. 

Comércio, serviços e construção civil lideram o volume absoluto de demissões voluntárias em Minas Gerais, impulsionados pela alta rotatividade histórica dessas atividades. 

Por outro lado, áreas como tecnologia, engenharia e finanças registram saídas relevantes por motivo distinto: escassez de profissionais qualificados e forte disputa salarial. 

Empresas ainda reagem de forma lenta, avaliam especialistas 

Apesar das mudanças, parte das organizações ainda atua de forma reativa. 

“É comum tentar resolver o problema com uma contraoferta salarial de última hora, mas essa costuma ser uma estratégia pouco eficaz, porque, quando a decisão de sair já foi tomada, o salário normalmente não é a causa principal”, justifica Giovanna Gregori. 

Isso reforça que retenção de talentos exige abordagem sistêmica, não apenas financeira. 

Demissões voluntárias devem seguir elevadas no médio prazo 

A perspectiva é de continuidade do fenômeno, ainda que sem crescimento linear. 

“Em mercados mais dinâmicos, a mobilidade voluntária costuma ser interpretada como sinal de maior competição por talentos e de um ajuste mais sofisticado entre expectativas profissionais e ofertas de emprego”, avalia Braga. 

Gregori compartilha visão semelhante. 

“Não estamos vivendo um pico pontual, é uma mudança estrutural na relação entre trabalhador e empregador”. 

Segundo ela, profissionais buscam mais que remuneração. 

“Flexibilidade, possibilidade de trabalho remoto ou híbrido, lideranças com as quais façam sentido se conectar e ambientes mais saudáveis passaram a ser decisivos. Quando a empresa oferece só salário e ignora esse conjunto, ela acaba perdendo a disputa por talentos”, alerta. 

Cenário depende do ritmo da economia 

Ainda assim, o movimento pode oscilar conforme o ciclo econômico. 

“Desaceleração do crescimento, aumento do desemprego ou instabilidade macroeconômica costumam tornar a decisão de pedir demissão mais cautelosa”, finaliza Braga. 

Portanto, embora a mobilidade profissional esteja em alta, sua intensidade seguirá condicionada ao ambiente econômico. 

Veja mais em: Demissões voluntárias crescem 147% em Minas em cinco anos

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Célio Braga
Célio Braga
15/02/2026 13:44

Chama-se de pleno emprego, agradeçam ao LULA, o cara trabalha muito, nunca fez uma motociata na vida.

Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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