Nova pesquisa baseada na análise detalhada de rochas lunares coletadas entre 1969 e 1972 pelas missões Apollo indica que o campo magnético da Lua permaneceu fraco durante a maior parte de seus 4,5 bilhões de anos, apresentando apenas episódios breves de intensificação associados à fusão de materiais ricos em titânio no interior lunar
Uma nova análise de rochas lunares coletadas durante as missões Apollo indica que o campo magnético da Lua foi majoritariamente fraco ao longo de sua história, apesar de episódios breves de forte intensidade registrados entre 3,5 e 4 bilhões de anos atrás.
Estudo com rochas lunares sugere solução para debate científico histórico
A pesquisa sobre rochas lunares foi publicada na quinta-feira, 26 de fevereiro, na revista Nature Geoscience e aborda um debate científico que persistiu por décadas sobre a intensidade do campo magnético lunar ao longo do tempo.
Segundo o estudo, o campo magnético da Lua apresentou períodos curtos de intensificação em sua história inicial. Esses episódios ocorreram há aproximadamente entre 3,5 e 4 bilhões de anos, mas não se mantiveram durante a maior parte dos 4,5 bilhões de anos de existência lunar.
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De acordo com a autora principal Claire Nichols, professora associada de geologia de processos planetários da Universidade de Oxford, o fortalecimento do campo magnético ocorreu por intervalos extremamente curtos, que não ultrapassaram 5.000 anos e possivelmente duraram apenas algumas décadas.
O fenômeno teria sido provocado pelo derretimento de rochas ricas em titânio localizadas no limite entre o núcleo e o manto lunar, processo capaz de gerar temporariamente um campo magnético muito forte.
Limitações das missões Apollo influenciaram interpretação das rochas lunares
O debate científico surgiu devido à quantidade limitada de rochas lunares disponíveis para análise. Entre 1969 e 1972, seis missões Apollo pousaram na Lua em regiões próximas ao equador lunar.
Esses locais apresentavam características semelhantes e eram compostos principalmente por mares lunares, grandes planícies de basalto formadas após impactos de meteoritos que derreteram rochas originais da superfície.
As áreas escolhidas facilitavam o pouso das espaçonaves, mas também concentravam tipos específicos de materiais. Essas regiões são conhecidas por apresentar basaltos ricos em titânio, fator central para as conclusões anteriores sobre o magnetismo lunar.
A nova análise comparou a quantidade de titânio presente nas amostras com a intensidade do campo magnético preservado nas rochas lunares estudadas.
Os cientistas identificaram que amostras contendo menos de 6% de titânio apresentavam campos magnéticos fracos, enquanto rochas com concentrações maiores registravam magnetismo mais intenso.
Relação entre titânio e geração temporária de campo magnético
Os resultados indicam uma conexão direta entre a formação de rochas ricas em titânio e episódios de forte campo magnético lunar.
Segundo os pesquisadores, tanto a criação dessas rochas quanto os períodos de magnetismo elevado foram causados pela fusão de materiais ricos em titânio no interior da Lua.
Esse processo teria produzido campos magnéticos intensos apenas de forma temporária, explicando por que algumas rochas lunares registram magnetismo elevado enquanto outras indicam condições muito mais fracas.
A descoberta contribui para reconciliar interpretações divergentes existentes na comunidade científica, que anteriormente se baseavam em conjuntos limitados de amostras analisadas ao longo das décadas.
Amostras disponíveis representam parcela limitada do acervo lunar
As rochas lunares trazidas pelas missões Apollo representam uma parte significativa do material lunar existente na Terra. Estimativas indicam que cerca de 650 kg de rochas lunares presentes no planeta são provenientes de meteoritos.
Dentro desse total, aproximadamente 382 kg pertencem ao arquivo Apollo, conforme dados da NASA.
A predominância de análises em rochas ricas em titânio contribuiu para a percepção de que a Lua teria mantido um campo magnético forte durante longos períodos.
Entretanto, alguns cientistas questionavam essa hipótese devido ao pequeno tamanho do núcleo lunar, que corresponde a apenas um sétimo do raio da Lua, considerado insuficiente para sustentar magnetismo intenso por extensos intervalos.
Modelagens confirmam viés de amostragem nas rochas lunares analisadas
Os pesquisadores realizaram modelos computacionais para avaliar o impacto do conjunto de amostras disponíveis. Os resultados mostraram que uma seleção aleatória de rochas lunares conteria apenas poucas amostras com forte magnetismo.
Isso confirma a existência de viés de amostragem associado às regiões onde as missões Apollo pousaram.
Segundo Jon Wade, coautor do estudo e professor associado de materiais planetários em Oxford, a concentração das missões nos mares lunares ocorreu por razões operacionais, não científicas.
Ele afirmou que, caso os pousos tivessem ocorrido em outras regiões, os cientistas provavelmente teriam concluído que a Lua sempre apresentou apenas um campo magnético fraco, deixando de identificar episódios importantes da história lunar inicial.
A expectativa dos pesquisadores é que futuras missões Artemis, lideradas pela NASA, realizem pousos em áreas mais diversas, permitindo a coleta de novas rochas lunares capazes de representar de forma mais completa os 4,5 bilhões de anos de evolução da Lua.
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