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Café solúvel reage à Tarifa 15% e pode recuperar espaço no Mercado americano

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 23/02/2026 às 21:41
Atualizado em 23/02/2026 às 21:42
A redução da tarifa para 15% abre nova oportunidade para o Café solúvel nas Exportações brasileiras, em meio à análise da Investigação 301.
Foto: IA
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A redução da tarifa para 15% abre nova oportunidade para o Café solúvel nas Exportações brasileiras, em meio à análise da Investigação 301.

O setor de Café solúvel brasileiro pode voltar a ganhar competitividade no Mercado americano com a nova Tarifa 15% anunciada pelos Estados Unidos.

A medida foi confirmada após decisão do presidente Donald Trump, no último sábado (21), e começa a valer às 2h01 (horário de Brasília) desta terça-feira (24).

A mudança reduz a antiga alíquota de 50% que atingia o produto desde agosto de 2025 e provocou forte retração nas Exportações brasileiras.

O novo percentual, enquadrado na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, terá validade inicial de até 150 dias.

A expectativa do setor é recuperar espaço perdido e restabelecer a competitividade internacional. 

Café solúvel e Tarifa 15%: o que muda na prática 

A aplicação da Tarifa 15% substitui o chamado “tarifaço” de 50%, que havia sido imposto anteriormente e impactou diretamente o Café solúvel brasileiro.

Na prática, isso coloca o Brasil em condições semelhantes às de outros países exportadores. 

Além disso, o café verde e o café torrado devem permanecer sem taxação, embora a confirmação oficial ainda dependa da publicação dos anexos da medida.

Portanto, a mudança representa um alívio especialmente para a indústria do solúvel. 

O reajuste ocorreu após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar a taxação anterior.

Impacto imediato nas Exportações brasileiras 

A queda nas Exportações brasileiras foi expressiva durante o período de vigência da tarifa de 50%.

Entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, os embarques para o Mercado americano encolheram drasticamente. 

Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) mostram que, em 2025, o Brasil exportou 3,7 milhões de sacas do produto, uma redução de 10,6% em relação ao ano anterior.

Apenas para os Estados Unidos, o recuo foi de 28% no acumulado do ano. 

Entre agosto e dezembro, período mais crítico, a queda chegou a 40%.

O diretor executivo da Abics, Aguinaldo Lima, destacou a importância histórica do parceiro comercial: 

“Os Estados Unidos são os nossos maiores clientes há mais de 60 anos. Praticamente 20% daquilo que exportávamos ia para os EUA, um mercado de mais de US$ 250 milhões, e seria uma perda terrível para o setor.

Era uma preocupação muito grande e havia um desânimo com relação à manutenção dessas tarifas. Agora, a gente sai de uma situação em que nós tínhamos 50% de tarifa para um patamar novo, não importa se é 10%, se é 15%.

Isso coloca todo o mundo em circunstâncias iguais. Então, quando você tem circunstâncias iguais de competitividade, fica muito mais justo o mercado”, explica. 

Em outro momento, ele reforçou: 

“Durante o período de tarifa, que foide agosto a janeiro deste ano, tivemos uma queda de praticamente 50% e a situação foi ficando pior a cada mês naquele que era o nosso maior mercado”. 

Mercado americano segue estratégico para o Café solúvel 

Mercado americano continua sendo peça-chave para o Café solúvel brasileiro.

Historicamente, cerca de 20% das exportações do setor tinham como destino os Estados Unidos. 

Com a nova Tarifa 15%, a indústria acredita que será possível recuperar contratos e restabelecer volumes embarcados.

No entanto, especialistas alertam que o cenário internacional permanece instável. 

Investigação 301 e risco de novas tarifas 

Apesar do alívio momentâneo, há um fator de atenção: a chamada Investigação 301, conduzida pelo United States Trade Representative (USTR).

O procedimento é exclusivo para o Brasil e apura supostas questões relacionadas a desmatamento e aspectos sociais. 

O diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, ressalta que a previsibilidade é essencial para o comércio internacional. 

“Diante de todos os desdobramentos, estamos vendo mudanças nas tarifas dos produtos do mundo para o mercado norte-americano.

Para funcionar bem, o mercado precisa de previsibilidade diante das operações no presente, operações do futuro e as bolsas globais. O que a gente tem visto é uma falta de previsibilidade”, aponta. 

Segundo ele, há risco de o Brasil perder isonomia caso a Investigação 301 resulte em tarifas adicionais. 

“A gente corre risco de o Brasil ter tarifas mais altas e esse risco é complicado porque a gente perde a isonomia. Então, tem que ser dada uma atenção especial à investigação 301.

Considerando o conteúdo político de tudo isso, porque, tecnicamente, as argumentações não se sustentam, é tão importante a relação entre os dois países ser boa para atenuar a questão política e, com isso, a conclusão da Investigação 301 ser benéfica para o Brasil”, disse. 

Assim, a conclusão do processo está prevista entre maio e junho deste ano. 

Acordos bilaterais podem fortalecer Exportações brasileiras 

Diante do cenário, o Cecafé defende o fortalecimento das relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.

Um eventual encontro entre os presidentes pode abrir caminho para acordos bilaterais. 

“O Brasil precisa achar meios de firmar acordos bilaterais e ter uma boa relação, o que pode acontecer no encontro dos presidentes do Brasil e EUA, Lula e Trump, em março deste ano”. 

Enquanto isso, o setor acompanha de perto cada desdobramento. A Tarifa 15% traz alívio imediato ao Café solúvel, mas a combinação entre política comercial, Investigação 301 e dinâmica do Mercado americano continuará determinando o ritmo das Exportações brasileiras nos próximos meses. 

Veja mais em: Café solúvel: tarifa de 15% dos EUA favorece exportação brasileira

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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