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Cientistas avisam que um dos satélites mais caros já construídos, avaliado em US$ 4,7 bilhões, pode cair em direção à Terra

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 16/01/2026 às 20:37
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A órbita do Hubble perde altitude de forma constante e o reingresso pode espalhar destroços, com baixo risco para áreas povoadas, mas impacto global potencial

O telescópio espacial Hubble continua funcionando e ainda envia dados importantes para a ciência. Mesmo assim, a altitude da sua órbita vem caindo de forma constante, o que aumenta o risco de reentrada na atmosfera da Terra.

O assunto ganhou força porque envolve um dos observatórios mais famosos do mundo, com décadas de operação e sem as mesmas opções de manutenção que existiam no passado. A projeção mais provável aponta para 2033, mas existe chance de ocorrer antes, chegando a 2029.

A principal preocupação é o que pode sobreviver ao calor extremo durante a reentrada e onde esses fragmentos poderiam cair, mesmo com baixa probabilidade de atingir regiões habitadas.

Hubble segue ativo, mas a órbita está perdendo altura aos poucos

Lançado em 1990, o Hubble se tornou uma referência na astronomia moderna. Ao longo dos anos, ajudou a confirmar a existência de buracos negros, acompanhou a expansão do universo e revelou luas desconhecidas de Plutão.

Mesmo com a missão ainda em andamento, a perda de altitude mostra que o telescópio não está livre da influência da atmosfera. Esse processo é gradual, mas constante.

Com o tempo, a redução da órbita aumenta o risco de o equipamento voltar para camadas mais densas do ar e iniciar uma queda sem controle.

Por que o Hubble pode cair mesmo estando no espaço

O Hubble orbita a Terra a cerca de 550 quilômetros de altura, dentro da órbita terrestre baixa. Ele se move a aproximadamente 28.000 quilômetros por hora, em uma região onde ainda existe um nível mínimo de atmosfera.

Essa resistência, mesmo fraca, cria um arrasto contínuo que vai reduzindo a altitude aos poucos. Esse efeito se acumula com o passar dos anos.

Quanto mais a órbita encolhe, maior tende a ser o impacto desse atrito, acelerando a aproximação do telescópio em direção à reentrada.

O fim dos transbordadores em 2009 mudou o futuro do telescópio

Durante muitos anos, a NASA conseguiu compensar esse desgaste com missões de manutenção feitas por astronautas do programa do transbordador espacial. Além de reparar instrumentos, essas missões também elevavam a órbita do Hubble.

Essa possibilidade acabou com a aposentadoria definitiva dos transbordadores em 2009. Desde então, o telescópio deixou de ter uma forma prática de receber esse tipo de suporte direto.

Mesmo com essa limitação, o Hubble alcançou 35 anos de funcionamento e já realizou mais de 1,3 milhões de observações, com expectativa de seguir operando enquanto for possível.

Giroscópios desgastados e menos margem para manter o controle

O tempo também pesa sobre os sistemas internos do telescópio. Componentes como os giroscópios, usados para orientar o Hubble com precisão, já apresentam sinais claros de deterioração.

Isso reduz a margem de manobra e aumenta a dificuldade de manter o equipamento trabalhando com a mesma estabilidade de antes. A operação continua, mas com limitações que se tornam mais evidentes.

Com menos opções técnicas, o desgaste deixa de ser apenas uma questão de manutenção e passa a influenciar diretamente a vida útil do observatório.

SpaceX avaliou uma missão em 2022, mas a ideia foi descartada

Em 2022, a SpaceX analisou a possibilidade de realizar uma missão para empurrar o Hubble para uma órbita mais segura. A proposta tinha o objetivo de estender o tempo de operação do telescópio.

O plano, porém, não avançou e acabou descartado. Com isso, a tendência de queda da órbita segue sem uma intervenção prática confirmada.

A consequência é direta: o Hubble continua perdendo altitude e se aproxima do momento em que a reentrada se torna inevitável.

Queda em 2033 é o cenário mais provável, mas 2029 também entra no radar

O cenário mais provável indica reentrada ao redor de 2033. Ainda assim, existe uma probabilidade de 1 em 10 de o processo acontecer antes, chegando a 2029.

A variação depende da atividade solar e do comportamento da resistência atmosférica ao longo do tempo. Pequenas mudanças nesses fatores podem acelerar ou atrasar o momento da reentrada.

A projeção também aponta uma possível faixa de destroços entre 350 e 800 quilômetros ao longo da trajetória, caso fragmentos sobrevivam ao calor.

O que pode atingir o solo e qual é o risco real para áreas povoadas

Durante a reentrada, grande parte do telescópio tende a se desintegrar devido ao calor extremo. Mesmo assim, alguns fragmentos podem sobreviver e cair na superfície terrestre.

As simulações indicam um risco médio de 1 em 330 ao longo da faixa que cruza a órbita do Hubble. Em regiões remotas como o oceano Pacífico Sul, a probabilidade cai para 1 em 31.000.

O ponto exato de queda ainda não pode ser calculado com precisão, já que a trajetória final depende de fatores que mudam com o tempo.

O telescópio espacial Hubble ainda opera, mas a perda constante de altitude mantém a reentrada como um evento esperado no futuro. O cenário mais provável aponta para 2033, com chance de antecipação para 2029.

O impacto prático envolve a possibilidade de fragmentos atingirem o solo, mesmo com baixa probabilidade de queda em áreas povoadas e com grande parte do equipamento se desintegrando durante a reentrada.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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