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Com 44,5 mil toneladas, 284 metros de comprimento e capacidade para mais de 30 aeronaves, o INS Vikramaditya transformou um antigo casco soviético em uma base aérea flutuante e recolocou a Índia no seleto grupo das grandes potências com porta-aviões

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 08/03/2026 às 20:22
Atualizado em 08/03/2026 às 20:24
INS Vikramaditya: conheça o porta-aviões da Índia que nasceu soviético, virou base aérea flutuante e opera caças MiG-29K no Oceano Índico.
INS Vikramaditya: conheça o porta-aviões da Índia que nasceu soviético, virou base aérea flutuante e opera caças MiG-29K no Oceano Índico.
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Porta-aviões indiano de 44,5 mil toneladas nasceu como navio soviético, passou por ampla reforma na Rússia e tornou-se peça central da estratégia naval da Índia, capaz de operar mais de 30 aeronaves e projetar poder militar a longas distâncias no Oceano Índico.

O INS Vikramaditya consolidou-se como uma das peças mais relevantes da estrutura naval indiana ao reunir grande porte, capacidade de lançar caças em alto-mar e uma trajetória incomum entre os navios de guerra em operação.

De acordo com o Press Information Bureau, braço oficial de comunicação do governo da Índia, o porta-aviões desloca 44,5 mil toneladas, mede cerca de 284 metros e pode embarcar mais de 30 aeronaves, combinação que o transformou em uma plataforma aérea flutuante voltada à projeção de poder longe do litoral.

Porta-aviões que nasceu na União Soviética

A incorporação do navio marcou uma mudança de escala para a Marinha Indiana porque o casco não foi concebido originalmente para servir ao país.

INS Vikramaditya: conheça o porta-aviões da Índia que nasceu soviético, virou base aérea flutuante e opera caças MiG-29K no Oceano Índico.
INS Vikramaditya: conheça o porta-aviões da Índia que nasceu soviético, virou base aérea flutuante e opera caças MiG-29K no Oceano Índico.

Antes de navegar sob bandeira indiana, a embarcação era o Admiral Gorshkov, unidade soviética depois reformada pela Rússia e convertida, após amplo processo de modernização, no INS Vikramaditya, oficialmente comissionado em 16 de novembro de 2013.

O governo indiano apresentou essa transformação como um passo decisivo para ampliar o alcance operacional de sua força naval e manter a tradição de operar porta-aviões.

Estrutura que funciona como um aeródromo flutuante

A dimensão do navio ajuda a explicar por que ele costuma ser descrito por autoridades indianas como um “aeródromo flutuante”.

No material oficial divulgado no comissionamento, o governo afirma que a embarcação tem 22 conveses, altura equivalente à de um edifício de cerca de 20 andares e acomoda mais de 1,6 mil pessoas entre tripulação, técnicos e integrantes da ala aérea.

Ainda segundo a mesma descrição, o navio pode carregar mais de 8 mil toneladas de combustível naval e operar por mais de 7 mil milhas náuticas, características que ampliam sua permanência no mar e sua utilidade em missões prolongadas.

Ala aérea com caças MiG-29K e helicópteros de guerra

Essa escala só ganha sentido pleno quando observada em conjunto com a aviação embarcada, elemento central da função militar do Vikramaditya.

As informações oficiais indianas apontam que o porta-aviões foi preparado para operar caças MiG-29K e MiG-29KUB, além de helicópteros Kamov-31, Kamov-28, Sea King, ALH Dhruv e Chetak, reunindo meios voltados à defesa aérea, ataque, vigilância e guerra antissubmarino.

INS Vikramaditya: conheça o porta-aviões da Índia que nasceu soviético, virou base aérea flutuante e opera caças MiG-29K no Oceano Índico.
INS Vikramaditya: conheça o porta-aviões da Índia que nasceu soviético, virou base aérea flutuante e opera caças MiG-29K no Oceano Índico.

Quando o primeiro ano de operação ainda estava em curso, o governo já informava que pilotos indianos realizavam decolagens e pousos de MiG-29K a bordo, sinalizando que o navio havia ultrapassado o estágio simbólico para assumir papel efetivo em operações navais.

Sistema de propulsão e potência energética do navio

A estrutura de propulsão reforça o perfil de grande unidade de combate e diferencia o porta-aviões de navios convencionais empregados em patrulha ou escolta.

Segundo o Press Information Bureau, o sistema utiliza oito caldeiras a vapor de nova geração com potência combinada de 180 mil shaft horse power, transmitida a quatro hélices, enquanto a geração elétrica a bordo chega a cerca de 18 megawatts.

Esse volume de energia sustenta não apenas os sistemas internos do navio, mas também a operação aérea, os sensores, os equipamentos de missão e a rotina de uma tripulação numerosa durante deslocamentos longos.

Sensores, radares e guerra eletrônica

Outro ponto decisivo está na modernização dos sensores e dos sistemas de comando, indispensáveis para o emprego de um porta-aviões em ambiente de combate.

O governo indiano informou que a embarcação recebeu radares de vigilância aérea de longo alcance, suíte avançada de guerra eletrônica e um conjunto de equipamentos destinado a manter um amplo perímetro de monitoramento em torno do grupo naval.

Também foram incorporados sistemas de apoio à operação aérea, como o LUNA Landing System, o DAPS e recursos de iluminação de convés, voltados à recuperação e ao controle de aeronaves embarcadas.

Papel estratégico na Marinha Indiana

Na prática, o Vikramaditya passou a funcionar como núcleo de um sistema mais amplo de combate marítimo, e não como unidade isolada.

Vídeo do YouTube

Ao apresentar o navio, o Ministério da Defesa indiano afirmou que sua entrada em serviço ampliaria o alcance e a capacidade operacional da marinha, enquanto o então chefe naval destacou que a incorporação ajudaria a preencher o intervalo entre o envelhecimento do INS Viraat e a chegada do porta-aviões indígena Vikrant.

O movimento também se encaixou na estratégia de consolidar uma marinha capaz de operar em águas azuis, com presença consistente no Oceano Índico e em áreas mais distantes.

Manutenção recente e futuro do navio

Esse histórico explica por que o Vikramaditya segue tratado em Nova Déli como um ativo estratégico de longo prazo, mesmo após mais de uma década desde o comissionamento.

Em 30 de novembro de 2024, o Ministério da Defesa assinou com a Cochin Shipyard Limited um contrato de 1.207,5 crore de rúpias para o short refit and dry docking da embarcação.

Na ocasião, o governo declarou que, ao término do ciclo de manutenção, o navio retornará à frota ativa com capacidade de combate aprimorada, além de apresentar o projeto como impulso à infraestrutura indiana de manutenção naval.

O peso simbólico do porta-aviões também decorre da imagem que ele projeta sobre a própria ambição naval indiana.

Poucas embarcações combinam, de maneira tão visível, herança soviética, reforma russa, operação indiana, convés de grandes dimensões e uma ala aérea capaz de sustentar missões de combate em alto-mar.

Por isso, o INS Vikramaditya permanece no centro do debate sobre a capacidade da Índia de sustentar presença militar continuada no espaço marítimo que considera prioritário para sua segurança e sua influência regional.

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N.S.L
N.S.L
10/03/2026 16:08

O más engraçado é que na guerra moderna porta aviões apenas são peças que custam valores absurdos e não são projetados pra lhe dar com drones e mísseis. Um país que desenvolva um sistema eficiente de mísseis, drones e radares, além de uma rede de satélite para georreferenciamento… Consegue facilmente se defender e obliterar esses porta aviões. E por um custo bem menor. Afinal o custo e tempo de se produzir mísseis é infinitamente menor que o de se construir e manter essas embarcações enormes. A guerra do irã, pra quem acompanha pelas mídias não convencionais (já que as convencionais possuem uma tendência a reproduzir apenas o discurso Americano e Israelense). Se percebe o estrago que o Irã está infligindo ao destruir bases e radares americanos de monitoramento de antecipado de mísseis. Além de passar e atingir alvos estratégicos por todo o território de Israel, ao ponto de proibirem a população de postar vídeo dos ataques dentro de Israel. Essa história de navios grandes de guerra é uma retórica antiga onde Estados Unidos com um hábito de ficar indo a outros continentes para atacar países usava as frotas navais para deslocar grande parte de seus ativos. Na guerra moderna tem muito pouca utilidade e não representa uma força que proteja um país quando se trata de defender seu território. Os países ao redor do mundo deveriam aprender com essa guerra do irã e focar em desenvolver e aprimorar programas de mísseis com tecnologias nacionais e radares e satélites. Com distribuição por todo território em locais não divulgados publicamente por interesse de proteção da soberania e estratégia de defesa diante de um possível agressor. Isso sim torna um país com forte poder militar pra defesa.

Roberto
Roberto
10/03/2026 12:18

Es de papel de pildo paldo

Damian
Damian
10/03/2026 10:56

Que se habrá tomado el que escribio la nota!!! Solo las 2 anclas juntas pesan 4,5 toneladas!!

Jesus
Jesus
Em resposta a  Damian
10/03/2026 23:42

Jajaja y que me dices del combustible rinde para 7 millas náuticas y tiene una tripulación de 1.6 personas jajaja

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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