Projeto sustentável com tecnologia de ponta promete transformar o monitoramento ambiental na região da usina de Belo Monte
A partir do segundo semestre de 2025, uma nova tecnologia passará a ser usada para acompanhar, em tempo real, a qualidade da água no rio Xingu, no Pará. Trata-se de um barco totalmente autônomo, movido a energia solar, que irá navegar em áreas estratégicas da hidrelétrica Belo Monte, coletando e analisando dados ambientais com o apoio de inteligência artificial.
Iniciativa financiada pela Norte Energia impulsiona inovação na Amazônia
A embarcação foi desenvolvida por meio de um projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) da concessionária Norte Energia. A empresa contou com a colaboração da Fundação CERTI, da USSV Tecnologia Autônoma e do Instituto CERTI Amazônia (ICA), com regulamentação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). O investimento ultrapassou os R$ 4 milhões. Além disso, a proposta tem como objetivo substituir métodos convencionais e onerosos de monitoramento ambiental, que exigem deslocamentos longos e equipes de campo em locais de difícil acesso. Dessa forma, a operação se torna mais eficiente, segura e sustentável.
Navegação inteligente com sondas multiparamétricas e rota programada
O barco conta com uma sonda multiparamétrica acoplada, capaz de mensurar parâmetros cruciais da água, como turbidez, temperatura, oxigênio dissolvido e pH. A equipe programa o trajeto com antecedência, o que garante o monitoramento totalmente autônomo, mesmo durante condições climáticas adversas. A inteligência artificial analisa os dados coletados, que o sistema envia via satélite para a plataforma. Essa ferramenta, por sua vez, processa os dados de forma imediata, gerando previsões e análises precisas sobre a qualidade da água, sem a necessidade de coleta manual ou exames laboratoriais adicionais.
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Inovação com foco em sustentabilidade e energia limpa
O protótipo possui três baterias de lítio, e 12 placas solares de 100W cada alimentam essas baterias continuamente. Isso elimina a necessidade de combustíveis fósseis, bastante comuns nas embarcações que operam na Amazônia. Além disso, a autonomia energética da embarcação é de 20 horas, permitindo monitorar até 500 km² de superfície aquática. Portanto, a proposta representa um avanço expressivo para a gestão ambiental da região, contribuindo com a transição energética e a preservação de recursos naturais. Conforme destacou Roberto Silva, gerente de Meios Físico e Biótico da Norte Energia, o projeto alia sustentabilidade, ciência e eficiência na preservação dos corpos hídricos da bacia amazônica.
Tecnologia da embarcação autônoma com inteligência artificial reduz riscos humanos e eleva segurança operacional
Outro diferencial relevante da solução é a eliminação da exposição humana a riscos. Segundo Lorenzo Cardoso de Souza, CEO da USSV Tecnologia Autônoma, a embarcação substitui o envio de equipes técnicas a locais de difícil acesso, reduzindo custos logísticos e aumentando a segurança das operações. Dessa maneira, é possível garantir um monitoramento contínuo e detalhado, sem interrupções, o que amplia a capacidade de resposta em caso de alterações na qualidade da água. Além disso, o uso de inteligência artificial facilita o cruzamento de dados, potencializando a tomada de decisões rápidas e baseadas em evidências.

Inteligência artificial na embarcação amplia previsibilidade dos dados e melhora análises ambientais da usina Belo Monte
O projeto também se destaca pelo uso de módulos em nuvem, responsáveis pelo armazenamento e pelo processamento de dados. Com isso, toda a estrutura torna-se mais integrada, ágil e acessível para as equipes de monitoramento da usina e dos órgãos reguladores. De acordo com Marcelo Pedroso Curtarelli, coordenador de projetos do Centro de Economia Verde da CERTI, o sistema de processamento possibilita prever indicadores críticos com maior exatidão. A análise automatizada permite que operadores tomem decisões com base em dados em tempo real, otimizando a atuação ambiental da hidrelétrica.
Embarcação autônoma com IA entra em operação no segundo semestre de 2025 no rio Xingu
A embarcação encontra-se, atualmente, na fase de testes. A operação assistida, portanto, está programada para começar no segundo semestre de 2025, no reservatório intermediário da Usina Belo Monte, em Altamira. Além disso, a iniciativa permitirá que pesquisadores testem modelos em outras hidrelétricas que, por sua vez, estão situadas nos grandes rios da Amazônia. Dessa forma, espera-se ampliar o uso de novas abordagens, as quais podem beneficiar significativamente o setor energético da região. Além disso, ao demonstrar eficiência e resultados positivos, o modelo poderá se tornar uma referência nacional em monitoramento ambiental automatizado, contribuindo diretamente para o avanço tecnológico e sustentável no setor de energia.

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