Demissões voluntárias crescem 147% em Minas Gerais, impulsionadas pela mobilidade profissional e desafios de retenção de talentos.
O volume de demissões voluntárias registrou forte expansão em Minas Gerais nos últimos cinco anos, refletindo mudanças profundas no mercado de trabalho.
Entre 2020 e 2025, os desligamentos a pedido do trabalhador cresceram 147%, saltando de 385 mil para 951 mil, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
O movimento ocorre no contexto da retomada econômica pós-pandemia, da digitalização acelerada e da ampliação das oportunidades profissionais.
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Como resultado, trabalhadores passaram a exercer maior mobilidade profissional, buscando melhores salários, qualidade de vida e perspectivas de desenvolvimento.
No Brasil, a tendência seguiu a mesma direção.
As saídas voluntárias passaram de 15,9 milhões em 2020 para 25,3 milhões em 2025, evidenciando que o fenômeno não é isolado, mas parte de uma transformação estrutural nas relações entre empresas e profissionais.
Mobilidade profissional ganha força com retomada econômica
Para o presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos em Minas (ABRH-MG), David Braga, o avanço das demissões voluntárias sinaliza uma mudança relevante no comportamento da força de trabalho.
“O avanço dessas demissões revela uma mudança silenciosa, porém profunda, na dinâmica do mercado.
A retomada econômica pós-pandemia reduziu o receio do desemprego e ampliou a mobilidade profissional, encorajando trabalhadores a buscarem melhores condições de remuneração, desenvolvimento e qualidade de vida”, afirma.
Segundo ele, não se trata apenas de insatisfação pontual.
Há, portanto, uma estratégia de reposicionamento de carreira em curso.
“A digitalização acelerada e o surgimento de novos modelos de negócio ampliaram as possibilidades de carreira, sobretudo nos setores de serviços e tecnologia, que passaram a disputar talentos com mais intensidade”, explica.
Digitalização e novos negócios ampliam disputas por talentos
A transformação digital aparece como vetor central dessa mudança no mercado de trabalho.
Setores ligados à tecnologia e serviços passaram a demandar competências específicas, elevando salários e benefícios.
Em consonância com Braga, a fundadora da People Leap, Giovanna Gregori, observa uma alteração no perfil comportamental dos profissionais.
“A pandemia acelerou uma revisão de prioridades: as pessoas passaram a valorizar mais saúde mental, flexibilidade e qualidade de vida do que estabilidade a qualquer custo”.
Assim, condições antes toleradas — como salários baixos, jornadas rígidas e ausência de propósito — perderam espaço nas decisões de carreira.
Retenção de talentos expõe fragilidades históricas das empresas
Sob a ótica corporativa, o avanço das demissões voluntárias também escancarou gargalos estruturais de gestão.
“Estruturas salariais pouco atrativas, trajetórias de carreiras limitadas e modelos rígidos de jornada e liderança contribuem para esse cenário”, diz Braga.
Além disso, o acesso ampliado a informações de mercado fortaleceu o poder de decisão dos trabalhadores, que hoje comparam propostas com mais facilidade.
Diante desse contexto, empresas passaram a rever estratégias de retenção de talentos.
“A retenção deixou de ser apenas uma questão de remuneração e passou a refletir a qualidade da experiência cotidiana de trabalho”, afirma.
Programas de desenvolvimento, bônus por desempenho e modelos híbridos tornaram-se instrumentos recorrentes para reduzir perdas de profissionais.
Comércio, serviços e construção lideram desligamentos em Minas Gerais
Em termos setoriais, os desligamentos se concentram em segmentos intensivos em mão de obra.
Comércio, serviços e construção civil lideram o volume absoluto de demissões voluntárias em Minas Gerais, impulsionados pela alta rotatividade histórica dessas atividades.
Por outro lado, áreas como tecnologia, engenharia e finanças registram saídas relevantes por motivo distinto: escassez de profissionais qualificados e forte disputa salarial.
Empresas ainda reagem de forma lenta, avaliam especialistas
Apesar das mudanças, parte das organizações ainda atua de forma reativa.
“É comum tentar resolver o problema com uma contraoferta salarial de última hora, mas essa costuma ser uma estratégia pouco eficaz, porque, quando a decisão de sair já foi tomada, o salário normalmente não é a causa principal”, justifica Giovanna Gregori.
Isso reforça que retenção de talentos exige abordagem sistêmica, não apenas financeira.
Demissões voluntárias devem seguir elevadas no médio prazo
A perspectiva é de continuidade do fenômeno, ainda que sem crescimento linear.
“Em mercados mais dinâmicos, a mobilidade voluntária costuma ser interpretada como sinal de maior competição por talentos e de um ajuste mais sofisticado entre expectativas profissionais e ofertas de emprego”, avalia Braga.
Gregori compartilha visão semelhante.
“Não estamos vivendo um pico pontual, é uma mudança estrutural na relação entre trabalhador e empregador”.
Segundo ela, profissionais buscam mais que remuneração.
“Flexibilidade, possibilidade de trabalho remoto ou híbrido, lideranças com as quais façam sentido se conectar e ambientes mais saudáveis passaram a ser decisivos. Quando a empresa oferece só salário e ignora esse conjunto, ela acaba perdendo a disputa por talentos”, alerta.
Cenário depende do ritmo da economia
Ainda assim, o movimento pode oscilar conforme o ciclo econômico.
“Desaceleração do crescimento, aumento do desemprego ou instabilidade macroeconômica costumam tornar a decisão de pedir demissão mais cautelosa”, finaliza Braga.
Portanto, embora a mobilidade profissional esteja em alta, sua intensidade seguirá condicionada ao ambiente econômico.
Veja mais em: Demissões voluntárias crescem 147% em Minas em cinco anos

Chama-se de pleno emprego, agradeçam ao LULA, o cara trabalha muito, nunca fez uma motociata na vida.