1. Início
  2. / Sustentabilidade
  3. / Neste bairro moradores são obrigados a terem hortas residenciais, redefinindo o urbanismo ao integrar moradia, produção de alimentos e sustentabilidade em um modelo urbano colaborativo
Tempo de leitura 3 min de leitura Comentários 0 comentários

Neste bairro moradores são obrigados a terem hortas residenciais, redefinindo o urbanismo ao integrar moradia, produção de alimentos e sustentabilidade em um modelo urbano colaborativo

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 12/01/2026 às 10:02
Moradores cultivam hortas residenciais em bairro sustentável da Holanda, com casas integradas à produção de alimentos e agricultura urbana.
Em Oosterwold, bairro nos arredores de Almere, moradores mantêm hortas produtivas junto às residências como parte do modelo de urbanismo sustentável adotado desde 2016.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Oosterwold transforma a relação entre cidade e campo ao exigir agricultura urbana em cada lote desde 2016

Uma experiência urbana singular passou a ganhar destaque nos arredores de Almere, na Holanda, a partir de 2016. Trata-se do bairro Oosterwold, concebido como um experimento prático de urbanismo sustentável. Desde o início, o projeto estabeleceu uma regra central. Cada morador deve destinar cerca de 50% do terreno ao cultivo de alimentos, o que altera de forma direta a lógica tradicional das cidades.

Esse desenho urbano aproxima moradia e produção agrícola. Ao mesmo tempo, reduz a separação histórica entre campo e cidade. Assim, o cotidiano urbano passa a incluir hortas, pomares e áreas produtivas. Como resultado, o bairro se consolida como um laboratório vivo de sustentabilidade inserido no tecido urbano.

Regra urbana transforma o uso do solo em Oosterwold

Antes de tudo, o diferencial do bairro está na ocupação dos lotes. Nesse contexto, a compra de um terreno só é autorizada mediante o compromisso formal com a agricultura urbana. Ou seja, o paisagismo ornamental deixa de ser prioridade, enquanto a produção de alimentos assume papel central. Dessa forma, frutas, verduras, ervas e outras culturas comestíveis passam a integrar o espaço residencial.

Além disso, o modelo cria um cinturão produtivo dentro da cidade. Assim, o alimento deixa de percorrer longas distâncias. Ao mesmo tempo, o bairro reduz a dependência exclusiva de cadeias externas de abastecimento. Consequentemente, o urbanismo ganha uma função alimentar clara e contínua.

Crescimento gradual e planejamento colaborativo desde 2016

Desde sua implementação, em 2016, Oosterwold cresce de maneira gradual. Esse avanço ocorre de forma planejada e participativa. Ao longo dos anos, os moradores passaram a decidir coletivamente sobre ruas, acessos, áreas comuns e uso do solo. Dessa forma, o bairro se desenvolve sem um desenho rígido imposto previamente.

Esse processo transforma o local em um experimento de planejamento urbano colaborativo. Ao mesmo tempo, fortalece o senso de responsabilidade coletiva. Assim, cada decisão interfere diretamente na organização do espaço e na manutenção da proposta original.

Vídeo do YouTube

Hortas residenciais moldam o cotidiano dos moradores

Na prática, cada residência convive com um espaço produtivo expressivo. Assim, surgem canteiros de hortaliças, pomares mistos, estufas simples e sistemas agroflorestais de pequena escala. Ao mesmo tempo, não existe um padrão único de cultivo. Por isso, cada morador adapta o uso da terra à sua rotina.

A fiscalização formal é limitada. No entanto, o próprio desenho aberto do bairro estimula o uso produtivo do solo. Além disso, o olhar atento dos vizinhos funciona como incentivo permanente ao cultivo. Como consequência, a terra permanece ativa.

Conciliação entre trabalho urbano e produção agrícola

Muitos moradores mantêm empregos em tempo integral fora do bairro. Ainda assim, o cultivo permanece viável. Para isso, estratégias práticas são adotadas. Entre elas, destacam-se canteiros reduzidos, irrigação automatizada e escolha de espécies rústicas. Dessa forma, o cuidado diário se encaixa na rotina urbana.

Nesse sentido, o foco do projeto não está na alta produtividade agrícola. Pelo contrário, a prioridade é criar uma cultura contínua de cuidado com o território. Assim, o valor simbólico e social da produção local se sobrepõe ao volume colhido.

Produção local como eixo do urbanismo sustentável

Ao longo dos anos, Oosterwold consolidou uma proposta clara. Produzir alimentos passa a fazer parte da vida urbana, e não apenas do campo. Com isso, o bairro demonstra que sustentabilidade pode ser incorporada ao cotidiano sem promessas irreais. Assim, desde 2016, o modelo segue como referência prática de integração entre moradia, agricultura urbana e participação comunitária.

A experiência de Oosterwold levanta uma reflexão inevitável: até que ponto cidades tradicionais poderiam incorporar a produção de alimentos como elemento estrutural do planejamento urbano?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x