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China e Chile iniciam missão de três meses para explorar 700 quilômetros da Fossa de Atacama, a até 8.000 metros de profundidade, com submersível capaz de superar 10.000 metros e foco em riscos sísmicos, clima e biomedicina

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 19/01/2026 às 15:37
China e Chile iniciam missão de três meses para explorar 700 km da Fossa de Atacama, com foco em terremotos, clima e vida profunda.
China e Chile iniciam missão de três meses para explorar 700 km da Fossa de Atacama, com foco em terremotos, clima e vida profunda.
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Expedição científica conjunta entre China e Chile, iniciada em janeiro e com duração prevista de três meses, mobiliza submersível capaz de ultrapassar 10.000 metros para investigar riscos sísmicos, processos climáticos profundos e formas de vida quimiossintética ao longo de 700 quilômetros da Fossa de Atacama, no Pacífico

A China e o Chile iniciaram, em janeiro, uma expedição científica conjunta de três meses para explorar 700 quilômetros da Fossa de Atacama, no leste do Oceano Pacífico, a partir do navio chinês Tan Suo Yi Hao, com o objetivo de investigar riscos geológicos, processos climáticos profundos e formas de vida sem luz solar.

Expedição conjunta e início das operações no Pacífico

A missão começou na segunda-feira a bordo do navio de pesquisa Tan Suo Yi Hao e seguirá até março, cobrindo um trecho de 700 quilômetros da Fossa de Atacama. A iniciativa reúne a Academia Chinesa de Ciências e a Universidade de Concepción, no Chile, em uma operação considerada de grande escala.

O trabalho será conduzido a partir do porto chileno de Valparaíso e é descrito como a maior operação em águas profundas já realizada na região. A expedição resulta de uma aliança científica plurianual entre instituições dos dois países.

Segundo a Universidade de Concepción, essa cooperação concede aos cientistas chilenos acesso exclusivo a tecnologias chinesas avançadas. A universidade afirmou que essa parceria permite acelerar anos de pesquisa em uma única missão, conforme relatado pelo South China Morning Post.

A Fossa de Atacama e o cenário geológico extremo

A Fossa de Atacama possui cerca de 6.000 quilômetros de extensão e atinge aproximadamente 8.000 metros de profundidade.

Trata-se de uma vasta zona de subducção, onde as placas tectônicas de Nazca e da América do Sul colidem continuamente.

Esse processo geológico é responsável pela geração de alguns dos terremotos mais poderosos do planeta e está diretamente associado à formação de tsunamis que podem afetar diversos países banhados pelo Oceano Pacífico.

A expedição busca compreender melhor essa dinâmica, investigando as causas geológicas profundas que levam a eventos sísmicos extremos. A presença física de cientistas no local é considerada um diferencial em relação a estudos anteriores baseados apenas em sensores remotos.

Tecnologia chinesa e o submersível Fendouzhe

Para alcançar as profundezas da fossa, a missão utilizará o submersível tripulado Fendouzhe, também conhecido como Esforçador. O equipamento é capaz de descer a profundidades superiores a 10.000 metros, ultrapassando os níveis máximos da Fossa de Atacama.

O submersível transporta três pessoas em uma cabine reforçada, equipada com janelas espessas e braços robóticos. Esses braços serão usados para coletar amostras biológicas e geológicas diretamente do fundo oceânico, em condições de escuridão absoluta.

Além disso, o Fendouzhe conta com câmeras de alta resolução, permitindo o registro detalhado do ambiente hadal. Essa abordagem possibilita observações diretas que sensores automáticos não conseguem fornecer, ampliando a compreensão do ecossistema profundo.

Objetivos científicos e impacto global da missão

A missão tem três objetivos principais. O primeiro é contribuir para a prevenção global de desastres naturais, ao estudar cinturões sísmicos que representam ameaça constante de tsunamis para países do Pacífico.

O segundo objetivo é investigar o papel da Fossa de Atacama como uma possível recicladora de carbono, ajudando a esclarecer enigmas climáticos relacionados ao armazenamento e circulação desse elemento em grandes profundidades.

O terceiro foco está na busca por moléculas raras associadas a formas de vida quimiossintética, organismos que sobrevivem sem luz solar ao utilizar energia química da própria Terra, com potencial aplicação na biomedicina.

Para isso, a equipe empregará módulos de pouso robóticos autônomos e sensores CTD de águas profundas, capazes de medir temperatura, salinidade e pH. Esses dados serão transmitidos em tempo real para a nave-mãe.

Estrutura da pesquisa e cooperação internacional

Ao longo da missão, estão previstas 33 estações de pesquisa e quase 20 mergulhos com submersíveis. As atividades integram o Programa Global de Exploração Hadal, endossado pela ONU, e envolvem instituições acadêmicas chilenas e o serviço geológico nacional.

A operação é liderada pela pesquisadora Du Mengran, citada como uma das principais cientistas da Nature para 2025. A escala ampliada da missão supera esforços anteriores e consolida a cooperação científica sino-chilena na exploração das maiores profundezas oceânicas, apesar dos desafis técnicos envolvidos.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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