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Calor extremo ameaça quase metade da população mundial até 2050

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 28/01/2026 às 09:03
Calor extremo pode afetar 3,79 bilhões de pessoas até 2050 com o avanço do aquecimento global e das mudanças climáticas.
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Calor extremo pode afetar 3,79 bilhões de pessoas até 2050 com o avanço do aquecimento global e das mudanças climáticas.

O avanço do calor extremo, impulsionado pelo aquecimento global, pode colocar quase metade da população mundial em risco até 2050, segundo um estudo da Universidade de Oxford publicado na revista Nature Sustainability.

A pesquisa estima que 3,79 bilhões de pessoas estarão expostas a temperaturas severas caso a média global ultrapasse 2 °C acima dos níveis pré-industriais, cenário considerado cada vez mais provável.

O fenômeno terá alcance global, afetará países tropicais e regiões frias e exigirá respostas urgentes de adaptação climática para evitar impactos sociais, econômicos e estruturais sem precedentes. 

Impacto climático até 2050 deve ser cinco vezes maior que em 2010 

O estudo revela que o impacto climático até 2050 será dramaticamente superior ao observado nas últimas décadas.

Então em comparação com 2010, o número de pessoas expostas ao calor extremo pode ser até cinco vezes maior se o aquecimento global atingir 2 °C. 

Esse crescimento não se limita a regiões historicamente quentes.

Embora países tropicais concentrem grande parte da população vulnerável, áreas tradicionalmente frias também enfrentarão mudanças bruscas no padrão térmico, ampliando os riscos associados às mudanças climáticas

Brasil estará entre os países mais afetados pelo calor extremo 

Entre os países mais impactados pelo calor extremo estão Brasil, República Centro-Africana, Nigéria, Sudão do Sul e Laos.

Nessas regiões, a combinação entre altas temperaturas, crescimento populacional e limitações estruturais amplia a vulnerabilidade social. 

No caso brasileiro, o aquecimento global tende a intensificar ondas de calor, pressionar sistemas de saúde, reduzir produtividade econômica e agravar desigualdades regionais, especialmente em áreas urbanas densas e regiões já sensíveis ao clima. 

Países frios também sentirão efeitos severos das mudanças climáticas 

Por outro lado, o estudo mostra que nações de clima frio não estão imunes ao impacto climático até 2050.

Comparado ao período entre 2006 e 2016, quando a temperatura média global subiu 1 °C, um aquecimento de 2 °C pode dobrar ou até triplicar o número de dias de calor extremo. 

Os pesquisadores apontam aumentos de 100% na Áustria e no Canadá, 150% no Reino Unido, Suécia e Finlândia, 200% na Noruega e até 230% na Irlanda.

Esse salto evidencia como as mudanças climáticas afetam até regiões consideradas resilientes. 

Infraestrutura despreparada amplia os riscos do calor extremo 

Um dos principais alertas do estudo está relacionado à infraestrutura. Em países frios, edifícios, redes elétricas e sistemas urbanos foram projetados para reter calor, não para dissipá-lo.

Assim, mesmo elevações moderadas de temperatura podem gerar impactos desproporcionais. 

“nosso estudo mostra que a maior parte das mudanças na demanda por aquecimento e refrigeração ocorre antes de atingirmos o limite de 1,5 °c, o que exigirá a implementação de medidas de adaptação significativas o quanto antes”, destaca jesus lizana, professor de ciências da engenharia em oxford.

Adaptação climática e construção civil no centro da solução 

Além disso, Lizana ressalta que alcançar emissões líquidas zero até 2050 passa necessariamente pela transformação do setor da construção civil.

Segundo ele, será preciso descarbonizar edifícios e, ao mesmo tempo, investir em adaptação climática mais eficiente e resiliente. 

Então essa adaptação inclui melhor isolamento térmico, refrigeração passiva, planejamento urbano inteligente e sistemas energéticos capazes de suportar picos de demanda provocados pelo calor extremo. 

Calor extremo afeta saúde, educação e migração 

Então em nota, Radhika Khosla, líder do Programa Oxford Martin Future of Cooling, reforça que o alerta vai além da questão ambiental. 

“ultrapassar o limite de 1,5 °c de aquecimento terá um impacto sem precedentes em tudo, desde educação e saúde até migração e agricultura”, afirma. 

Segundo ela, o desenvolvimento sustentável com emissões líquidas zero é o único caminho comprovado para conter a escalada das temperaturas. 

Por que agir agora é essencial diante do impacto climático até 2050 

Portanto, o estudo deixa claro que os efeitos do calor extremo não são um problema distante.

Então eles já estão em curso e tendem a se intensificar rapidamente, exigindo decisões políticas, econômicas e sociais imediatas. 

Enquanto isso, especialistas reforçam que limitar o aquecimento global e acelerar estratégias de adaptação climática são ações indispensáveis para reduzir perdas humanas e econômicas diante do avanço inevitável das mudanças climáticas

Veja mais em: Em 2050, quase metade da população viverá sob calor extremo 

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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