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Com mais de 300 metros de comprimento e reformado a partir de um casco soviético inacabado, o Liaoning, da China, marcou a entrada do país no seleto grupo que opera grandes porta-aviões

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 13/03/2026 às 21:53
Liaoning nasceu de um casco soviético da União Soviética, virou porta-aviões da China e mudou o equilíbrio naval asiático.
Liaoning nasceu de um casco soviético da União Soviética, virou porta-aviões da China e mudou o equilíbrio naval asiático.
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O Liaoning nasceu de um antigo projeto soviético abandonado na Ucrânia, foi comprado oficialmente por uma empresa civil e acabou reconstruído pela China ao longo de uma década até se tornar o primeiro porta-aviões operacional da marinha chinesa

O Liaoning é hoje um dos símbolos mais visíveis da transformação militar e tecnológica da China nas últimas décadas. Com mais de 300 metros de comprimento e cerca de 60 mil toneladas de deslocamento, o navio marcou a entrada do país no grupo restrito de nações capazes de operar grandes porta-aviões.

A história do Liaoning, porém, começa muito antes de sua incorporação à marinha chinesa. O navio surgiu originalmente como um casco soviético inacabado que, após o colapso da União Soviética, ficou abandonado na Ucrânia até ser comprado e reconstruído em um dos projetos navais mais ambiciosos da China moderna.

O casco soviético que deu origem ao Liaoning

Liaoning nasceu de um casco soviético da União Soviética, virou porta-aviões da China e mudou o equilíbrio naval asiático.

A origem do Liaoning remonta aos últimos anos da União Soviética.

Na década de 1980, estaleiros soviéticos começaram a construir um novo porta-aviões da classe Kuznetsov chamado Varyag. O navio teria mais de 300 metros de comprimento e deslocaria dezenas de milhares de toneladas.

Ele foi projetado como um híbrido peculiar da doutrina naval soviética.

Além de operar aeronaves de combate, o navio também possuía forte armamento próprio, incluindo grandes mísseis antinavio.

O objetivo era criar uma combinação entre porta-aviões e cruzador de ataque pesado.

No entanto, o projeto nunca seria concluído.

Com o colapso da União Soviética em 1991, o Varyag ficou cerca de 70% pronto, mas sem financiamento para terminar a construção.

O abandono do navio após o fim da União Soviética

Liaoning nasceu de um casco soviético da União Soviética, virou porta-aviões da China e mudou o equilíbrio naval asiático.

Após a dissolução da URSS, o casco que futuramente se tornaria o Liaoning ficou parado no estaleiro ucraniano de Mykolaiv.

A Ucrânia herdou o navio, mas não tinha recursos nem necessidade militar para concluir um porta-aviões desse tamanho.

A Rússia, por sua vez, enfrentava uma grave crise econômica e também não conseguiu comprar o navio.

Por anos, o gigantesco casco permaneceu enferrujando no porto.

Sem motores, sem sistemas eletrônicos e sem armamentos, ele parecia destinado a virar sucata naval.

Em 1998, o governo ucraniano decidiu vender a estrutura.

A compra inesperada que iniciou a história do Liaoning

Vídeo do YouTube

Foi nesse momento que surgiu uma proposta curiosa.

Uma empresa pouco conhecida de Macau declarou que compraria o navio por cerca de 20 milhões de dólares.

O plano oficial apresentado era transformar o casco em um grande cassino e hotel flutuante.

A história parecia extravagante, mas acabou sendo aceita.

Posteriormente, muitos analistas passaram a considerar que o projeto civil era apenas uma estratégia para permitir que a China adquirisse o casco sem gerar reação internacional imediata.

Na prática, o que estava sendo comprado não era um cassino flutuante, mas a base de um futuro porta-aviões.

A longa viagem do casco até a China

Levar o casco do futuro Liaoning até a China foi um processo complicado.

Sem motores ou sistemas de navegação, o navio precisou ser rebocado por uma flotilha de rebocadores.

O maior obstáculo foi a travessia do estreito de Bósforo, controlado pela Turquia.

Por mais de um ano, a passagem foi negada por motivos de segurança e pressão política internacional.

Somente após negociações diplomáticas e garantias financeiras o navio recebeu autorização para seguir viagem.

A travessia de mais de 28 mil quilômetros até a China levou mais de um ano para ser concluída.

Em 2002, o casco finalmente chegou ao porto de Dalian, no norte do país.

A reconstrução que transformou o casco no Liaoning

Quando chegou à China, o navio que se tornaria o Liaoning era basicamente uma estrutura vazia.

Durante quase uma década, milhares de engenheiros e técnicos trabalharam na reconstrução completa da embarcação.

A China instalou novos sistemas de propulsão, radares, eletrônicos e sistemas de combate.

Uma das mudanças mais importantes foi a remoção dos grandes silos de mísseis soviéticos.

Isso transformou o navio em um porta-aviões focado principalmente na operação de aeronaves.

O convés foi adaptado com uma rampa inclinada conhecida como ski-jump, usada para ajudar os caças a decolar sem catapultas.

Em 2012, o navio foi oficialmente incorporado à marinha chinesa com o nome Liaoning, em referência à província onde foi reconstruído.

O papel do Liaoning na marinha chinesa

Embora seja um grande navio de guerra, o principal papel do Liaoning sempre foi servir como plataforma de aprendizado.

A China nunca havia operado porta-aviões antes.

Por isso, o navio se tornou essencial para desenvolver doutrina, treinamento e operações de aviação naval.

O Liaoning normalmente opera com cerca de duas dezenas de caças embarcados J-15, além de helicópteros para missões de vigilância, resgate e guerra antissubmarino.

Cada operação no convés serve como experiência para pilotos, engenheiros e comandantes navais.

Essas lições foram fundamentais para o desenvolvimento de porta-aviões chineses mais modernos.

O impacto estratégico do Liaoning

O surgimento do Liaoning marcou uma mudança importante na estratégia naval da China.

Tradicionalmente focada na defesa costeira, a marinha chinesa começou a desenvolver capacidades de projeção de poder em águas mais distantes.

O porta-aviões permite que a China opere aeronaves embarcadas longe do território continental e proteja rotas marítimas estratégicas.

Ele também representa um símbolo político da ascensão do país como potência naval global.

Além disso, o conhecimento obtido com o navio permitiu a construção de novos porta-aviões chineses, incluindo modelos mais avançados.

A trajetória do Liaoning mostra como um casco abandonado após o fim da Guerra Fria acabou se tornando a base da moderna aviação naval chinesa.

O navio transformou uma relíquia soviética em um instrumento estratégico que ajudou a inaugurar uma nova fase da marinha da China.

Mais do que um porta-aviões, o Liaoning foi uma escola flutuante que abriu caminho para uma nova geração de navios militares.

Agora fica uma questão interessante.

Você acredita que a transformação do Liaoning foi apenas um passo inicial ou o começo de uma nova corrida naval no Pacífico?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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