Chile quer se consolidar como o segundo maior produtor de cobalto do mundo, ficando apenas atrás da República Democrática do Congo!
Com o apelido chamativo de “ouro azul”, o cobalto é essencial na tecnologia e na mobilidade elétrica e, agora, o Chile decidiu aproveitar sua abundância deste metal para se tornar referência global. Estimativas do governo e da Universidade Andrés Bello (UNAB) indicam que o país possui potencial para produzir cerca de 15 mil toneladas de cobalto ao ano, utilizando técnicas inovadoras e sustentáveis para minerar o metal essencial na fabricação de baterias e dispositivos eletrônicos, de acordo com o site ign.
O que torna o cobalto tão especial?
O cobalto já é conhecido como o “ouro azul” por causa de sua cor e de seu valor estratégico. Ele é amplamente utilizado na produção de baterias recarregáveis, eletrônicos e, mais recentemente, como uma das bases para tecnologias de mobilidade elétrica. Em um mundo que aposta em transportes e tecnologias menos poluentes, o cobalto é praticamente indispensável. No entanto, seu valor não é apenas ambiental: o mercado de cobalto global cresce em ritmo acelerado, saltando de US$ 8,5 bilhões em 2021 e projetado para quase US$ 25 bilhões até 2030.
A liderança global na extração de cobalto ainda está com a República Democrática do Congo, que domina o mercado, produzindo cerca de 130 mil toneladas ao ano. Mas o Chile, que possui uma vasta experiência no setor de mineração, está determinado a aumentar sua produção e buscar o segundo lugar, desbancando a Indonésia e outras nações.
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Dentro de fábricas na Coreia do Sul, máquinas transformam vidro reciclado em copos perfeitos, teclados transparentes e ferramentas em brasa que revelam um lado pouco conhecido da potência industrial asiática
A corrida chilena pelo “ouro azul”
Pesquisas recentes no Chile mostram que o país conta com grandes volumes de cobalto nos resíduos da mineração de cobre e níquel, especialmente nas regiões de Atacama e Coquimbo. Assim, o plano é avançar na recuperação deste metal diretamente dos rejeitos. Segundo Pilar Parada, diretora do Centro de Biotecnologia de Sistemas da UNAB, “apenas utilizando o cobalto nos rejeitos, o Chile poderia alcançar o segundo lugar mundial”. Esse objetivo ambicioso será possível graças a uma parceria entre a UNAB, a Universidade do Chile e a Agência Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento do Chile (ANID), que juntos lançaram um projeto para recuperar cobalto dos rejeitos utilizando biotecnologia de última geração.
O método proposto é inovador e tem apelo sustentável. Segundo Parada, o processo utiliza bactérias para eliminar a pirita, um mineral que se oxida em contato com a água e contamina o solo. Dessa forma, além de extrair o cobalto, reduz-se o risco ambiental e o impacto dos resíduos.
Do “ouro azul” ao “cobalto verde”
O projeto chileno não é apenas sobre expansão na produção; trata-se de uma visão de futuro sustentável. Com a aplicação da biotecnologia, a ideia é que o Chile produza cobalto “verde” – um cobalto extraído com menor impacto ambiental e que contribua para a prosperidade do país de forma responsável. “Estamos falando de uma oportunidade para transformar a mineração em algo limpo e com um propósito social”, explica Parada. Com cerca de 764 depósitos de rejeitos de mineração espalhados pelo Chile, muitos deles localizados em áreas ricas como Atacama e Coquimbo, o país vê um futuro promissor para o setor.
Esse avanço representa um passo importante para a mineração chilena, que já é referência em extração de cobre. Agora, o país busca diversificar sua oferta de minerais e atender ao crescente mercado de mobilidade elétrica e tecnologias de baixo carbono.

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