A redução da tarifa para 15% abre nova oportunidade para o Café solúvel nas Exportações brasileiras, em meio à análise da Investigação 301.
O setor de Café solúvel brasileiro pode voltar a ganhar competitividade no Mercado americano com a nova Tarifa 15% anunciada pelos Estados Unidos.
A medida foi confirmada após decisão do presidente Donald Trump, no último sábado (21), e começa a valer às 2h01 (horário de Brasília) desta terça-feira (24).
A mudança reduz a antiga alíquota de 50% que atingia o produto desde agosto de 2025 e provocou forte retração nas Exportações brasileiras.
-
Guerra no Oriente Médio atinge fertilizantes e transporte e pode pesar no bolso do brasileiro
-
Rússia avalia suspender gás para a Europa após disparada no preço da energia
-
Como uma guerra a milhares de quilômetros do Brasil começou a bagunçar rotas marítimas globais, encarecer contêineres e colocar em risco até 40% das exportações brasileiras de carne bovina
-
Guerra Irã EUA eleva Preço do petróleo e pressiona Mercados financeiros globais
O novo percentual, enquadrado na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, terá validade inicial de até 150 dias.
A expectativa do setor é recuperar espaço perdido e restabelecer a competitividade internacional.
Café solúvel e Tarifa 15%: o que muda na prática
A aplicação da Tarifa 15% substitui o chamado “tarifaço” de 50%, que havia sido imposto anteriormente e impactou diretamente o Café solúvel brasileiro.
Na prática, isso coloca o Brasil em condições semelhantes às de outros países exportadores.
Além disso, o café verde e o café torrado devem permanecer sem taxação, embora a confirmação oficial ainda dependa da publicação dos anexos da medida.
Portanto, a mudança representa um alívio especialmente para a indústria do solúvel.
O reajuste ocorreu após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar a taxação anterior.
Impacto imediato nas Exportações brasileiras
A queda nas Exportações brasileiras foi expressiva durante o período de vigência da tarifa de 50%.
Entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, os embarques para o Mercado americano encolheram drasticamente.
Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) mostram que, em 2025, o Brasil exportou 3,7 milhões de sacas do produto, uma redução de 10,6% em relação ao ano anterior.
Apenas para os Estados Unidos, o recuo foi de 28% no acumulado do ano.
Entre agosto e dezembro, período mais crítico, a queda chegou a 40%.
O diretor executivo da Abics, Aguinaldo Lima, destacou a importância histórica do parceiro comercial:
“Os Estados Unidos são os nossos maiores clientes há mais de 60 anos. Praticamente 20% daquilo que exportávamos ia para os EUA, um mercado de mais de US$ 250 milhões, e seria uma perda terrível para o setor.
Era uma preocupação muito grande e havia um desânimo com relação à manutenção dessas tarifas. Agora, a gente sai de uma situação em que nós tínhamos 50% de tarifa para um patamar novo, não importa se é 10%, se é 15%.
Isso coloca todo o mundo em circunstâncias iguais. Então, quando você tem circunstâncias iguais de competitividade, fica muito mais justo o mercado”, explica.
Em outro momento, ele reforçou:
“Durante o período de tarifa, que foide agosto a janeiro deste ano, tivemos uma queda de praticamente 50% e a situação foi ficando pior a cada mês naquele que era o nosso maior mercado”.
Mercado americano segue estratégico para o Café solúvel
O Mercado americano continua sendo peça-chave para o Café solúvel brasileiro.
Historicamente, cerca de 20% das exportações do setor tinham como destino os Estados Unidos.
Com a nova Tarifa 15%, a indústria acredita que será possível recuperar contratos e restabelecer volumes embarcados.
No entanto, especialistas alertam que o cenário internacional permanece instável.
Investigação 301 e risco de novas tarifas
Apesar do alívio momentâneo, há um fator de atenção: a chamada Investigação 301, conduzida pelo United States Trade Representative (USTR).
O procedimento é exclusivo para o Brasil e apura supostas questões relacionadas a desmatamento e aspectos sociais.
O diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, ressalta que a previsibilidade é essencial para o comércio internacional.
“Diante de todos os desdobramentos, estamos vendo mudanças nas tarifas dos produtos do mundo para o mercado norte-americano.
Para funcionar bem, o mercado precisa de previsibilidade diante das operações no presente, operações do futuro e as bolsas globais. O que a gente tem visto é uma falta de previsibilidade”, aponta.
Segundo ele, há risco de o Brasil perder isonomia caso a Investigação 301 resulte em tarifas adicionais.
“A gente corre risco de o Brasil ter tarifas mais altas e esse risco é complicado porque a gente perde a isonomia. Então, tem que ser dada uma atenção especial à investigação 301.
Considerando o conteúdo político de tudo isso, porque, tecnicamente, as argumentações não se sustentam, é tão importante a relação entre os dois países ser boa para atenuar a questão política e, com isso, a conclusão da Investigação 301 ser benéfica para o Brasil”, disse.
Assim, a conclusão do processo está prevista entre maio e junho deste ano.
Acordos bilaterais podem fortalecer Exportações brasileiras
Diante do cenário, o Cecafé defende o fortalecimento das relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
Um eventual encontro entre os presidentes pode abrir caminho para acordos bilaterais.
“O Brasil precisa achar meios de firmar acordos bilaterais e ter uma boa relação, o que pode acontecer no encontro dos presidentes do Brasil e EUA, Lula e Trump, em março deste ano”.
Enquanto isso, o setor acompanha de perto cada desdobramento. A Tarifa 15% traz alívio imediato ao Café solúvel, mas a combinação entre política comercial, Investigação 301 e dinâmica do Mercado americano continuará determinando o ritmo das Exportações brasileiras nos próximos meses.
Veja mais em: Café solúvel: tarifa de 15% dos EUA favorece exportação brasileira

Seja o primeiro a reagir!