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Como o Japão superou a bomba nuclear e hoje abriga milhões de pessoas em Hiroshima, enquanto a Ucrânia perdeu Chernobyl?

Publicado em 08/03/2026 às 18:47
Atualizado em 08/03/2026 às 18:48
Bomba nuclear, Hiroshima, Shernobyl
Imagem: Ilustração
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Comparação entre Hiroshima e Chernobyl mostra como quantidade de material nuclear, dispersão da radiação e meia-vida dos elementos determinaram destinos completamente diferentes após os dois desastres

A diferença entre Chernobyl e Hiroshima continua despertando dúvidas sobre por que duas tragédias nucleares tiveram consequências tão distintas. Enquanto a cidade japonesa foi reconstruída e hoje tem mais de um milhão de habitantes, a região do acidente de Chernobyl segue praticamente desabitada.

Apesar de ambos serem considerados grandes desastres nucleares do século XX, fatores como a quantidade de material radioativo liberado, a forma de dispersão da radiação e os elementos envolvidos explicam por que os impactos ambientais foram tão diferentes.

Escala do material nuclear presente

A primeira diferença central entre Hiroshima e Chernobyl está na quantidade de material radioativo presente em cada evento.

A bomba atômica chamada “Little Boy”, lançada sobre Hiroshima em 1945, carregava cerca de 64 quilos de urânio. Contudo, apenas uma pequena fração desse material participou da reação nuclear que gerou a explosão.

Já no acidente de Chernobyl, o reator número 4 da usina continha aproximadamente 180 toneladas de combustível nuclear.

Estimativas apontam que cerca de sete toneladas de material físsil foram lançadas na atmosfera após a explosão do reator, ampliando drasticamente o alcance da contaminação radioativa no desastre de Chernobyl.

Forma como a radiação se espalhou

Outro fator decisivo para explicar as diferenças entre Hiroshima e Chernobyl foi a maneira como a radiação foi dispersa no ambiente.

Em Hiroshima, a bomba detonou no ar, a cerca de 580 metros de altitude. Essa explosão aérea fez com que grande parte das partículas radioativas fosse carregada pelas correntes de ar antes de atingir o solo.

Esse processo reduziu a concentração de resíduos radioativos que ficaram depositados na superfície da cidade.

No caso de Chernobyl, a explosão ocorreu diretamente ao nível do solo, destruindo o reator nuclear e iniciando um incêndio que durou aproximadamente dez dias.

Durante esse período prolongado, material radioativo continuou sendo liberado para o ambiente, permitindo que partículas contaminantes penetrassem no solo e alcançassem lençóis freáticos, contaminando o ecossistema de forma muito mais profunda.

Tipos de elementos radioativos envolvidos

O tipo de elementos radioativos liberados também ajuda a entender por que Hiroshima conseguiu se recuperar, enquanto Chernobyl permanece uma zona de exclusão.

A explosão nuclear em Hiroshima gerou principalmente isótopos com meia-vida curta.

Esses elementos perdem radioatividade relativamente rápido, e em poucas semanas os níveis de radiação já haviam diminuído de forma significativa, permitindo que a reconstrução da cidade começasse nos anos seguintes.

Elementos persistentes em Chernobyl

No desastre de Chernobyl, por outro lado, grandes quantidades de césio-137 e estrôncio-90 foram liberadas no ambiente.

Esses elementos possuem meia-vida aproximada de 30 anos, o que prolonga o tempo necessário para que a radiação diminua a níveis seguros.

Além disso, resíduos de plutônio também foram liberados. Esse material permanece ativo por períodos muito mais longos, podendo representar risco por séculos.

Essas diferenças ajudam a explicar por que Hiroshima foi reconstruída e voltou a ser habitada, enquanto áreas próximas ao reator de Chernobyl continuam dentro de uma zona de exclusão.

Mesmo após quase quatro décadas do acidente, o território afetado pelo desastre nuclear de Chernobyl segue marcado por contaminação duradoura e restrições de habitação.

Com informações de Xataka.

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Romário Pereira de Carvalho

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