Governo busca consolidar coalizão climática até novembro em Belém
O governo brasileiro avança em negociações com a China e a União Europeia para criar um mercado internacional de carbono.
A informação foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista à TV Globo, este mês.
Segundo ele, o objetivo é anunciar a coalizão durante a COP30, a Conferência do Clima da ONU, que ocorrerá em Belém (PA), em novembro de 2025.
Além disso, o ministro destacou que o Brasil pretende liderar a iniciativa, conectando as principais economias do mundo em torno da redução das emissões globais de carbono.
Estrutura e funcionamento do mercado de carbono
De acordo com Haddad, o projeto busca integrar sistemas já existentes para tornar o comércio de créditos de carbono mais eficiente e transparente.
O sistema seguirá a lógica de incentivar quem polui menos e responsabilizar quem emite mais.
Assim, empresas e governos que reduzem emissões ganham créditos de carbono.
Em contrapartida, quem ainda não alcança suas metas pode comprar esses créditos para equilibrar suas emissões.
Dessa forma, o modelo estimula a redução contínua dos gases de efeito estufa e favorece a neutralização de impactos ambientais.
O ministro explicou que será possível avaliar o uso de energia fóssil em cada produto industrializado, como o aço.
Com isso, a transição energética se tornará mais rápida e justa.
Brasil quer liderar coalizão global e definir metas de emissão
Haddad ressaltou que o Brasil reúne condições únicas para liderar o debate climático internacional, repetindo o sucesso do Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF).
Esse fundo foi lançado em 2023, durante a COP28, em Dubai, e contou com o apoio de países asiáticos e europeus.
Agora, o governo pretende definir metas graduais de redução de emissões e criar estímulos econômicos para que empresas invistam em tecnologias limpas.
Além disso, o ministro destacou que, com o avanço da inovação, o custo da energia renovável tende a cair de forma acelerada.
Ele lembrou que, há poucos anos, placas solares custavam muito mais, mas, hoje, estão amplamente acessíveis.
Essa redução de custos reforça o papel do Brasil como referência mundial em energia limpa.
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Desafios econômicos e papel da ciência na transição
Haddad explicou que o mercado internacional de carbono deve crescer com equilíbrio econômico e rigor técnico.
Ele alertou que o novo modelo pode influenciar o preço de produtos industriais, mas, ao mesmo tempo, estimula a inovação e o investimento sustentável.
Além disso, o ministro ressaltou que a ciência avança rapidamente e oferece soluções concretas para baratear a produção de energia limpa.
Segundo ele, a tecnologia será o principal motor da transformação energética.
Por isso, a transição para energias renováveis ocorrerá de forma mais segura e previsível, reduzindo a dependência mundial do petróleo.
“Temos que confiar na ciência e na inovação, que estão evoluindo com velocidade impressionante”, afirmou Haddad.
Com isso, o Brasil se fortalece como exemplo global de país que concilia crescimento econômico, sustentabilidade e cooperação internacional.
O país aposta em tecnologia, ciência e alianças globais para acelerar a descarbonização econômica e impulsionar o desenvolvimento sustentável.
Portanto, resta saber se essa coalizão internacional conseguirá, de fato, mudar o rumo do mercado de carbono mundial até a COP30.

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