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As ferrovias dos EUA sofrem uma freada brusca: em apenas uma semana, o transporte ferroviário cai 15,5%, o intermodal despenca e o frio extremo expõe sinais de uma possível desaceleração econômica

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 06/02/2026 às 18:42
Atualizado em 06/02/2026 às 18:44
As ferrovias dos EUA sofrem uma freada brusca: em apenas uma semana, o transporte ferroviário cai 15,5%, o intermodal despenca e o frio extremo expõe sinais de uma possível desaceleração econômica
O transporte ferroviário nos EUA recua 15,5% na última semana de janeiro de 2026. Veja quais setores foram mais atingidos e a análise sobre o impacto do clima.
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O transporte ferroviário nos EUA recua 15,5% na última semana de janeiro de 2026. Veja quais setores foram mais atingidos e a análise sobre o impacto do clima.

O cenário do transporte ferroviário de carga nos Estados Unidos enfrentou um retrocesso severo na última semana de janeiro de 2026. Após um breve período de otimismo com aumentos generalizados, os dados mais recentes revelam uma retração acentuada em quase todas as categorias de commodities. Entre o tráfego de vagões convencionais e as unidades intermodais, o volume total registrou uma queda de 15,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior, somando 434.361 unidades.

Desaceleração nos trilhos: Transporte ferroviário nos EUA registra queda de 15,5% 

De acordo com o relatório da Associação das Ferrovias Americanas (AAR) para a semana encerrada em 31 de janeiro (Semana 4), o segmento intermodal foi o mais atingido, apresentando uma redução de 16,6%, com apenas 243.173 contêineres e reboques movimentados. Esse setor é frequentemente visto como um termômetro do consumo, e sua queda abrupta acendeu alertas entre analistas de mercado.

Pesquisas externas indicam que o setor logístico dos EUA em 2026 vem lidando com uma volatilidade incomum. O analista Larry Gross aponta que o clima rigoroso e o frio intenso na região Leste dos EUA desempenharam um papel crucial nessa desaceleração.

No entanto, Gross observa que esta é a segunda semana consecutiva de quedas acentuadas, sugerindo que fatores econômicos mais profundos, como o ajuste de estoques industriais e a redução na demanda por bens duráveis, podem estar exercendo pressão sobre o setor. A queda total nas últimas duas semanas já ultrapassa a marca de 13%.

Análise detalhada por categoria de carga

A análise dos dados revela um cenário de contrastes, onde apenas um setor conseguiu manter o crescimento:

  • Grãos: Foi o único setor a registrar ganhos, com alta de 2,9% na semana, totalizando 22.655 vagões. No acumulado do ano, o setor de grãos impressiona com um crescimento de 17%.
  • Carvão: Sofreu uma queda de 16,5% na semana (50.189 vagões), refletindo a transição energética contínua e a menor demanda térmica.
  • Veículos Automotores e Peças: Registrou um declínio expressivo de 27,9%. Esse dado é particularmente preocupante para a indústria manufatureira, indicando uma possível desaceleração na produção de automóveis.
  • Minerais Não Metálicos: Liderou as quedas da semana com uma retração de 29,8%, o que pode estar atrelado à redução em projetos de construção civil impactados pelo inverno rigoroso.

Perspectiva anual e cenário Norte-Americano

Apesar da semana negativa, o acumulado do ano (Year-To-Date) ainda apresenta alguns números resilientes. Nas primeiras quatro semanas de 2026, as ferrovias dos EUA registraram um volume acumulado de 863.558 vagões, o que representa um aumento de 4,4% em relação ao mesmo período de 2025. Contudo, a fragilidade crônica no setor intermodal — que acumula queda de 3,5% no ano — trouxe o tráfego total combinado para uma leve retração de 0,1%.

Quando expandimos a visão para todo o continente, incluindo Canadá e México, o tráfego total combinado nas nove ferrovias que reportam dados foi de 610.660 unidades na semana, uma queda de 12,8%. O volume total norte-americano para as primeiras quatro semanas de 2026 permanece estável, com um aumento marginal de 0,1%.

A expectativa do mercado agora se volta para os dados de fevereiro. Especialistas esperam que a normalização das condições climáticas e a dissipação dos efeitos sazonais de início de ano permitam que o transporte ferroviário recupere o fôlego, especialmente no setor de contêineres, vital para a integração das cadeias de suprimento globais.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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