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Agricultora mineira transforma fazenda centenária da família em museu rural com carro de boi, rapadura e cachaça artesanal para mostrar como turismo de experiência e memória da roça ajudam a manter pequenas propriedades vivas no interior de Minas

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 26/11/2025 às 18:38
Atualizado em 26/11/2025 às 18:39
Paisagem rural do Vale do Rio Doce revela a fazenda histórica que hoje é museu vivo da agricultura familiar mineira. (Imagem: Minas Gerais Turismo)
Paisagem rural do Vale do Rio Doce revela a fazenda histórica que hoje é museu vivo da agricultura familiar mineira. (Imagem: Minas Gerais Turismo)
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Fazenda centenária em Inhapim vira museu vivo que preserva tradições rurais, recebe visitantes e combina turismo de experiência com a produção de alimentos típicos para fortalecer a agricultura familiar na região.

Uma fazenda centenária em Inhapim, no Vale do Rio Doce, foi convertida em museu a céu aberto para preservar a memória da agricultura familiar e, ao mesmo tempo, gerar renda com turismo de experiência.

No local, o visitante encontra carro de boi, arados, moinho, monjolos, carneiro hidráulico, engenho e alambique ainda em funcionamento, além da produção de rapadura e cachaça artesanal.

A propriedade, mantida pela família de agricultores, recebe grupos de estudantes e turistas de diferentes cidades da região, com apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG).

Iniciado como espaço de visitação em 2014, o Museu Rural Mamédio Francisco Militão ocupa uma área rural no Córrego do Alegre, distrito de Inhapim, e integra o cadastro nacional de museus como ecomuseu voltado à agricultura familiar.

A proposta é mostrar, na prática, como viviam e ainda vivem famílias que dependem da roça, evidenciando o papel do turismo rural para manter pequenas propriedades ativas no interior de Minas Gerais.

Origem do museu e raízes da família Militão

Engenho de rapadura em Minas Gerais exibe processo artesanal da cana-de-açúcar; experiência autêntica de cultura rural. (Imagem: Museu Rural Mamédio Francisco Militão)
Engenho de rapadura em Minas Gerais exibe processo artesanal da cana-de-açúcar; experiência autêntica de cultura rural. (Imagem: Museu Rural Mamédio Francisco Militão)

A origem da fazenda remonta a 1920, quando a família de Mamédio Francisco Militão saiu de Rio Pomba, na Zona da Mata, em um carro de boi em direção a Inhapim.

No novo município, se estabeleceu na zona rural e passou a acumular ferramentas, objetos e estruturas ligados ao trabalho na terra.

Muitas dessas peças foram preservadas ao longo de décadas e hoje compõem o acervo do museu.

A idealizadora do projeto, a agricultora familiar Maria das Dores Militão Barroso, decidiu transformar a herança da família em espaço de visitação organizada.

Ela batizou o museu com o nome do pai, que reuniu e conservou grande parte do material exibido.

Segundo a agricultora, a iniciativa começou como um desejo antigo de dar novo uso ao acervo e, ao mesmo tempo, homenageá-lo.

Com o tempo, a fazenda se converteu no que os responsáveis definem como “museu vivo”: equipamentos em operação, animais, plantações e a rotina de uma propriedade rural em funcionamento.

A experiência inclui observação, participação em atividades e interação com moradores e trabalhadores do local.

Turismo rural, educação e visitas guiadas

Moinho, monjolo e carneiro hidráulico fazem parte do acervo vivo do museu rural, representando técnicas antigas da roça. (Imagem: Museu Rural Mamédio Francisco Militão)
Moinho, monjolo e carneiro hidráulico fazem parte do acervo vivo do museu rural, representando técnicas antigas da roça. (Imagem: Museu Rural Mamédio Francisco Militão)

As visitas ao museu são guiadas e direcionadas, sobretudo, a grupos escolares, mas também abertas a famílias e turistas interessados em conhecer o cotidiano da roça.

A Emater-MG auxiliou na estruturação do roteiro, na organização do fluxo de visitantes e na definição de conteúdos ligados à preservação ambiental, ao ciclo da cana-de-açúcar e à história da agricultura familiar.

O percurso inclui explicações sobre áreas de plantio, manejo de animais e ambientes de produção de alimentos típicos.

Os visitantes acompanham de perto o funcionamento de equipamentos movidos pela força da água, como monjolos e carneiro hidráulico.

Em diversos trechos, os participantes são convidados a experimentar tarefas do campo, reforçando o caráter imersivo da proposta.

Além do circuito pelas instalações, a fazenda oferece refeições preparadas no próprio local, com pratos ligados à culinária rural mineira.

Segundo os organizadores, a alimentação faz parte do conceito de turismo de experiência, associando sabores, cheiros e sons à paisagem do museu.

A Emater-MG destaca que o espaço ajuda a aproximar moradores de áreas urbanas da realidade do campo.

Alambique tradicional mineiro funcionando na fazenda centenária reforça produção de cachaça artesanal no turismo rural. (Imagem: Emater-MG)
Alambique tradicional mineiro funcionando na fazenda centenária reforça produção de cachaça artesanal no turismo rural. (Imagem: Emater-MG)

Estudantes e visitantes compreendem, de forma concreta, de onde vêm os alimentos consumidos no dia a dia e quais tecnologias sustentam pequenas propriedades rurais.

Identidade rural, memória e participação comunitária

Mais do que guardar objetos antigos, o Museu Rural Mamédio Francisco Militão valoriza a agricultura familiar como parte da identidade local.

Textos técnicos e registros de premiação internacional apontam que a iniciativa também tem foco em educação ambiental, uso responsável da água e fortalecimento das raízes familiares.

O projeto nasceu em parceria com a Associação Fofinha de Mulheres, o Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável e a Emater-MG.

A colaboração deu ao museu um recorte de inclusão social e participação comunitária.

O reconhecimento externo veio em 2016, quando o projeto recebeu menção honrosa no Prêmio Ibermuseus de Educação, que valoriza iniciativas educativas de museus da América Latina e da Península Ibérica.

O destaque reforçou a fazenda-museu como referência em propostas que associam preservação de memória, participação comunitária e atividades pedagógicas.

Museu rural em Inhapim com carro de boi preservado mostra a tradição da agricultura familiar e atrai turistas. (Imagem: Emater-MG)
Museu rural em Inhapim com carro de boi preservado mostra a tradição da agricultura familiar e atrai turistas. (Imagem: Emater-MG)

Produção de alimentos, rapadura e cachaça artesanal

Paralelamente à visitação, a propriedade segue como unidade produtiva.

Com apoio técnico de profissionais da Emater-MG, a família mantém lavouras de arroz e feijão em pequena escala, além da estrutura de beneficiamento de cana que permite produzir rapadura e cachaça.

A cachaça é feita em alambique tradicional instalado na própria fazenda, a partir de cana cultivada ali mesmo.

Estimativas divulgadas pela Emater-MG indicam que a produção anual chega a cerca de 30 mil litros, destinados à comercialização em parceria com associações de agricultores familiares da região.

A rapadura complementa o portfólio de produtos artesanais e costuma ser oferecida aos visitantes e consumidores externos.

Quem participa das visitas pode acompanhar todas as etapas do processo, da moagem da cana ao descanso da cachaça.

Esse modelo, que combina turismo e produção agrícola, é apontado por especialistas como estratégia para diversificar a renda de pequenas propriedades em Minas Gerais.

Turismo de experiência e permanência das famílias no campo

Paisagem rural do Vale do Rio Doce revela a fazenda histórica que hoje é museu vivo da agricultura familiar mineira. (Imagem: Minas Gerais Turismo)
Paisagem rural do Vale do Rio Doce revela a fazenda histórica que hoje é museu vivo da agricultura familiar mineira. (Imagem: Minas Gerais Turismo)

O Museu Rural Mamédio Francisco Militão integra roteiros turísticos oficiais de Minas e aparece em cadastros públicos como equipamento cultural dedicado à agricultura familiar.

A entrada é franca e as visitas são previamente agendadas, sobretudo para grupos escolares.

O contato para informações e agendamento é feito por telefone ou e-mail diretamente com a organização do museu.

Ao oferecer passeios de carro de boi, charrete, montaria, trilhas e refeições típicas, o espaço reforça a ideia de que o turismo de experiência e a memória da roça ajudam na permanência das famílias no campo.

Em vez de abandonar estruturas antigas, a propriedade as ressignifica, transformando-as em atração educativa e fonte de renda.

Nesse cenário, em que muitas pequenas propriedades enfrentam dificuldades econômicas e risco de esvaziamento rural, iniciativas como a de Inhapim preservam práticas, saberes e modos de vida tradicionais.

Quantas outras fazendas espalhadas pelo interior de Minas poderiam seguir o mesmo caminho e se transformar em museus vivos capazes de contar a história da agricultura familiar e fortalecer quem ainda depende da terra?

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Vanderli Franklin Valerio
Vanderli Franklin Valerio
28/11/2025 21:00

Gostaria de visitar, mais não tem um telefone pra fazer agendamento…

Mário Lúcio Melo
Mário Lúcio Melo
28/11/2025 15:24

Está casa da foto, é da Fazenda Paraopeba, no município de Conselheiro Lafaiete e não no vale do Rio Doce.

Vanderlei
Vanderlei
28/11/2025 11:35

Bom dia. Passo em frente essa fazendo sempre quando estou indo para visitar clientes na região acho muito linda

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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