Cesta básica em Belo Horizonte sobe e já compromete 45% do salário mínimo; arroz, feijão e tomate puxam alta no preço dos alimentos.
A cesta básica em Belo Horizonte voltou a registrar aumento de preços e passou a pesar ainda mais no orçamento das famílias.
O levantamento divulgado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead) mostra que, em fevereiro, o custo da alimentação essencial subiu 0,38%, alcançando R$ 736,57.
O valor equivale a 45,44% do salário mínimo atual de R$ 1.621, o que evidencia como o preço dos alimentos segue impactando o poder de compra da população.
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O aumento foi puxado principalmente por itens tradicionais da mesa do brasileiro, como arroz, feijão e tomate, que apresentaram as maiores variações no período.
Mesmo com a inflação geral registrando queda de 0,7% em fevereiro, a alta de alimentos na capital mineira mostrou um comportamento diferente e afetou diretamente o custo da alimentação básica.
Apesar disso, os dados indicam que, na comparação anual, o cenário apresenta certa melhora. Há um ano, a cesta básica em Belo Horizonte estava R$ 18,07 mais cara do que o valor atual.
Alta de alimentos foi puxada por arroz, feijão e tomate
Entre os produtos analisados, os principais responsáveis pela alta no preço dos alimentos foram três itens fundamentais da dieta brasileira.
O arroz registrou aumento de 4,28%, enquanto o feijão carioquinha subiu 4,18%.
Já o tomate apresentou elevação de 3,90%, tornando-se um dos produtos que mais influenciaram o resultado do mês.
Por outro lado, alguns alimentos tiveram queda de preços e ajudaram a reduzir uma pressão maior sobre a cesta básica em Belo Horizonte. Entre os destaques estão:
Óleo de soja: queda de 3,35%;
Banana-caturra: recuo de 3,21%;
Leite: redução de 2,22%.
Mesmo com essas reduções pontuais, o peso da alimentação básica continua elevado em relação ao salário mínimo, especialmente para famílias que dependem de rendas mais baixas.
Cesta básica em Belo Horizonte acumula queda no último ano
Apesar da alta de alimentos registrada em fevereiro, o levantamento do Ipead mostra que o custo da cesta básica em Belo Horizonte apresentou queda de 2,39% no acumulado dos últimos 12 meses.
Esse movimento indica que, embora ocorram oscilações mensais, a tendência mais ampla aponta para uma redução gradual no preço dos alimentos.
Para o economista do Ipead, Eduardo Antunes, esse tipo de variação faz parte da dinâmica natural do mercado agrícola e da cadeia de produção alimentar.
“Costumeiramente, a cesta básica sempre apresenta variações peculiares ao longo dos períodos apurados – no caso, mensalmente.
Custo de produção, demanda ou uma safra maior contribuem positivamente para qualquer elevação ou redução de preços.
Neste momento, vemos o tomate subindo de preço – uma alta de 3,90%, o produto que mais influenciou o resultado, provavelmente por causa das condições climáticas.
Há relatos de que o tomate não se dá bem em períodos chuvosos.
Já o feijão também está pressionando, com alta acima de 4%. Provavelmente, a demanda continua a mesma, mas a produção deve estar menor, com uma safra um pouco pior do que em períodos anteriores”, explica Eduardo.
Preço dos alimentos também afeta outros produtos populares
Além do arroz, feijão e tomate, outros itens da alimentação também sofreram influência indireta do aumento de custos de produção.
Segundo Antunes, o pão, por exemplo, tem sido pressionado pela valorização da farinha de trigo, matéria-prima essencial para sua fabricação.
“O mesmo que ocorreu com o feijão aconteceu com o pão, pressionado pelo preço da farinha.
No caso do arroz, ele vinha baixando de preço sistematicamente e, neste momento, também subiu 4%. Vimos esse movimento agora na cesta, mas pode ser atribuído a um aumento pontual no custo de produção”.
Esse cenário demonstra como fatores ligados à produção agrícola e ao mercado internacional podem influenciar diretamente o preço dos alimentos, afetando o custo da cesta básica e a capacidade de consumo das famílias.
Sazonalidade influencia a alta de alimentos
Outro fator importante para explicar a variação da cesta básica em Belo Horizonte é a chamada sazonalidade, termo usado na economia para indicar oscilações de preços ao longo do ano devido a fatores climáticos, ciclos de produção ou oferta de produtos.
Segundo o economista, alguns alimentos apresentam comportamento bastante sensível a essas condições.
“O arroz voltou a subir após longos períodos de queda – em fevereiro, fechou com alta de 4,28%, mas nos últimos 12 meses ainda acumula queda de 4,30%.
O feijão tem outra particularidade: apresentou alta expressiva de 4% agora e, no ano, já acumula cerca de 8%, mas nos últimos 12 meses a alta é de 5%.
Já o tomate depende muito das condições climáticas – neste momento apresenta alta, mas em relação ao ano passado acumula queda de quase 15%”, comenta.
Mesmo com alta recente, cenário geral ainda é de queda
Embora o aumento recente tenha chamado atenção, o histórico recente da cesta básica em Belo Horizonte mostra que os preços vêm caindo desde o pico registrado no ano passado.
Em março do ano anterior, o custo da cesta atingiu R$ 780,66, o maior valor da série histórica monitorada pelo Ipead. Desde então, o preço dos alimentos passou a apresentar recuos gradativos.
Para o economista, o aumento registrado em fevereiro deve ser visto com cautela.
“Neste levantamento, houve uma pequena variação de 0,38% para cima. Muito abaixo de outras variações observadas em meses anteriores”, conclui Antunes.
Mesmo assim, o dado reforça um alerta importante: enquanto a cesta básica continua representando quase metade do salário mínimo, qualquer alta de alimentos pode ter impacto direto no orçamento das famílias brasileiras.
Veja mais em: Cesta básica sobe em Belo Horizonte e custa 45% do salário mínimo

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