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Caçador de tesouros que encontrou navio cheio de moedas de ouro no fundo do Atlântico prefere passar 10 anos preso a revelar onde estão 500 moedas

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 14/03/2026 às 13:32
Atualizado em 14/03/2026 às 14:17
Tommy Thompson, descobridor do navio S.S. Central America com milhares de moedas de ouro, é libertado após uma década preso por disputa judicial.
Tommy Thompson, descobridor do navio S.S. Central America com milhares de moedas de ouro, é libertado após uma década preso por disputa judicial.
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A libertação do cientista e caçador de tesouros Tommy Thompson encerra um dos casos judiciais mais incomuns ligados a moedas de ouro recuperadas de um naufrágio histórico, envolvendo disputas milionárias, investidores, 500 moedas desaparecidas e um tesouro retirado de 7.000 pés de profundidade no Atlântico após mais de 150 anos

Um ex-caçador de tesouros submarinos responsável por descobrir um navio histórico carregado de moedas de ouro no Atlântico foi libertado após passar cerca de uma década preso por se recusar a revelar o paradeiro de parte das moedas desaparecidas.

Tommy Thompson, cientista de pesquisa nascido do estado americano de Ohio, foi libertado na quarta-feira passada, segundo registros federais do Federal Bureau of Prisons analisados pela Associated Press. Ele ficou conhecido por localizar em 1988 o naufrágio do S.S. Central America, chamado de “Ship of Gold”.

A embarcação ficou famosa por transportar milhares de libras de ouro que permaneceram no fundo do oceano por mais de 150 anos.

A descoberta colocou Thompson no centro de um dos achados de moedas de ouro mais importantes da história marítima americana.

Descoberta do navio com moedas de ouro no fundo do Atlântico

O S.S. Central America afundou em setembro de 1857 após enfrentar um furacão no Atlântico. A embarcação levava 425 passageiros e tripulantes, além de cerca de 30.000 libras (cerca de 13,6 toneladas) de ouro federal provenientes da recém-criada Casa da Moeda de San Francisco.

Esse carregamento havia sido enviado para criar reservas financeiras para bancos no leste dos Estados Unidos. Quando o navio afundou, milhares de kg de ouro desapareceram nas profundezas do oceano, contribuindo para um pânico econômico na época.

Mais de um século depois, em 1988, Thompson e sua equipe localizaram o naufrágio a mais de 7.000 pés de profundidade na costa da Carolina do Sul. O local ficou conhecido como um dos maiores depósitos de moedas de ouro já encontrados em um navio afundado.

A descoberta transformou Thompson em uma figura celebrada no campo da exploração marítima. O navio carregava um grande volume de ouro proveniente da Corrida do Ouro da Califórnia, além de barras e moedas que permaneceram no fundo do mar por mais de 150 anos.

Disputa com investidores e desaparecimento de moedas de ouro

Nas décadas seguintes à descoberta, Thompson enfrentou uma longa batalha judicial com investidores que financiaram a expedição. Eles afirmaram que não receberam nenhum pagamento da venda de parte do tesouro recuperado.

Em 2005, os investidores entraram com um processo alegando que ainda não haviam recebido dinheiro proveniente da venda de mais de 500 barras de ouro e milhares de moedas. O lote vendido teria rendido cerca de 50 milhões de dólares.

No centro do conflito estavam cerca de 500 moedas de ouro cunhadas a partir do ouro recuperado do naufrágio. As moedas desapareceram e seu paradeiro se tornou o principal ponto de disputa nos tribunais.

Thompson afirmou que essas moedas foram transferidas para um fundo fiduciário em Belize. Segundo ele, a maior parte do dinheiro obtido com a venda inicial do ouro foi destinada ao pagamento de honorários legais e empréstimos bancários.

Tommy Thompson, um antigo caçador de tesouros em alto-mar, aparece em uma foto sem data fornecida pelo Gabinete do Xerife do Condado de Delaware. Delaware County Sheriff’s Office via AP

Fuga, prisão e anos de silêncio sobre o tesour

Enquanto o processo avançava, Thompson entrou em reclusão e acabou se tornando fugitivo. Um juiz federal de Ohio emitiu um mandado de prisão em 2012 após ele não comparecer a uma audiência judicial.

Três anos depois, autoridades localizaram Thompson em um hotel na Flórida onde ele vivia sob um nome falso. Após ser detido, o juiz determinou que ele fosse preso por desacato ao tribunal no final de 2015.

A decisão ocorreu porque Thompson se recusou repetidamente a responder perguntas sobre o paradeiro das moedas de ouro desaparecidas. Ele afirmou que não sabia onde o ouro estava e declarou que não tinha controle sobre a situação.

Durante uma audiência por vídeo em 2020, o juiz federal Algenon Marbley voltou a perguntar sobre o destino do tesouro. Thompson respondeu que não sabia onde o ouro estava e afirmou sentir que não tinha “as chaves para sua liberdade”.

Longa permanência na prisão e decisão final da Justiça

Apesar de a legislação federal geralmente limitar penas por desacato civil a cerca de 18 meses, Thompson permaneceu preso por muito mais tempo. Em 2019, um tribunal federal de apelações decidiu que essa limitação não se aplicava ao caso dele.

A corte considerou que a recusa em responder às perguntas violava condições de um acordo judicial anterior. Como resultado, ele continuou detido enquanto o impasse sobre as moedas de ouro permanecia sem solução.

Há pouco mais de um ano, o juiz Marbley decidiu encerrar a pena relacionada ao desacato civil. Ele declarou que não estava mais convencido de que manter Thompson preso faria surgir informações sobre o ouro desaparecido.

O magistrado então ordenou que Thompson começasse imediatamente a cumprir uma sentença de dois anos relacionada ao fato de ter faltado à audiência judicial em 2012. Após cumprir essa etapa, ele foi finalmente libertado.

Valor histórico do tesouro do S.S. Central America

Mesmo após décadas, o tesouro recuperado do S.S. Central America continua alcançando valores elevados em leilões. Barras e moedas de ouro provenientes do navio são consideradas peças históricas de grande interesse.

Em 2022, um dos maiores lingotes já oferecidos do naufrágio, com 866,19 onças, conhecido como lingote Justh & Hunter, foi vendido por 2,16 milhões de dólares pela Heritage Auctions, sediada em Dallas.

Outros itens do naufrágio também registraram vendas expressivas. Em 2019, diversos artefatos recuperados renderam mais de 11 milhões de dólares em leilões.

Anos antes, em 2001, um lingote de 80 libras proveniente do navio foi adquirido por um colecionador privado por um valor recorde de 8 milhões de dólares.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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