Estudos sísmicos revelaram que o núcleo interno da Terra pode esconder uma estrutura ainda mais profunda. Cientistas identificaram um “núcleo dentro do núcleo” localizado a mais de 5.000 km de profundidade.
Durante décadas, os livros de geologia ensinaram que o interior da Terra era dividido em camadas relativamente bem definidas: crosta, manto, núcleo externo líquido e núcleo interno sólido. No entanto, novas pesquisas em geofísica sugerem que essa estrutura pode ser ainda mais complexa. Estudos baseados em ondas sísmicas indicam que o núcleo interno do planeta pode esconder uma região ainda mais profunda, chamada por alguns pesquisadores de “núcleo interno mais interno”, ou simplesmente um núcleo dentro do núcleo.
Essa estrutura estaria localizada a mais de 5.000 quilômetros abaixo da superfície, quase no centro do planeta, em uma região onde a pressão ultrapassa 3,5 milhões de atmosferas e a temperatura pode chegar a 5.500 °C, comparável à superfície do Sol. A descoberta sugere que o coração do planeta pode guardar registros geológicos extremamente antigos, possivelmente ligados aos primeiros estágios da formação da Terra.
Como os cientistas conseguem estudar o interior da Terra sem perfurar o planeta
Investigar regiões tão profundas do planeta é um desafio enorme. O buraco mais profundo já perfurado pelo ser humano, o Poço Superprofundo de Kola, na Rússia, alcançou pouco mais de 12 quilômetros de profundidade, o que representa apenas uma fração minúscula da espessura total da Terra, que ultrapassa 6.300 quilômetros de raio.
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Para estudar as regiões profundas do planeta, os cientistas recorrem a uma técnica chamada tomografia sísmica, que utiliza ondas geradas por terremotos naturais. Quando ocorre um terremoto, ondas sísmicas se propagam por todo o interior do planeta e atravessam diferentes camadas da Terra.
Essas ondas mudam de velocidade e direção dependendo da composição e da densidade das rochas que atravessam. Ao analisar cuidadosamente essas variações com redes globais de sismógrafos, os pesquisadores conseguem reconstruir imagens detalhadas do interior do planeta, de forma semelhante a um exame de tomografia médica.
Foi justamente analisando esses padrões de propagação das ondas sísmicas que cientistas começaram a perceber que algo incomum estava acontecendo dentro do núcleo interno da Terra.
Evidências sísmicas revelam uma estrutura inesperada no centro do planeta
A primeira evidência forte de que o núcleo interno poderia ter uma subdivisão surgiu quando pesquisadores observaram que certas ondas sísmicas atravessavam o centro do planeta de maneira diferente dependendo da direção em que se propagavam.
Em algumas trajetórias, as ondas viajavam mais rápido, enquanto em outras se moviam de forma ligeiramente mais lenta. Essa diferença indicava que a estrutura cristalina do ferro no núcleo interno poderia variar entre regiões diferentes.

Estudos posteriores sugeriram que existe uma região central, mais profunda, com propriedades distintas do restante do núcleo interno. Essa área poderia representar uma fase diferente da cristalização do ferro no centro do planeta.
Em outras palavras, o núcleo interno da Terra não seria totalmente uniforme: ele poderia ter uma camada central com estrutura cristalina diferente, formando aquilo que os cientistas passaram a chamar de “inner inner core”, ou núcleo mais interno.
O que compõe o núcleo interno da Terra
O núcleo interno da Terra é composto principalmente por ferro sólido, misturado com pequenas quantidades de níquel e outros elementos leves.
Apesar das temperaturas extremamente altas, o material permanece sólido por causa da pressão gigantesca exercida pelas camadas superiores do planeta. Essa pressão é tão intensa que impede o ferro de se fundir, mesmo em temperaturas comparáveis às encontradas na superfície do Sol.

Ao redor do núcleo interno existe o núcleo externo, uma camada composta por ferro líquido em constante movimento. Esse movimento do metal fundido gera correntes elétricas que são responsáveis pela criação do campo magnético da Terra.
Esse campo magnético atua como um escudo que protege o planeta contra partículas carregadas vindas do Sol, ajudando a preservar a atmosfera e permitindo o desenvolvimento da vida.
O núcleo dentro do núcleo pode guardar registros da formação da Terra
Uma das hipóteses mais interessantes levantadas pelos pesquisadores é que essa região mais profunda do núcleo interno pode representar um estágio antigo da história do planeta.
Acredita-se que o núcleo interno começou a se formar há cerca de 1 bilhão de anos, quando o interior da Terra começou a esfriar o suficiente para que o ferro líquido começasse a cristalizar.
Se essa cristalização ocorreu em diferentes fases ao longo do tempo, a parte mais central do núcleo pode ter se formado primeiro, preservando a estrutura cristalina daquele período específico da evolução do planeta.
Isso significa que o núcleo mais interno pode funcionar como uma espécie de arquivo geológico profundo, contendo informações sobre as condições físicas que existiam no interior da Terra há bilhões de anos.
O papel do núcleo interno na dinâmica do planeta
A estrutura do núcleo interno também tem implicações importantes para a dinâmica global da Terra. O processo de cristalização do ferro no núcleo interno libera calor e elementos leves no núcleo externo líquido. Esse fluxo de energia ajuda a manter o movimento convectivo do ferro líquido que gera o campo magnético terrestre.
Se a estrutura interna do núcleo for mais complexa do que se imaginava, isso pode influenciar a forma como o campo magnético evolui ao longo do tempo.
Alguns pesquisadores sugerem que mudanças na estrutura cristalina do núcleo interno podem estar ligadas a fenômenos como inversões do campo magnético, eventos em que os polos magnéticos da Terra se invertem.
Essas inversões já ocorreram diversas vezes ao longo da história geológica do planeta.
O centro da Terra ainda guarda muitos mistérios
Mesmo com os avanços das técnicas de tomografia sísmica, o interior da Terra continua sendo uma das regiões menos compreendidas do planeta.
Grande parte do conhecimento atual sobre o núcleo interno é baseada em modelos teóricos e interpretações indiretas de dados sísmicos. Pequenas variações nesses dados podem levar a interpretações diferentes sobre a estrutura real da região.
Por isso, a ideia de um núcleo dentro do núcleo ainda é objeto de debate entre cientistas. Alguns pesquisadores defendem que as diferenças observadas nas ondas sísmicas indicam realmente a presença de uma camada distinta, enquanto outros acreditam que essas variações podem ser explicadas por diferenças na orientação dos cristais de ferro no núcleo interno.
Independentemente da interpretação final, a descoberta reforça a ideia de que o interior do planeta é muito mais complexo do que se pensava.
O interior da Terra ainda está sendo descoberto
À medida que novas redes sísmicas são instaladas ao redor do mundo e técnicas de análise de dados se tornam mais sofisticadas, os cientistas continuam revelando detalhes surpreendentes sobre o interior da Terra.
Nos últimos anos, estudos geofísicos também identificaram estruturas gigantes no manto profundo, montanhas enormes na fronteira entre o núcleo e o manto e regiões onde placas tectônicas antigas permanecem preservadas a milhares de quilômetros de profundidade. Essas descobertas mostram que o planeta ainda guarda uma enorme quantidade de mistérios geológicos.
A possibilidade de que exista um núcleo dentro do núcleo da Terra é mais um exemplo de como o interior do planeta pode ser muito mais complexo do que imaginávamos — e de como terremotos, analisados com precisão científica, podem revelar segredos escondidos a mais de 5.000 quilômetros abaixo de nossos pés.

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