Um vídeo gravado no interior de Cambará do Sul mostra a rotina e as lembranças de um morador de 90 anos e vira retrato da mudança no campo. Entre taipas de pedra, gado e rodeio, a conversa expõe um dilema local, modernizar sem apagar a história.
A gravação feita em uma propriedade na localidade de Bairro Branco, em Cambará do Sul, no Rio Grande do Sul, colocou um personagem pouco visto nas manchetes no centro da atenção, um homem de 90 anos que atravessou o tempo entre a lida com o gado, a produção artesanal e a vida comunitária do interior.
Na entrevista, o morador, identificado como Noir Joaquim da Silva, relata que chegou à região ainda adolescente e que passou décadas trabalhando com pecuária, leite e queijo, além de relembrar a experiência no Exército e a participação em atividades tradicionais ligadas ao laço e ao rodeio.
O material foi publicado em um canal no YouTube que diz ter como objetivo registrar histórias de pessoas do interior e valorizar a vida rural, em vídeos centrados em memória, trabalho e cultura do campo.
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O caso chama atenção porque Cambará do Sul, apesar de pequena em população, virou referência nacional em turismo de natureza, ao mesmo tempo em que mantém uma economia com forte presença da agropecuária, cenário que aumenta o choque entre tradição e transformação.
Entrevista em Cambará do Sul revela bastidores da vida no campo; veja o vídeo
No relato, o entrevistado descreve a rotina antiga de criação, ordenha e fabricação de queijo, lembrando que a venda era feita em comércios locais e cidades próximas, em uma época em que deslocamento e infraestrutura eram mais limitados.
Ele também menciona a dimensão da área onde viveu e trabalhou, citando uma propriedade de 120 hectares e explicando como a produção se organizava entre criação, lavoura e comercialização, com foco em manter o sustento da família.
Ao longo da conversa, surgem detalhes de sociabilidade rural, bailes de fim de semana, serenatas, amizades e o valor simbólico do reconhecimento comunitário, resumido em um conselho direto aos mais jovens, honestidade em primeiro lugar.

Turismo nos cânions de Aparados da Serra transforma Cambará do Sul
O pano de fundo dessa história é uma cidade com perfil singular, Cambará do Sul tem população de 6.361 pessoas no Censo de 2022 e área de 1.181,811 km², o que ajuda a explicar a sensação de interior amplo e pouco adensado, mesmo com o turismo crescendo. IBGE
Parte desse movimento vem do Parque Nacional de Aparados da Serra, onde fica o Cânion Itaimbezinho, citado pela prefeitura como o cânion mais famoso da região e localizado a cerca de 18 km do centro do município, tornando a cidade uma base natural para visitantes.
A própria existência do parque é antiga, ele foi criado por decreto federal em 17 de dezembro de 1959, e hoje a visitação tem gestão de serviços de apoio por concessão, com contrato divulgado pelo ICMBio e período previsto de 12 de agosto de 2021 até 12 de agosto de 2051.
Taipas de pedra e tropeirismo preservam paisagem dos Campos de Cima da Serra
Um dos elementos mais marcantes exibidos no vídeo são as taipas, muros de pedra que aparecem em mangueiras, divisas e cercamentos, funcionando como marca visual de um modo de vida que atravessou gerações.
Estudos sobre os Campos de Cima da Serra descrevem essas taipas como muros de pedra seca, construídos sem argamassa, associados ao tropeirismo e ao controle de rebanhos e circulação de animais ao longo do tempo.
Na entrevista, o contraste entre as estruturas antigas e os equipamentos atuais aparece o tempo todo, a taipa segue de pé, mas já não há tanta gente que saiba construir ou reformar, segundo os próprios moradores.
Esse detalhe muda o debate, porque não se trata apenas de nostalgia, e sim de um patrimônio prático que ainda organiza o trabalho e a paisagem, mas que pode desaparecer se não houver transmissão de técnica e mão de obra.
Com o turismo avançando sobre a região dos cânions, cresce também a pressão para transformar símbolos do campo em atração, e aí surge a pergunta que incomoda parte dos moradores, a cultura vira produto ou permanece como vida real.
Modernização da pecuária e sucessão familiar viram desafio para manter a tradição
Outro ponto forte do vídeo é a explicação sobre a modernização do manejo, com tronco, balança e estrutura que reduzem a necessidade de grandes equipes, algo que os entrevistados relacionam à falta de mão de obra e à mudança no jeito de trabalhar.
A discussão se amplia para um dilema comum em áreas rurais, quem continua a lida quando o trabalho exige investimento, técnica e disposição, mas os jovens veem no turismo e na cidade caminhos mais previsíveis e menos pesados.
No fim, a história do morador de 90 anos vira um recado para além da emoção, preservar memória não é só guardar foto, é decidir se o futuro de Cambará do Sul vai conseguir equilibrar turismo, renda e identidade rural sem transformar tudo em lembrança.
Deixe um comentário dizendo o que você acha mais urgente, investir em turismo ou proteger a vida do campo como ela é, com trabalho e tradição. O turismo fortalece a região ou está empurrando a cultura para virar vitrine? Sua opinião ajuda a separar homenagem de romantização.

Que trabajo les cuesta poner el nombre del país del q se habla, por los nombres presumo q es Brazil, pero podía ser Portugal a no ser por la mención a los mangos. sucede
a menudo bla, bla, bla y el país nada
Realmente hay que preservar y mantener el entorno , las tradiciones y las labores rurales.
Si estás personas se pierden el sostenimiento alimentario de muchas regiones y ciudades, la juventud y nuevas generaciones no tienen idea de cómo o quién les va a producir los alimentos.
Van a vivir de pura comida chatarra?!
De dónde van a sacar los alimentos en un futuro cercano?!
Con robots, youtubers y redes sociales no se produce ni se siembra comida.
Luego queremos cambio generacional,con 90 años cobrando pac pensión y rendimiento