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Com salários praticamente estagnados em 2026, só 20% das empresas planejam aumento real, empresas vão apostar pesado em benefícios (plano de saúde, bônus, alimentação, previdência e flexibilidade) para tentar conter a insatisfação e reter talentos em meio à escassez de profissionais qualificados

Publicado em 29/11/2025 às 12:14
Com salários praticamente estagnados em 2026, só 20% das empresas terão aumento real. Benefícios, bônus e flexibilidade viram armas para reter e atrair talentos.
Com salários praticamente estagnados em 2026, só 20% das empresas terão aumento real. Benefícios, bônus e flexibilidade viram armas para reter e atrair talentos.
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Com salários praticamente estagnados em 2026, a pesquisa da Michael Page mostra empresas apertando o caixa, 45% limitadas a reajustes obrigatórios e 55% apostando em pacotes de benefícios, saúde, alimentação, previdência e trabalho híbrido para tentar conter a insatisfação e a fuga de profissionais qualificados no mercado de trabalho brasileiro.

A perspectiva de entrar em 2026 com salários praticamente estagnados já está no radar da maior parte dos profissionais formais no Brasil. Segundo o Guia Salarial 2026, elaborado pela Michael Page, apenas 20% das empresas pretendem conceder aumento real no próximo ano, enquanto 45% falam apenas em repassar os reajustes obrigatórios, repetindo o aperto visto em 2024 e 2025.

O movimento revela um ponto de tensão claro. De um lado, companhias focadas em preservar a saúde do caixa em um cenário de incertezas e busca intensa por eficiência. De outro, trabalhadores que veem o custo de vida subir, percebem salários praticamente estagnados e se mostram cada vez mais dispostos a trocar de emprego em busca de remuneração melhor, benefícios mais robustos e maior flexibilidade no dia a dia.

Salários praticamente estagnados e um mercado de humor azedo

Os dados da pesquisa indicam que, nos últimos 12 meses, 59% dos profissionais não tiveram qualquer aumento. Apenas 5% dizem estar muito satisfeitos com o que ganham hoje, um retrato direto do impacto de salários praticamente estagnados sobre o humor no ambiente corporativo.

O reflexo aparece também na relação com o trabalho. Só 16% dos entrevistados afirmam estar muito satisfeitos com o emprego atual, enquanto 38% dizem estar pouco satisfeitos e 35% relatam algum nível de descontentamento.

Na prática, isso significa times mais desmotivados, líderes gastando energia para conter pedidos de desligamento e empresas disputando um mesmo grupo de profissionais qualificados com armas que vão além do contracheque.

Executivos ouvidos no estudo apontam que conceder aumento real vira um compromisso permanente no custo fixo, o que leva muitas organizações a adotar uma postura de observação. Primeiro, esperam o movimento do mercado.

Depois, avaliam se conseguem acompanhar ou se precisam compensar a falta de reajuste com outros tipos de atrativos.

Benefícios sobem de patamar e viram moeda de retenção

Sem espaço no orçamento para romper a lógica de salários praticamente estagnados, a saída imediata tem sido reforçar o pacote de benefícios. A pesquisa mostra que 55% dos entrevistados enxergam esses itens como essenciais para atrair e reter talentos, especialmente em cargos mais qualificados.

Entre os benefícios que mais pesam na decisão de aceitar ou permanecer em uma vaga aparecem plano de saúde robusto, auxílio alimentação mais alto, previdência privada, bônus anual e programas estruturados de capacitação.

Em muitos casos, empresas fazem ajustes finos nesses itens em vez de aumentar diretamente o salário, porque benefícios podem ter custo mais flexível e impacto tributário menor, além de serem mais simples de ajustar ano a ano.

Para os profissionais, porém, o recado é claro. Não basta oferecer qualquer pacote de benefícios. O que conta é se o conjunto faz diferença na vida real.

Um plano de saúde que cobre hospitais de referência na região, um vale alimentação que acompanha o preço médio das refeições e um bônus que de fato chega ao bolso são vistos como sinais concretos de valorização, mesmo em um cenário de salários praticamente estagnados.

Flexibilidade, saúde mental e pacotes personalizados ainda engatinham

O estudo mostra que 42% dos candidatos consideram essencial ter benefícios flexíveis, isto é, a possibilidade de montar um cardápio sob medida a partir de um saldo, escolhendo entre saúde, alimentação, educação, bem-estar ou mobilidade.

Na prática, porém, 48% das empresas ainda oferecem pacotes padronizados, sem margem para personalização por faixa etária, momento de vida ou perfil familiar.

Essa distância gera frustração silenciosa. Um profissional que não tem filhos talvez valorize mais auxílio educação, cursos e apoio à saúde mental do que uma escola infantil subsidiada. Já quem tem família numerosa tende a priorizar plano de saúde amplo e vale alimentação reforçado.

Quando tudo é igual para todos, uma parte relevante do time sente que o pacote não conversa com suas necessidades reais.

Mesmo assim, especialistas ressaltam que benefícios não substituem o salário. Eles reduzem o impacto dos salários praticamente estagnados, melhoram a percepção de cuidado por parte da empresa e podem segurar a demissão por algum tempo, mas dificilmente compensam, sozinhos, anos seguidos sem ganho real de renda.

Escassez de talentos pressiona empresas a ir além do salário

A pesquisa da Michael Page traz outro dado importante. Setenta e três por cento das empresas relatam dificuldade para contratar profissionais qualificados.

E a demanda vai além do domínio técnico. Oitenta e oito por cento das companhias afirmam valorizar cada vez mais habilidades comportamentais, como inteligência emocional, pensamento crítico e adaptabilidade.

Nesse contexto, reter quem já está dentro se torna tão estratégico quanto contratar bem. Salários praticamente estagnados somados a ofertas mais agressivas da concorrência aumentam o risco de perder justamente os profissionais mais disputados, aqueles que conseguem migrar rapidamente para outras empresas, setores ou até países.

Os programas de desenvolvimento poderiam ser uma resposta a essa equação, mas os números mostram um gargalo. Sessenta por cento das empresas declaram oferecer algum tipo de capacitação, porém só 28% dos profissionais dizem usar esse benefício.

Falta comunicação clara, tempo liberado na agenda e, em muitos casos, alinhamento entre o que é oferecido e o que de fato ajuda na carreira de médio prazo.

Quadros estáveis, contratações pontuais e reajustes tímidos

Quando olham para 2026, 49% das empresas planejam manter o quadro de funcionários estável, sem grandes movimentos de expansão ou cortes.

Outras 44% falam em contratar, mas com aumentos moderados, normalmente até 10%, concentrados em posições estratégicas ou áreas de crescimento mais acelerado.

Na leitura dos analistas, isso confirma o cenário de salários praticamente estagnados para a maioria dos cargos, com bolsões de valorização em tecnologia, finanças, saúde, energia e outros segmentos em que a disputa por talentos segue intensa.

Para quem está fora desses nichos, a mensagem é dura. Será preciso negociar bem, reforçar a formação e usar a combinação entre benefícios e flexibilidade como parte relevante da equação total de remuneração.

Presencial, híbrido e o peso da rotina na decisão de ficar ou sair

A pesquisa também mapeia como as empresas têm organizado o trabalho. Quarenta e dois por cento ainda operam em modelo presencial integral, enquanto 44% adotam o formato híbrido, alternando dias no escritório e em home office. Em muitos casos, essa flexibilidade aparece como um dos benefícios mais valorizados pelos funcionários.

Para profissionais que convivem com salários praticamente estagnados, poder economizar com transporte, alimentação fora de casa e tempo de deslocamento pesa tanto quanto um reajuste formal, principalmente nas grandes cidades.

Por outro lado, empresas temem perder cultura organizacional e colaboração ao reduzir demais a presença física.

Especialistas destacam que flexibilidade bem estruturada pode se tornar um diferencial competitivo de baixo custo.

Ajustes na jornada, possibilidade de trabalho remoto em alguns dias por semana, banco de horas transparente e políticas claras para pais e mães são exemplos de medidas que ampliam o valor percebido pelo colaborador sem alterar a folha de pagamento de forma permanente.

Diante desse cenário, a recomendação de consultores de carreira é que o profissional passe a olhar para seu pacote de remuneração de forma mais ampla. Em vez de enxergar apenas o valor líquido no fim do mês, é importante somar benefícios, bônus, oportunidades de aprendizado, equilíbrio entre vida pessoal e trabalho e possibilidades reais de crescimento.

Ao mesmo tempo, as empresas que desejam reter gente boa em um ambiente de salários praticamente estagnados precisam ser mais transparentes.

Explicar a política de remuneração, mostrar critérios para promoções, deixar claro o que é fixo e o que é variável e ouvir com atenção as prioridades dos times são passos fundamentais para evitar surpresas desagradáveis.

No fim, quem tende a ficar nas empresas são os profissionais que sentem coerência entre discurso e prática.

E quem tende a sair são aqueles que percebem que, ano após ano, a soma de salário, benefícios, ambiente e perspectiva de crescimento não compensa o esforço, a responsabilidade e a pressão diária.

E você, se o seu aumento em 2026 vier mais em benefícios do que no contracheque, isso é suficiente para te convencer a ficar onde está ou te faria olhar com mais carinho para outras propostas?

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Fonte
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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