Um superporta-aviões reúne energia nuclear, nova arquitetura de operação e sistemas que mudaram a rotina do convés, em um projeto que virou referência na modernização naval e concentra atenção de militares, indústria e analistas.
USS Gerald R. Ford e a nova geração de porta-aviões
O navio descrito como uma “cidade flutuante” é o USS Gerald R. Ford (CVN-78), porta-aviões que lidera uma nova classe da Marinha dos Estados Unidos e reúne mudanças relevantes em relação aos modelos anteriores.
O projeto substituiu parte da arquitetura usada por décadas nos superporta-aviões da classe Nimitz e foi concebido para operar com mais geração elétrica, menor necessidade de pessoal e maior capacidade de lançamentos aéreos ao longo do dia.
A comparação com uma cidade não se limita ao porte da embarcação.
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O porta-aviões concentra propulsão, produção de energia, controle de tráfego aéreo, radares, sistemas de defesa, manutenção de aeronaves e apoio logístico em uma única plataforma.
A própria Marinha dos EUA apresenta a classe Gerald R. Ford como um ativo voltado à resposta a crises e à projeção de poder, enquanto a Navsea, órgão responsável pelo programa, afirma que o navio representa a mudança mais ampla de projeto em porta-aviões desde os anos 1960.
Reatores A1B e a capacidade elétrica do navio
No centro desse sistema estão dois reatores nucleares A1B, desenvolvidos para entregar mais eletricidade do que a geração anterior.
A Marinha informa que a classe foi planejada com utilidades totalmente elétricas, o que eliminou várias linhas de vapor presentes em navios desse porte.
Documentos oficiais do programa também registram que a embarcação foi pensada para contar com mais energia disponível para sistemas de bordo e para novas tecnologias embarcadas.

Essa mudança não serve apenas para movimentar um casco de mais de 300 metros.
A capacidade elétrica alimenta radares, sensores, elevadores de armas, oficinas, comunicações, sistemas de pouso e, sobretudo, o equipamento que se tornou a principal marca tecnológica da classe: o EMALS, sigla em inglês para Sistema Eletromagnético de Lançamento de Aeronaves.
A energia nuclear já era empregada em porta-aviões americanos, mas a classe Gerald R. Ford foi concebida para ampliar a margem elétrica disponível a bordo.
Segundo a Navsea, o navio entrega aproximadamente três vezes mais capacidade de geração elétrica do que a classe anterior.
Esse dado é citado por órgãos ligados ao programa como um dos fatores que permitem acomodar sistemas mais exigentes e preparar a plataforma para tecnologias futuras.
A autonomia também é um dos pontos mais mencionados quando o assunto é o projeto, embora esse dado costume aparecer de forma simplificada em textos de divulgação.
Em materiais institucionais do setor naval americano, o ciclo desses porta-aviões é associado a uma vida útil de 50 anos, com reabastecimento nuclear na metade desse período, por volta de 25 anos.
Por isso, a formulação mais precisa é dizer que o navio pode operar por um longo intervalo antes do reabastecimento de meia-vida.
Além da autonomia, a geração extra de energia reduz limitações associadas a navios projetados em outro contexto tecnológico.
O Congresso americano registrou, ainda na fase inicial do programa, que os porta-aviões da classe Ford foram desenvolvidos para suportar demandas elétricas maiores e para operar vários sistemas novos de forma integrada.
Na prática, isso amplia a capacidade de adaptação da plataforma a sensores avançados, automação e equipamentos que exigem maior carga elétrica.
EMALS e o lançamento eletromagnético de aeronaves
A substituição das catapultas a vapor pelo EMALS é uma das diferenças mais conhecidas do Gerald R. Ford.
Em vez de usar vapor pressurizado para impulsionar a aeronave, o sistema emprega tecnologia eletromagnética.
A General Atomics, responsável pelo equipamento, informa que o sistema amplia a capacidade operacional de lançamento, reduz exigências de pessoal e consegue trabalhar com uma faixa variada de pesos de aeronaves.
Segundo descrições técnicas abertas e documentos de referência do programa, a aceleração tende a ser mais suave do que a obtida com catapultas a vapor.
Esse ponto é apontado por fontes do setor como um fator que reduz o estresse sobre a estrutura das aeronaves.
O efeito interessa tanto aos caças embarcados quanto a plataformas com características diferentes, incluindo aeronaves mais leves ou mais pesadas dentro do espectro de operação do convés.
Outro efeito importante aparece no ritmo das operações.
A documentação do Congresso dos EUA ligada à classe Gerald R. Ford registra que o desenho do navio buscou permitir 33% mais saídas aéreas por dia em comparação com a classe Nimitz.
Esse desempenho não depende apenas do EMALS, mas também de mudanças no convés, nos fluxos internos e na movimentação de armas e equipamentos.
O novo sistema de lançamento, portanto, não atua de forma isolada.
Ele integra um conjunto de mudanças que inclui o arranjo interno do navio, a reorganização do convés e a ampliação da capacidade elétrica.
É essa combinação que, segundo os documentos do programa, sustenta a proposta de uma operação aérea mais intensa e com menos restrições do que nos modelos anteriores.
Menos tripulação e nova organização interna
A modernização não ficou restrita ao lançamento de aeronaves.
A Marinha dos EUA informa que a classe Ford combina o novo reator A1B, o EMALS, o sistema avançado de recuperação de aeronaves e radares mais modernos com a meta de reduzir a necessidade de pessoal.
O material institucional também afirma que a classe deverá economizar mais de US$ 5 bilhões em custos totais de propriedade ao longo de 50 anos quando comparada à classe Nimitz.
Parte dessa economia projetada decorre da redução de tripulação e da reorganização de espaços internos.
Documentos do Congresso e reportagens especializadas sobre o programa apontam que a embarcação foi projetada para operar com várias centenas de marinheiros a menos do que navios da geração anterior.
Ao mesmo tempo, a ilha do porta-aviões e o arranjo do convés foram reposicionados para favorecer o fluxo de operações aéreas e de manutenção.
Esse redesenho ajuda a explicar por que a classe Ford é tratada, por fontes oficiais e por analistas do setor naval, como uma mudança tecnológica relevante.
A embarcação não se apoia em um único equipamento novo, mas na soma entre reatores mais potentes, arquitetura elétrica ampliada, novos sistemas de lançamento e recuperação, sensores mais modernos e maior automação embarcada.
O resultado, segundo a Marinha e documentos do programa, é uma plataforma pensada para ciclos mais intensos de operação.
O impacto da classe Ford na estratégia naval
O USS Gerald R. Ford também passou anos sob escrutínio por atrasos e dificuldades na integração de tecnologias inéditas.
Ainda assim, a Marinha americana sustenta que o navio foi concebido para dar suporte a uma ala aérea moderna e a sistemas que exigem mais energia e mais conectividade.
Nesse contexto, o porta-aviões é apresentado como uma etapa de transição entre o modelo tradicional de projeção naval e uma fase em que automação, sensores mais sofisticados e novas demandas energéticas passam a ter peso maior.
Por essa razão, o impacto do projeto vai além da imagem de um navio de grandes dimensões que lança caças por magnetismo.
O que está em jogo, segundo materiais oficiais e documentos públicos do programa, é a tentativa de redefinir a base operacional de um grupo naval de combate para as próximas décadas, com uma plataforma desenhada para incorporar mudanças tecnológicas sem depender integralmente da lógica de projeto da Guerra Fria.

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